sábado, 21 de setembro de 2019

As desculpas

Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo...
Nunca entendi tantos dedos,
já que eu sabia do que se tratava...
Vez por outra deixavam somente recados,
avisavam que não mais voltariam
e, logo depois, voltavam...
E com elas chegavam outras palavras,
que eu não entendia muito bem seus significados...
Mas até aquele momento,
as desculpas não se importavam com o que eu poderia ter achado...
Algumas chegavam bêbadas,
outras chegavam sem avisar,
e outras tantas não sabiam nem o que falar...
Nunca me preocupei em entendê-las,
mas entendia o que elas queriam mostrar,
assim ficava mais fácil conjugar o verbo desculpar...
E assim foi quando eu perdi meu par...
Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo,
que me ensinaram de um jeito especial
a verdadeira face do gostar...
Colcha de retalhos
Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos
Rabisco

Não quero inventar a felicidade, também não passa por minha cabeça escrever um manual de como se faz ou não se faz... tudo aqui, de repente, é tão rápido, é tão curto, é tão depressa... então não priorize os problemas, veja o que existe no coração e dê voz a ele... simples como bolinho de chuva recheado com banana e com àquele café da vó e uma musiquinha do Lupicínio e do Cartola lá no fundo... A poesia quando estala é franca, não estanca e ela grita... talvez a felicidade precise de estalos e beijos com gosto de tardes de sextas-feiras... o sol nascerá amanhã ... tenha certeza... confabule com a felicidade todo o dia... dentro de mim mora o que penso ser feliz e estou atrás disso... e todo dia entendo que o despertar é um riso intenso... sem nenhum ódio escondido...
Fomes

Era inevitável a queda
frente ao vazio que se fazia
era café sem bolacha, sem fatia
era fome o que o coração mostrava e dizia

Era inevitável o pranto
frente ao exposto
era lição sem cartilha
era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

Era inevitável o fim
frente ao penúltimo capítulo que se escrevia
era final feliz sem nenhum par
era romance sem nenhuma poesia

A fome comia...
A linha

A felicidade é uma linha... 
uma voz que corre a linha... 
uma linha que é feita de nós... 
Uma nota musical alinhada com o querer... 
a simplicidade é amiga da linha... 
o tempo é parceiro da linha 
e o amor é o tear...
Absolutamente

Tem dias que eu sou cantante.
N’outros o silêncio bate.
E na forma mais errante.
Beijo de mercúrio em que me arde.
Viver o tanto
para não morrer aos poucos.
Temos que aproveitar o hoje, amanhã é tão longe, 
abra a garganta e cante, diga eu te amo sem ter data, 
é preciso acordar o tanto.




Sempre existe um olhar do mundo, 
um olhar para a gente aprender. 
Preste atenção.


segunda-feira, 16 de setembro de 2019


O que importa entre entender a janela e o resguardar da porta
está em compreender o que se deve de guardar de verdade...


sábado, 14 de setembro de 2019



Minh’alma dói
Não imaginava que alma poderia ter tanta dor
Por anos achei que alma segurava todas as dores do coração
Ledo engano
Não se pode usar mertiolate n’alma
Nem se pode dar anestesia nela
Minh’alma dói...
Rasgos
Peito aberto
Lanhado
E não me venham com esparadrapo...
A tecelã

Existe uma fada na noite
Que tece mantas para os dias frios
Cachecóis de linhas tênues
Boas casas, qualificados fios
Bordados de amor latente
Frisos finos e corações enormes
Beijos de mares, namoros de rios
Enquanto depois de tanto trabalho
A fada sonha e desperta a cor do tanto
Os sonhos da fada colorem
Todos os sonhos que dormem
Num mágico e doce encanto
Que nossos corpos tais encantadas conchas
A coser as tais apaixonadas linhas
Eternizem almas, cochilem de conchinha
Aquecidas pelo amor, eterno manto
Coisas de guri

Quando eu era guri, muito guri... em Torres... descobri que o mar no quintal de casa era o mesmo mar do mundo inteiro... a felicidade sempre mora perto... é preciso bater em sua porta e dizer “eu te quero"... Coisas de mar...

Quando a chuva cai na terra, ouço um som de beijo...

domingo, 8 de setembro de 2019


A lua afunda por querer,
por querer ver o sol.

