sábado, 10 de novembro de 2018


Perdas são também palavras que não foram ditas





Beirais


O amor é intenso se for
Se for verdade, se for amor
E intenso não é loucura cem por cento
Intenso é ser verdadeiro todo o momento
Se não o que nos move pode ser somente um vento
Ou um veto

Decididamente e de certo
Pandorgas necessitam de mãos e de quem as guie
Decididamente e de certo
Mãos nescessitam de sonhos e de linhas
Entenda, pois, dois é uma equação singular de tantos graus
Mas não use luvas

Nunca usei atalhos... a pressa não me encantava
Demorei para fazer quase tudo e quando fiz por que eu amava
Esqueça as bulas e as fórmulas
Esqueça a cartilha e a agonia de ter somente
Beija sem tempo e em qualquer lugar
Sujeito indeterminado é o que não soube amar
Nunca fui sujeito oculto e isso dói demais

Cansei... Isso não quer dizer que desisti...
O egoísmo das pessoas me fere
Sou uma peça apenas num mundo muito frio
Adoro rios, mas sei das correntezas
Adoro mares, mas sei dos repuxos

Minha poesia é minha amante e minha confidente
E ela viverá depois de mim
E isso me conforta
O mundo com tantas portas e
Eu a fazer sonetos às janelas

quinta-feira, 8 de novembro de 2018


Canção dos Bambus que Acalentam a Alma

(Para Marcia Carneiro)

Escuto teu som
Moldura da noite que me abraça
Na vida se perde tantas coisas
Mas muitas outras
se acha

Suavemente se perde a calma
Suavemente se ganha a compreensão
Tudo assim meio à flor da pele
Num movimento de jardins, de marés, e
De outras almas

Sinto quando vergas
Pressinto o vento que te abate
Na distância descobri tuas entrelinhas
Estrelinhas numa noite sonhada e tão brilhante

O movimento muda, o pensamento voa
Sonhos são mudas, margaridas plantadas em canoas
Embora muitas vezes vejo teu silêncio
E o mundo pressiona que cantes
Compreendo teu grito e canção nesse hiato de voz
Nos percamos mais em nós

Sabemos que mecanismos nos afastam do simples
Sabemos dos encantos que moram nos bambus
Assim seremos intensos da nossa maneira
Pés descalços, ombros nus
Numa colheita que cabe em cada um

sexta-feira, 2 de novembro de 2018


                                           Alerta

                          Antes de dormir
              escute bem os acordes

Agora o medo é companhia constante...
sejamos cobertor e aqueçamos nosso sentimento, será preciso.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018


Eu tenho aços de saudades que deixaram marcas
Arcabouços, esconderijos e segredos
Alguns medos e beijos e sonetos
Baús, envelopes, fotos e arcas
Sei que felicidade existe
e sei que se aprende quando da tristeza
Sei que simplicidade é a melhor parte
E sem arte o mundo é triste
Acredito piamente no amor
Indecentemente na paixão
E nos amigos e nas antigas músicas
E em bailes das retinas, e das garagens
Embarcações, fugas, procuras e sei lá
Gosto de beijo, de olhar de mãe e pai como fossem beijos
É tudo muito corrido e é tanta coisa sem aviso
Que daqui a pouco tudo passará
Antes disso se entregue ao amor e cante
Latente é viver o agora
E o coração é um ser alado
Que seja amado pois...




O tamanho da gente
Gente de tamanho
Simples, doces, pequenos
Gigantes por naturezas

O tamanho da gente
São nossos sonhos

Feridas,
Lanhos,
E dores...

Mas de mãos dadas
Seremos
Fortes, serenos

Semearemos vontades,
ventos e amores

sábado, 27 de outubro de 2018

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Mergulho

às margens do teu rio eu mergulho sem medo

neste momento

não tenho frio

não tenho dúvida

não tenho segredo

Do tempo

O amor é um inferno
Um inverno sem roupas quentes
Um terno de linho sem noiva
Luares de noites ardentes
São mares com ondas constantes
Nenhuma igual como a de antes
E tão exato que é de repente
Alguma coisa passante
PERDA


Eu perco a hora, 

o ônibus, 
o caminho 
pensando em ti
Talvez encontre o amor enquanto te perco

Um segredo de gaveta e de mar

Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas
As emoções chorando
minha alma quase quarando
tal roupa no varal de casa
deixa o sol
deixa o sol
invadir minha asa

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Areias e prantos

Primeiro gostaria de deixar claro; o PT me decepcionou em muitas situações, mas ainda acredito que em ações sociais nunca foi feito tanto. O PT precisava e não o fez admitir erros e voltar para as bases, olhar e valorizar a militância e reler sua história. Dito isso afirmo que o atual momento não é de siglas é de humanidade. Tenho medo, fui chamado por “amigos” de tantas coisas, disseram que não tenho caráter, me tiraram trabalhos por que tenho essa ou aquela opinião. Não podemos admitir retrocessos, não podemos admitir discursos alicerçados na violência...

