sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020


Os medos são retalhos de uma vida.
Colchas em forma de frio.
Recados na varanda.
Correnteza de rio.



Embarcações
          
Vislumbrava a cor daqueles olhos que a tanto não via.
E lia nas entrelinhas da noite escura uma claridade.
Olhos de dor, mas ao mesmo tempo de inundação de mar.
Provocações de bar e recados em guardanapos.
Saudade recém-chegada.
Saudade embarcada.
Saudade distraída.
Caída diante dos olhos sonhados.
Caída deliciosamente sobre o corpo.
Caída intencionalmente no colo querido.
Vislumbrava a cor daqueles olhos,
Para poder estar mais perto daqueles olhos tão amados.
Incendiados por uma solidão incontida.
Detalhada em sonhos que vivi acordado.
Vislumbro tua chegada todos os dias, todas as manhãs.
Quando da tua chegada descreverei realmente o que seja claridade.
E entenderás todo o tamanho das palavras que escrevo agora.


sábado, 22 de fevereiro de 2020


Eu quero gente pimenta, 
gente com sal
A vida insossa faz mal...


Não esqueça que todos os dias podes falar para teus filhos, para teu amor, para teu amigo, para tua mãe, para teu pai: "Eu te amo", "És importante para mim", "Que bom que estás comigo", "Muito obrigado"... A vida é um estalo... Toque-se, se toque, é tempo ainda.


Aparências II ( Olhares)

Uma gota corajosamente rega o mundo
Uma inundação mora num chão árido
Uma lágrima delicadamente provoca um riso

Uma gargalhada se esconde
num rosto triste

Mulheres tomem conta desse mundo 
enquanto há tempo, 
enquanto há braços, 
enquanto tudo não calar pelo medo. 
O real caminho é feminino.

AMOR NÃO BATE.
AMOR NÃO MATA.
AMOR NÃO AGRIDE.
AMOR NÃO SUFOCA.
AMOR NÃO RALHA.

AMOR TEM QUE FAZER SORRIR.

DENUNCIE O DESAMOR.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020


Vamos plantar água 
e água se planta com árvores
Senão o mundo seca. 
Senão o mundo queima.





Dona Zica e Cartola
                     
“Me” liga e diz o que acontece.
Declame feito Dona Zica.
“Me” liga para que eu não fique sozinho.
Declame “a vida é um moinho”.

E quando quiseres, minha rosa,
Lembre que amor não se aprende em escola.
Assim te chamarei de Dona Zica.
E sonho que um dia me chames de Cartola.






Caleidoscópio
                           
Tua boca encharcada.
Teu corpo coberto de gemidos bons.
Correntezas que me fazem chegar aos teus poros.
Coro de uma noite silenciosa,
“Gritando-nos por dentro”
Tua imagem me dá fome, sede.
E só tua imagem e corpo para saciar o tudo.
O prazer percorre nossas veias.
Invade minha poesia.
Alucina minhas aldeias.
Tua química brinca com minha alquimia.
Beijo coberto de oitavas intensões.
Gemidos feito canções.
Corpos costurados com linhas.
Gozo nos fazendo voar.
Quero morrer junto ao teu ventre.
Uma lente feito um espelho convexo,
Que transforma o mundo e aumenta meu desejo.
Teu corpo me fala “entre”.
Teu corpo me deixa sem nexo.
Minha língua encharcada navega em tua boca.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020


Pequena canção de amor passageiro

Minhas janelas adoram tua paisagem.


Pequena canção para entender a lágrima

Imagino a lágrima tal a vertente de um rio.
Insinuo que existem correntezas e calmarias no curso.
Minhas tristezas e minhas alegrias são meu leito.
Entendo o pranto como fosse um deserto a inundar o mar...



Frases e rasgos

Usava alvejante na alma e ninguém via a tristeza contida



O vendedor de algodão doce

Lá se vão as nuvens,
E eu aqui embaixo as redesenho...
Passa agora um vendedor de algodão doce 
e me traduz.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Imensidão pode encher parcialmente um dedal
Um vazio pode preencher totalmente o tanto
O vento muitas vezes não quer falar com o varal


Rabiscos

Precisamos nos perder mais.
Os dias de tempestade e a falta de bússola, na maioria das vezes, nos ensinam caminhos, não que eles sejam os melhores caminhos, mas precisamos passar por eles para aprender. E aprender não é acertar tudo, ou não errar, muito pelo contrário. Envolva-se com os detalhes, com o simples, gotas são também partes do oceano.
Vamos nos perder para nos achar e se mesmo assim continuarmos perdidos vamos tentar. O ódio virou jeito de viver, e o que dá jeito para tudo é amar.
Minhas palavras, tantas vezes, não conseguem chegar onde quero e não tenho certeza que são compreendidas. Sigo a tentar, e me despedaçar, a me juntar, a me reerguer... assim procuro dentro de minhas loucuras a coerência utópica de querer se achar...