O LIVRO É LIVRE.
LIVRE-ME DA CENSURA,
DO FASCISMO E DO ÓDIO.
EM VEZ DE PROIBIREM 
A AGRESSÃO,
PROIBIRAM 
O BEIJO.
Minh’alma dói
Não imaginava que alma poderia ter tanta dor
Por anos achei que alma segurava todas as dores do coração
Ledo engano
Não se pode usar mertiolate n’alma
Nem se pode dar anestesia nela
Minh’alma dói...
Rasgos
Peito aberto
Lanhado
E não me venham com esparadrapo...
Minha alma está assim a permear o mar
que tenho dentro de mim
Vivo cada segundo e cada segundo é uma conquista
Não faço planos, não faço barulhos, não faço listas
Percorro prantos e cantos quase sem motivos ou por tantos
Uma solidão inquietante entrega-me
Arde um vento que ao mesmo tempo que leva me traz

sexta-feira, 6 de setembro de 2019


‘Goleirinha” num campinho ao lado de Igreja Santa Luzia, campinho do “Coleginho”, pelada na  areia da praia. Eram meus Maracanãs... Saudade imensa.




quinta-feira, 5 de setembro de 2019


Beijo
                    
Beijo-te num grito
beijo-te além do corpo como se a alma pudesse ter rosto - beijo-te
encontro-te aqui dentro como te encontrei a vez primeira - beijo-te
beijo-te onde a lua é nascente e nos faz ver a vida inteira - beijo-te
conheço-te ontem como fosse ontem a eternidade - beijo-te
beijo-te aonde os vislumbres transformam-se em encantos - beijo-te
chego a pontos aonde não chegava tão pouco sabia da existência - beijo-te
beijo-te pelo teu toque tua pele teu mar tua presença - beijo-te
agora vejo a paisagem que eu não via e docemente sonhava - beijo-te
beijo-te por te ver inteira - beijo-te
beijo-te por te ver por dentro - beijo-te
beijo-te por te ver - beijo-te
beijo-te além do corpo como se a alma pudesse ter rosto - beijo-te
beijo-te além do tempo como se o sujeito tempo fosse sempre - beijo-te
beijo-te sem vírgulas por ser nosso amor imenso - beijo-te
intenso - beijo-te
devoro-te ao mesmo tempo em que te protejo - beijo-te
encanta-me a sede que tens de bem viver - beijo-te
encanta-me a fome que tens de querer - beijo-te
amo-te enfim - beijo-te
por não ter mais medidas - beijo-te
por não ter mais palavras - beijo-te
pois mesmo no tanto me falta ar por não me faltar mais nada - beijo-te
(e veio o beijo como se o todo, o espaço, o universo fosse um grito de liberdade e prazer).




Triângulo

Um dia vieram três,
Certos que seriam dois,
Para formar um.

E quando viram que eram três,
Choraram como milhões,
Que procuram um par.

Sem saber o que fazer com um,
E sem saber quem seria o terceiro,
Resolveram procurar um quarto.

E viveram felizes para sempre,
Os três...


Declaração de amor rasgado

Rasgou minhas cartas,
rasgou minhas fotos,
rasgou meus livros,
e, por último,
rasgou as próprias roupas,
e fizemos amor na sala...

quarta-feira, 4 de setembro de 2019


Apertos

Que o simples vença o tão confuso.
Que seja importante me faltar um parafuso
para que eu possa enlouquecer em mim.


A vida vem e “vança”
A gente encara e dança
E a dança traz movimento

Dai vem o vento e balança
A gente se equilibra e voa
E se esquece do lamento

A vida vem e “vança”
E a gente diz: abocanhe

Mesmo que lanhe
A gente abraça
Seca

Que chuva tamanha que beija a seca,
A minha seca boca.
Chuva que molha as roupas do passado
E dá febre.
Uma febre tamanha que queima a seca,
A minha seca boca.
Uma sensatez louca.
A previsão é que a chuva tamanha não pare,
Então, que encharque.
Chove... 
O tempo fala... 
Eu Kahlo...

Quando a lua não aparece,
o mar fica a ver navios.


A lua afunda por querer, 
por querer ver o sol.

domingo, 1 de setembro de 2019

Coisas de domingo, 
de lembranças 
e de levas

Tentaram me levar tudo, insistiram em me levar tudo, juntaram forças para me levar tudo, mas não levaram minhas boas risadas, não levaram a presença dos bons amigos, não levaram a vontade de dançar, não levaram o desejo do banho de chuva, não levaram o café da tarde com broas e sonhos, não levaram a marisqueira com Fanta laranja, não levaram o mar no quintal de casa... pois tudo isso eu guardei no meu coração e no meu coração só entra quem eu quero.