“O tempo não para”... eu me entrego a verdade, mesmo que ela me faça sofrer...
Tenho resistência, resiliência, decência, e muitas vezes inocência... mas continuo com ela, a inocência, mesmo que ela me faça sofrer também...” amigos meus, reitero, me chamaram indiretamente de tantas coisas e sei que não sou. Tenho ideologia e respeito as demais, mas não me respeitaram... quem me conhece sabe de minha índole, forjada por mãos de ouro, as mãos de minha mãe e de meu pai... tanto ódio, tanta falta de “pensar um pouquinho”. Eu respeito as vontades, mas eu queria que todas as vontades fossem respeitadas. Só isso.


Tento escrever, me censuram.
Tento falar, me calam.
Tento ouvir, apanho.
Tento trabalhar, me boicotam, me perseguem.
Tento falar de liberdade de expressão, me apunhalam.
Tento erguer a bandeira da liberdade, me exilam.
Eu vejo o que passa mesmo quando me jogam areia nos olhos.
Hoje, sobre ontem, sobrevivo...


Quero um futuro democrático, quero um país para TODOS, quero LIVROS em punho, não armas, quero IGUALDADE, quero PAZ, quero LIBERDADE para rir ou para chorar.

Felicihaddad. 
Pela Democracia.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Rabisco 




Não quero inventar a felicidade, também não passa por minha cabeça escrever um manual de como se faz ou não se faz... tudo aqui, de repente, é tão rápido, é tão curto, é tão depressa... então não priorize os problemas, veja o que existe no coração e dê voz a ele... simples como bolinho de chuva recheado com banana e com àquele café da vó e uma musiquinha do Lupicínio e do Cartola lá no fundo... A poesia quando estala é franca, não estanca e ela grita... talvez a felicidade precise de estalos e beijos com gosto de tardes de sextas-feiras... o sol nascerá amanhã ... tenha certeza... confabule com a felicidade todo o dia... dentro de mim mora o que penso ser feliz e estou atrás disso... e todo dia entendo que o despertar é um riso intenso... sem nenhum ódio escondido...

sábado, 20 de outubro de 2018


Essas minhas linhas tão tortas...
Trens à deriva
Barcos sem trilhos
Mas há nisso tudo
Uma coerência impar
Sempre decidi com muito amor
Nem sempre foi a escolha foi a mais feliz
Mas entre o certo e o triz
Mora o tentar...
Que seria da vida sem o tentar...?
Que seria do amor sem o tentar...?
Decididamente esse mundo me cutuca
E o que seria da vida sem cutucos?
Entenda o que eu digo
O que falta na vida é simplicidade
O momento é de muita dor
Todos têm escolha
E o papel bolha
Tem som...
Não procure soluções no outro
Teu coração tem respostas que nem sabes...

segunda-feira, 15 de outubro de 2018



Breve

A vida não é lenta
Fecha-se os olhos
Trinta
De repente cinquenta

É preciso coragem
Para entender
Toda a paisagem
Toda a passagem

É preciso entendimento
Amor é alimento
É preciso entender as calmarias
E respeitar também as forças do vento

A vida, pois, é breve
E breve também é muito tempo
Aproveite cada momento
Como fosse uma lição, um ensinamento

(Vigiai tuas ações,
encoraje teus receios
por que na verdade
somos passageiros
e é preciso viajar sem medo)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018





Rabiscos

Hoje dia bem cansado... correria e tanto para esquecer... minha poesia dias assim é tão ferida... ainda bem que as palavras me abraçam... tenho um mar de sonhos, mas no quintal um rio represado... meu sentimento é cantado...dias assim.... o amor viaja longe... mas inteiro.. . Tento me aproveitar das janelas... sempre fui um bom passageiro... meus erros derramam poesia... a vida me dá o perdão por isso... uma coerência utópica é amante dos meus dias. Confuso assim e tão claro assim...

domingo, 23 de setembro de 2018




Crônicas de um mundo bem contemporâneo 

(dedicada à Marcia Carneiro, amicíssima de Quirina e de Dolores)


Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples
e se ajeita

sábado, 8 de setembro de 2018




Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso,
eu seja inocente...

domingo, 2 de setembro de 2018





Para Leminski III

A chuva bate na porta.
Assim, o náufrago aporta.

Para Leminski IV

O mar adormece num segundo.
No outro acorda o mundo.

Para Leminski e para Betty Blue

O corte que vem d’alma.
Foi tatuagem de um grande amor.
Cortar é um ato de libertação
A paixão é poda.


sábado, 1 de setembro de 2018





O amor
O amor deve fazer sorrir.
Arreganhar os dentes.
Dar gargalhadas.
Chorar de tanto rir.
O amor deve ser assim.
Um sorriso no rosto.
Um amor no coração.
E não venham me falar.
Que amor precisa de decoração.
O amor vive em si.
O amor é por si só.
O amor não quer dó.
O amor quer só ser.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Nem mesmo o mar poderá te dizer 
por onde andei naufragando

A frase – Ah...caí... (Haikai)]

Eu te amo. 
Nesta frase tão curta a palavra amor surta.