Amigo, precisamos nos perder mais.


O tempo é um senhor 
muito distinto...
Às vezes chileno, seco e tinto

Cada qual com cada seu...
Quem de amor nunca morreu?
Quem por amor nunca bebeu?


(Márcia e Edike Carneiro)


Apertos

Que o simples vença o tão confuso.
Que seja importante me faltar um parafuso.
para que eu possa enlouquecer em mim.
Visto roupas de arco-íris
Meus retalhos de tantas cores
Já fizeram tantas colchas
A me abrigar do frio
Não me venham definir minhas cores
Nem meus amores, nem minhas flores
Sou tempestade, sou mar, sou calmaria, sou rio
Visto as roupas de Jorge
E ninguém desenhará minhas telas
Sou aquarela

Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso,
eu seja inocente...



Um conto de sarda

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...





Seca

Que chuva tamanha que beija a seca,
A minha seca boca.
Chuva que molha as roupas do passado
E dá febre.
Uma febre tamanha que queima a seca,
A minha seca boca.
Uma sensatez louca.
A previsão é que a chuva tamanha não pare,
Então, que encharque.





A tecelã

Existe uma fada na noite
Que tece mantas para os dias frios
Cachecóis de linhas tênues
Boas casas, qualificados fios
Bordados de amor latente
Frisos finos e corações enormes
Beijos de mares, namoros de rios
Enquanto depois de tanto trabalho
A fada sonha e desperta a cor do tanto
Os sonhos da fada colorem
Todos os sonhos que dormem
Num mágico e doce encanto
Que nossos corpos tais encantadas conchas
A coser as tais apaixonadas linhas
Eternizem almas, cochilem de conchinha
Aquecidas pelo amor, eterno manto



Aparentemente o querer transparece

Quase por quase não querer que o espelho enxerga não querendo ver
Num instante presume que o amor é constante, n’outro beira o acaso
Diz que não quer, que não sente saudade e disfarça assim o querer
E quer que o tempo corra, pois, meio poço cheio de um ângulo é raso

Imensidão pode encher parcialmente um dedal
Um vazio pode preencher totalmente o tanto
O vento muitas vezes não quer falar com o varal
E bem no canto do canto mora um canto


Línguas

Eu já nem sei o que meu querer quer me dizer
Talvez esteja mais confuso do que eu
Talvez não entenda que para esquecer
É preciso explicar o que aconteceu

Ao passo que os quereres têm “quês”
E que eles não falam uma mesma língua
O teu querer fala por sinais
E o meu fala somente português

Preciso assim que reflitas e sintas
Que a vida precisa tanto de bem querer
E que o amor pode nascer
Na invenção de uma outra língua


Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue
no exato momento em que me falta o ar
mesmo que minhas pernas se neguem
meu desejo me faz andar

Estanca de repente também meus ais
nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto
minhas dores aportam em meu cais
engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor
um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito
uma luta incessante da escuridão com a cor
como se houvesse pregos em toda cama que deito


Colcha de retalhos  

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos



Morde, assopra e cura      

Amo sempre como nunca.
Ainda é cedo para amar tarde.
Paixão é mercúrio.
Amor é mertiolate.




Nós

Nós para atar
Nós atados
Nós sem par
Cegos por nós
Nós soltos
Despercebidos
Nós lidos
Esquecidos
Nós para juntar
O inconcebível
Acredito
Em nós para sempre



Capitu

Quando conheci Capitu
capitulei
desenganei

a confiança é um conto
um Machado afiado
uma colcha de retalhos
com bainhas de linho   

quem nunca se sentiu Bentinho?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


As parceiras

Bebem noites, mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.

Viver sem elas seria cômodo demais.





Hoje eu vejo um olhar que eu não via em mim
Mesmo que a vida continue a pregar peças, a ser uma loucura cada dia maior e ao mesmo tempo mais fascinante, hoje sou mais simples e mais feliz... O amor verdadeiro é transformador e simples. Hoje eu sou o que eu quero ser e mesmo que as dificuldades apareçam, o sentimento de liberdade produz paz. Invariavelmente um aperto brota no coração, quase que a dizer, “tudo bem, passa, tua coerência te fez, e a simplicidade te guiará”...

Tem coisas que eu escrevo para que me ouçam... tenho meus rabiscos como fossem meus mapas...
O luar é um cachecol, com o qual eu protejo teu pescoço dos meus beijos roubados.
Eu rio muito contigo...
Chego a ser mar...
Na hora de dormir
escute bem os acordes

domingo, 16 de fevereiro de 2020


A "Flor Bela" faz poesia
e todo dia é Primavera

sábado, 15 de fevereiro de 2020


A vida não é lenta.
Fecha-se os olhos, trinta.
De repente, cinquenta.
É preciso coragem para entender o tempo.




Ardia a manhã
Bem lembro
Meu coração inverno
Sonhava em ver setembro
O sol ficava diferente
As flores provocavam sorrisos
Nunca esquecerei as cores das primaveras de Torres
É uma tela que guardo aqui dentro
Feito um mar


Breve

A vida não é lenta
Fecha-se os olhos
Trinta
De repente cinquenta
É preciso coragem
Para entender
Toda a paisagem
Toda a passagem
É preciso entendimento
Amor é alimento
É preciso entender as calmarias
E respeitar também as forças do vento
A vida, pois, é breve
E breve também é muito tempo
Aproveite cada momento
Como fosse uma lição, um ensinamento
(Vigiai tuas ações,
encoraje teus receios
por que na verdade
somos passageiros
e é preciso viajar sem medo)


Nem tudo é todo

Nem toda a hora é clara
Nem todo o ovo é gema
Nem toda a correria é risco
Nem todo o lápis desenha
Nem toda a frase é lema
Nem todo o amor é sina
Nem toda a teoria condena
Nem toda a prática ensina


Esse Olhar

Ai esse olhar
Que tu sempre pega
Olhar de esfrega
De calor, de paixão
Olhar que come
Que fome
Ai esse olhar 
Que me entrega




Pequena quadrinha do "Fuja disso"

A rua mora no fim da casa
Onde a sala separa o quarto
O amor nesse caso é apenas um ato
De cômodos acomodados



Eu quero alguma coisa
temperada de gente
e gente é todo mundo
meu gosto é meu
aguente

(Márcia Caspary e Edike Carneiro)






Cresci numa linda cidade chamada Torres e comia goiaba e outras tantas frutas no pé
Jogava taco em frente de casa e andava de carrinho de lomba final de tarde
Hoje vejo que todo mundo vê todo mundo pelo computador e celular
Queria tanto reencontrar o meu lugar
Mas Torres já não é mais a mesma, nem as goiabas, nem o jogo de taco, nem o carrinho de lomba
Restam sombras, sombras diferentes
Por que nem o sol é o mesmo
Precisamos resgatar o simples, senão não teremos histórias para contar

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020



Eu quero que tudo vire explosão
Explosão para acordar
Que o amor exploda
Que a vida exploda
E que a gente possa se achar
Prefiro a explosão
Do que a falta de tato e de poda
De alma e de coração
Mexe, remexe, mistura e cura
Todos os desejos
Tem dias que o amor precisa
De liquidificador
N’ outros precisa só de beijo


Mora um vento em mim...
que não me leve as reticências...


Cora Coralina adoro
teus meninos e tuas meninas
por que tuas poesias falam de pessoas
todas, qualquer uma, qualquer olhar ou sina






O que chamam de tudo é apenas uma parte do que cabe em mim.
Que tamanho mais do que o imenso terá o amor que sinto por ti?

e eu assim meio de canto,
rabisco uma letra e danço

Que coisa estranha
Hoje em dia fazer poesia
Parece que cometo delitos
Parece que estou fora da lei
E o que escrevo me incrimina
Por que esse medo de alguns pela poesia?
Eu sei


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Lembrança é ferrugem

pelo arame da saudade



O luar é um cachecol, 
com o qual eu protejo teu pescoço 
dos meus beijos roubados.


Minha alma é feminina
Minha poesia é menina
Mulheres me desenham, me provocam
Os caminhos delas são minhas janelas
Sem esse encantamento meu chão é árido