sábado, 31 de agosto de 2019


Meu

Eu tenho um mar atrás de casa
É minha asa
E ninguém é obrigado
A se banhar

Um andar de tanto tempo

Eu tenho um andar de tanto tempo, de tempos que eu vivi, dos tempos que eu sonhei,
Dos tempos que nem senti...
Eu tenho o cantar de tanto tempo, de tempos que eu morri, dos tempos que eu passei,
Dos tempos que nem pedi...
Eu tenho as cicatrizes de tanto tempo, de tempos de tantas marcas, dos tempos de tantos riscos, que me machucavam a pele...
Eu tenho os beijos de tanto tempo, de tempos que eu amei, dos tempos que eu chorei,
Dos tempos de tantos sorrisos, que encantavam meus passos...
Eu tenho na memória tantos tempos, cantos que eu procurei, letra e música, coração e voz, de tempos que eu cantei...
O tempo é um menino, destino de horas e de cores, lugares de esperança e amores, de fins e de rancores...
O tempo é instrumento de procura, instrumento de recuperação, é agua, é pão, alimento que traz candura,
Dê ao tempo o tempo teu, com carinho, com atenção, dê ao tempo a compreensão, o afeto e a ternura... pois ele, com certeza, meu amigo, bem tratado, com cuidado, é a real cura... para tudo.

Embriago-me pelo tempo
Bêbado tempo
Que me faz dançar
Ternos que usava
Músicas que ouvia
O tempo vem e me abraça
E assim entre minhas vidas
E a eternidade
Eu faço minha poesia
(sou suor, sou amor, sou utopia
E quando não mais poder cantar
Eu serei vento... Jamais me calarão)


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A vida vem e “vança”
A gente encara e dança
E a dança traz movimento

Dai vem o vento e balança
A gente se equilibra e voa
E se esquece do lamento
A vida vem e “vança”

E a gente diz: abocanhe
Mesmo que lanhe
A gente abraça

quinta-feira, 29 de agosto de 2019


Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso,
eu seja inocente...





Frases entre um café e outro


Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.

Usava alvejante na alma e ninguém via a tristeza contida

Ao ver o mar mergulho e sempre mergulharei.
Como ter sede de mar e não naufragar algumas vezes?

Pela maçã do teu rosto
eu esqueceria qualquer paraíso

A mudança começa em nós. É preciso desatar.

O relógio está quebrado.
A carta não tem selo nem CEP.
A mensagem bebeu a garrafa.

Que o simples vença o tão confuso.
Que seja importante me faltar um parafuso
para que eu possa enlouquecer em mim.

Todo mundo tem escolha
A felicidade pode ser um estalo
Como quem dança num papel bolha

Nada é exato. O resto da vida pode ser o próximo minuto ou os próximos cem anos...

Quem ama não data.

Nem mesmo o mar poderá te dizer por onde andei naufragando.

Lembrança é ferrugem pelo arame da saudade...

A flor da pele pode não ser rosa.

O dia tropeça na tarde, mas quem cai é a noite.

terça-feira, 27 de agosto de 2019


Sempre é uma chuva que não cai sempre
molha aos poucos e desaparece sem aviso
Sempre é um caminho que não está no mapa
e anda aos poucos e desaparece na estrada
Sempre é um menino de nome acaso
que beija sempre a menina de nome Talvez

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

tece fios do luar

com novelos celestiais

por cobertores sonhado
s

aquece o que faz cantar

protege o que traz a paz

e o beijo voa até o corpo amado

domingo, 25 de agosto de 2019

Fernanda Young
quem faz arte não parte

A saudade

Saudade é um canto quieto, emocionante, tocado, inquieto
Uma casa sem teto que não deixa o sereno cair
Uma calçada sem lado que beija o jardim
Uma estrela cadente que docemente nunca cai
Um imenso vazio repleto de tudo envolvido
Um tempo surgido por querer sempre querido
Que deixa no canto do quarto um eterno ai






Feitiço de Áquila

A menina Chuva procurava o menino Estio
Ela corria para o mar
Ele corria para o rio
No inverno ele era quente
No verão ela era frio
Mas por tanto amor envolvido
O Jardim Vida de repente
Floriu




Deixa

Deixa minha bagunça fazer dançar minh’alma
E quando me faltar a calma
Eu me pegue a sorrir
Deixa a confusão me permitir o acaso
E quando meu mergulho for num lago raso
Eu me salve nas águas do teu corpo
Deixa a minha cara rubrar
E quando me faltar o ar
Eu me pegue a respirar sem desistir
Deixe eu gostar de poesia
De viver minha alegoria
Sem comprometer o que acredito
Não sei o que é feio nem o que seja bonito
Sei da compreensão e respeito pelo todo
Não gosto de mentira, de traição, nem desse lodo
Gostaria somente de poder viver
Sem usar o outro, sem fazer do outro um degrau
Não quero definir o bem nem o que seja mal
Sei que a transformação nasce em cada um
Deixa eu tentar dizer minha poesia
Deixa eu tentar colorir o meu dia
Deixa eu tentar alegrar minhas crias