A saudade

Saudade é um canto quieto, emocionante, tocado, inquieto
Uma casa sem teto que não deixa o sereno cair
Uma calçada sem lado que beija o jardim

Uma estrela cadente que docemente nunca cai
Um imenso vazio repleto de tudo envolvido
Um tempo surgido por querer sempre querido
Que deixa no canto do quarto um eterno ai


A água que mata a sede também é a lágrima em outro momento
quem haverá de entender os rios apaixonados por correntezas?


segunda-feira, 27 de agosto de 2018


De surpresa
Vou me disfarçar de nunca mais para pegar o amor de surpresa...
Talvez assim ele apareça...


sexta-feira, 17 de agosto de 2018


e a vida passa
e a vida borda
e as lágrimas lavam as escadarias d´alma


No parque de diversão do destino
As gangorras estão cheias...

quarta-feira, 15 de agosto de 2018


Apertos

Que o simples vença o tão confuso.
Que seja importante me faltar um parafuso, para que eu possa enlouquecer em mim


Tudo tão rápido, tudo por um triz.
Faça mais amigos. 
Faça mais amor.
Priorize ser feliz.


sábado, 7 de julho de 2018

Luas

Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.
Alugaram uma quitinete.
Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.
Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.
Ah! Era quarta.
Beijaram-se muito, muito mesmo.
Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.
Juraram amor eterno.
Ele, vestiu seu único terno.
E foi tentar, tentar, tentar.
Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...

Invasão
                      
Nada me invade se não o que realmente me invade
estou farto de segundas intenções planejadas
e nas quartas-feiras janto as terceiras
as quartas, as quintas, as sextas intenções
de intenções já tenho uma semana cheia

sexta-feira, 29 de junho de 2018


O destino não dorme,
toma garrafas e garrafas de café 
e conversa noites inteiras 
reinventando o amor.
A linha

A felicidade é uma linha...
uma voz que corre a linha...
uma linha que é feita de nós... 
Uma nota musical alinhada com o querer...
a simplicidade é amiga da linha...
o tempo é parceiro da linha
e o amor é o tear...
Apertos

Que o simples vença o tão confuso. 
Que seja importante me faltar um parafuso, para que eu possa enlouquecer em mim

quarta-feira, 13 de junho de 2018


Um conto de sarda

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

Ilustração: A genial Carol Salles, gratidão Carol
Preciso

Todo o céu esconde uma chuva
E chuva cai para limpar o céu
E linhas erguem sonhadoras pandorgas
E dobras desenham barquinhos de papel

É preciso de água para lavar a alma
E não ter mágoa para limpar o cobertor
É preciso de coragem para manter a calma
E não ter medo para entender o amor

Toda a chuva esconde um céu
E o céu cai para limpar a chuva
E sonhadoras pandorgas sonham com linhas
E barquinhos de papel desenham dobras

A verdade não necessita de luvas


terça-feira, 12 de junho de 2018


Amor de tanto tempo e de tempos de tantos céus
Tormentas, dias do sol, chuvas de verão e mormaços
Livros de paciência, de paixão e de vontades
Amantes somos, amantes seremos e serenos, amantes ardentes
Namorada, mulher, parceira, guerreira
Meu homem em alguns momentos, pois sou sua mulher em outros
Sou o homem totalmente dela, e ela é minha mulher intensa
Aprendo tanto com ela,
Sou mar aberto, sou janela
O amor quando é amor é muito mais
Não é perfeito, mas é do nosso jeito
Amor de minha vida inteira
Ai minha paixão companheira
Sou feliz por te amar
E por que amor tem que fazer rir
Ah... vivo a gargalhar...
Nossos dias dos namorados são todos os nossos dias



quinta-feira, 7 de junho de 2018

O tempo é um senhor
muito distinto...
Às vezes tinto, chileno e seco.

Marcia Carneiro Edike Carneiro

quarta-feira, 6 de junho de 2018



Série: Brincar era um “barato”

Tacos

Dois pedaços de madeira
E duas latas de azeite
Uma bolinha careca
Era o nosso deleite
Corrida de cá e de lá
A defesa da casinha
A torcida a esperar uma vaga
E a bola no quintal da vizinha
Na praia ou no meio da rua
Todo canto era lugar
Vitória ao pegar a bola no ar
E até o cruzar dos tacos
muita história pra contar




Amarelinha

E no céu da minha infância
Pelo movimento de uma pedrinha
Um pulo já estava numa casa
Numa aquarela que era tão minha
Momentos de leveza e cor
Quando a felicidade fazia coro
Entre conquistas e queimadas
Também começavam namoros
Todas as cores dispostas no chão
Desenhavam a Amarelinha
E deixavam em nossos caminhos
A lembrança daquela pedrinha





Elástico

Um pedaço de elástico
Que enrolado nas pernas
Entre pulos e risadas
Criavam a atmosfera
Ao girar do corpo
Sem poder se emaranhar
Com atenção e destreza
Em cada movimento um cantar
Trançado com agilidade
Naquele mundo fantástico
Ao puxar cada lembrança
Nosso riso é um elástico