Tem gente que não admite os meus tentares
Meus quereres
Minhas alquimias

Deixa assim
Eu não quero aprovação
Aprendi a viver com o não
Deixa eu escutar Chico, ler Quintana e procurar meu sim




Nem tudo é todo

Nem toda a hora é clara
Nem todo o ovo é gema
Nem toda a correria é risco
Nem todo o lápis desenha
Nem toda a frase é lema
Nem todo o amor é sina
Nem toda a teoria condena
Nem toda a prática ensina



Buscas

Buscamos soluções em infernos
E no céu de nossa boca
Mora a palavra exata



Dos perigos

U´a alma escancarada é um perigo
Eu não ligo
Sofro mais aqui e ali
Mas vivo


Frases e rasgos

Usava alvejante na alma e ninguém via a tristeza contida


Pequena canção para entender a lágrima

Imagino a lágrima tal a vertente de um rio.
Insinuo que existem correntezas e calmarias no curso.
Minhas tristezas e minhas alegrias são meu leito.
Entendo o pranto como fosse um deserto a inundar o mar...


Cochilo                                                                                                                           
Meu abandono tem sono e acorda em teus braços quase sempre.



Sobre o amor

Ao ver o mar mergulho e sempre mergulharei.
Como ter sede de mar e não naufragar algumas vezes?


...
O coração explode... um arrepio grita teu nome... a esquina foi tatuada com minha sede.... e tua ausência me dá fome

...
Intensamente foi a forma que descobri para desenhar palavras
Os interruptores d’alma são toques que aceleram o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração
O resto é vento...

...
Tudo pode ser uma questão de dizer nada.

...
Já virei a página sem ter entendido o livro. (Meu amigo, amor não é adivinhação)...

Origami

Dobraduras do tempo.
Harmonia.
Calma.
Concentração.
A vida é assim.
Dobras com cuidado.
Dobras com carinho.
Dobras com cautela.
Dobras com exatidão.
Dobraduras do tempo.
De repente a imagem, o fato, a construção.
Meu coração origami reinventa-se e “se” dobra.
Esse Olhar

Ai esse olhar
Que tu sempre pega
Olhar de esfrega
De calor, de paixão
Olhar que come
Que fome
Ai esse olhar
Que me entrega


Sede

Vou te beber inteira...gomo por gomo... gota por gota...
limão, bergamota, laranja...
sumo do suco que alimenta, agiganta...
entendes, sei que entendes, minha sede..

sábado, 24 de agosto de 2019

A terra queima, 
a natureza implora, 
a vida arde.
É preciso reagir.
Já é quase muito tarde.
As parceiras

Bebem noites, mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.
Viver sem elas seria cômodo demais.
Capitu


Quando conheci Capitu
capitulei
desenganei

a confiança é um conto
um Machado afiado
uma colcha de retalhos
com bainhas de linho

quem nunca se sentiu Bentinho?
Colcha de retalhos

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos
Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue
no exato momento em que me falta o ar
mesmo que minhas pernas se neguem
meu desejo me faz andar

Estanca de repente também meus ais
nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto
minhas dores aportam em meu cais
engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor
um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito
uma luta incessante da escuridão com a cor
como se houvesse pregos em toda cama que deito
Frases soltas presas ao tempo

A confusão ardia
noites quentes
ventos de calmaria
mormaços de Joanas e Marias
bêbadas madrugadas sem fatias
tempo do presente não tão perfeito
olhares sem garantias
orações sem leitos
saudade tatuada em folhas de samambaias

sexta-feira, 23 de agosto de 2019



O canto que ela canta me encanta
Ser parceiro dela é claridade
Nossa sintonia nos abraça
Amor é felicidade

Minha homenagem à essa pessoa iluminada
Quando faz uma música
faz uma música para “#todomundo

Pois amor tem que fazer sorrir

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A terra queima, 
a natureza implora, 
a vida arde.
É preciso reagir.
Já é quase muito tarde.



segunda-feira, 19 de agosto de 2019




Luas
           
Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.
Alugaram uma quitinete.
Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.
Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.
Ah! Era quarta.
Beijaram-se muito, muito mesmo.
Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.
Juraram amor eterno.
Ele, vestiu seu único terno.
E foi tentar, tentar, tentar.
Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...



Quando a exatidão descobre que a surpresa é fundamental

Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos os beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade
São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado