sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Declaração de amor rasgado

 

 

Rasgou minhas cartas,

rasgou minhas fotos,

rasgou meus livros,

e, por último,

rasgou as próprias roupas,

e fizemos amor na sala...

 

Origami

 

 

Dobraduras do tempo.

Harmonia.

Calma.

Concentração.

A vida é assim.

Dobras com cuidado.

Dobras com carinho.

Dobras com cautela.

Dobras com exatidão.

Dobraduras do tempo.

De repente a imagem, o fato, a construção.

Meu coração origami reinventa-se e “se” dobra.

 

 

Do tempo

 

 

O amor é um inferno no céu

Um inverno sem roupas quentes.

Um terno de linho sem noiva.

Luares de noites ardentes,

São mares com ondas constantes.

Nenhuma igual como a de antes.

E tão exato que é de repente,

Alguma coisa passante

 

 

 

 

 

Embarcações

 

         

Vislumbrava a cor daqueles olhos que a tanto não via.

E lia nas entrelinhas da noite escura uma claridade.

Olhos de dor, mas ao mesmo tempo de inundação de mar.

Provocações de bar e recados em guardanapos.

Saudade recém-chegada.

Saudade embarcada.

Saudade distraída.

Caída diante dos olhos sonhados.

Caída deliciosamente sobre o corpo.

Caída intencionalmente no colo querido.

Vislumbrava a cor daqueles olhos,

Para poder estar mais perto daqueles olhos tão amados.

Incendiados por uma solidão incontida.

Detalhada em sonhos que vivi acordado.

Vislumbro tua chegada todos os dias, todas as manhãs.

Quando da tua chegada descreverei realmente o que seja claridade.

E entenderás todo o tamanho das palavras que escrevo agora.

 

Essa chuva

 

 

Acende uma chuva aqui dentro

Vindo de um lustre com uma luz fraca

Uma dor conta pingos

Uma espera que o destino crava

Um “não sei lá” que responde tudo

Uma alma que não se lava

Um grito encharcado e mudo

Um querer quase absurdo

Vontade de te ver

Um amor que me faz ser

Tudo aquilo que eu sempre quis ser

E essa chuva que não passa

 

Guardar

 

  

Um terno de linho branco,

uma colcha de ternura,

um baile em noite clara,

uma lua no Campeche,

quem guarda não perde.

Frases soltas presas ao tempo

 

    

                                           

A confusão ardia

noites quentes

ventos de calmaria

mormaços de Joanas e Marias

bêbadas madrugadas sem fatias

tempo do presente não tão perfeito

olhares sem garantias

orações sem leitos

saudade tatuada em folhas de samambaias

 

 

 

Colcha de retalhos

 

 

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia

estão cobertos de rimas

estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão

juntei tecidos tantos por tantos anos

tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita

costurei uma colcha quente de lembranças

para acalmar meus invernos

 

 

Nós

 

Nós para atar

Nós atados

Nós sem par

Cegos por nós

Nós soltos

Despercebidos

Nós lidos                                                                              

Esquecidos

Nós para juntar

O inconcebível

Acredito

Em nós para sempre

 

 

 

Capitu

 

Quando conheci Capitu

capitulei

desenganei

 

a confiança é um conto

um Machado afiado

uma colcha de retalhos

com bainhas de linho            

 

quem nunca se sentiu Bentinho?

 

 

Luas

           

Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.

Alugaram uma quitinete.

Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.

Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.

Ah! Era quarta.

Beijaram-se muito, muito mesmo.

Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.

Juraram amor eterno.

Ele vestiu seu único terno.

E foi tentar, tentar, tentar.

Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...

 Cartografia

Engoliu a seco para lavar a alma... Naufragou, logo a seguir respirou e ao levantar a cabeça avistou novas terras... Acabei aprendendo com a cartografia o prazer de me perder, o prazer de desejar sempre a liberdade, seja qual forem os cursos d’água... Vou bem entre minhas loucuras e as fotografias amareladas que ainda guardo. Vejo o futuro com bons olhos e o amor parece que floresce, logo posso colhê-lo... quem saberá... Infinitamente eu me permito parar de vez em quando... Nesse momento, aí eu ando...

 

Desencontros

 

A Paciência era uma jovem educada senhora

Na mocidade se apaixonou loucamente por um jovem de nome Acaso

O tempo passou, passou a hora

E ela de tanto acenar cansou seu braço

 

 

 

Absolutamente

 

Tem dias que eu sou cantante.

N’outros o silêncio bate.

E na forma mais errante.

Beijo de mercúrio em quem me arde.

 

 

Águas

 

O céu prepara a lágrima.
Um guarda-chuva protege a alma e
línguas atropelam a fala.
Águas rompem calmarias, Marias e broas.
Água na boca de um céu de uma boca febril.
Numa taça de vinho um mundo todo.
Encharcar é o prazer da lágrima,
quando namora um lenço.






terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Preciso

 


Todo o céu esconde uma chuva

E chuva cai para limpar o céu

E linhas erguem sonhadoras pandorgas

E dobras desenham barquinhos de papel

 

É preciso de água para lavar a alma

E não ter mágoa para limpar o cobertor

É preciso de coragem para manter a calma

E não ter medo para entender o amor

 

Toda a chuva esconde um céu

E o céu cai para limpar a chuva

E sonhadoras pandorgas sonham com linhas

E barquinhos de papel desenham dobras

 

A verdade não necessita de luvas

Cafés

 

Caixinhas

 

Temos o medo guardado em caixinhas no quarto.

num quarto de hora,

num quarto de hotel,

num quarto de nunca mais,

num quarto de pão...

Temos o medo guardado em caixinhas no quarto...

 

Enganos

 

Mudou a cor do casaco para enganar o frio.

Colocou num copo toda a água suja do rio.

(embaixo do tapete mora um segredo que todo mundo sabe).

 

De pele

 

Enquanto eu era a seca, tu tentavas ser a dança da chuva.

 

Estio

 

Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...

Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.

É lá que os sonhadores matam a sede.

 

 

 Nossas ausências são ruas extensas de nossos silêncios,

rios caudalosos, mares revoltos que se acalmam com beijos.
Proximidade é a linha que costura o sentimento.
Compreensão, sutileza e leitura de momentos fazem parte deste coser...
É preciso surpreender a tristeza e não deixá-la tomar espaço.
É preciso um gole de luar, perfume de terra molhada, um riso no meio da tarde...
As ausências ardem...

 As emoções chorando

minha alma quase quarando
tal roupa no varal de casa
deixa o sol
deixa o sol
invadir minha asa

 

Nada agora pode causar surpresa

a não ser àquele velho menino

que entende que seu "carrinho de lomba"

o levará para qualquer lugar...


 Alimento

Minha boca
gosta do
gosto da
tua...
Em todos os sentidos
Em todos os gemidos
Minha boca
gosta do
gosto da
tua...
Em todos os lugares
Em todos os luares...
Minha boca
gosta do
gosto da
tua...

 Só para esclarecer

No meu coração cabem tantas coisas...
Luares, cantares, mares
Olhares solares
Bocas cantantes
Pessoa, Cecília, Quintanares
Só o que não cabe
É que me digam o tamanho dos meus sonhos
Isso é só meu

A linha



A felicidade é uma linha...
uma voz que corre a linha...
uma linha que é feita de nós...
Uma nota musical alinhada com o querer...
a simplicidade é amiga da linha...
o tempo é parceiro da linha
e o amor é o tear...



Minha ‘alma ensolarada toma sol, café,
come pão de poesia, bebe água e cantoria,
viaja entre broas e Marias.
Mantém nas palavras sua fé.

Leitura

Todo o desatino que compreende a minha paz e ansiedade
Percorre a simplicidade que alivia a dor
A vida ensina e nós teimamos em não aprender
Que ser é o caminho
E que olhar para o lado deve ser o olhar de todo dia
A felicidade, muitas vezes, é um livro não lido
Não dê ouvidos aos gritos de quem não quer ler
Mas, abrace e ensine a leitura de quem procura ser feliz

domingo, 10 de janeiro de 2021

 

Hão de vir

Há braços

Em laços

De presente

 

Pitangueir

 


Uma flor branca no pé

Pitangueira deu flor

Pitangueira me trouxe

Um cheirinho de amor

 

Sonho com teu fruto

Vermelho da cor paixão

Tuas flores me alertam

Do teu sabor tentação

 

Pitangueira é morena

Você sabe é você

Pitangueira é meu sonho

Mas teima em não me ver

 

Pitangueira florida

Mora numa praia do sul

Num Campeche encantado

Onde o mar é muito mais azul

 

Uma flor branca no pé

Pitangueira deu flor

Pitangueira me trouxe

Um cheirinho de amor

 

Uma dança de uma infância feliz

A saudade boa que não nos ilude

A conversa na calçada, a brincadeira na pracinha

E àquele mágico jogo com as bolinhas de gude

 

 

 

Cresci numa linda cidade chamada Torres e comia goiaba e outras tantas frutas no pé

Jogava taco em frente de casa e andava de carrinho de lomba final de tarde

Hoje vejo que todo mundo vê todo mundo pelo computador e celular

Queria tanto reencontrar o meu lugar

Mas Torres já não é mais a mesma, nem as goiabas, nem o jogo de taco, nem o carrinho de lomba

Restam sombras, sombras diferentes

Por que nem o sol é o mesmo

Precisamos resgatar o simples, senão não teremos histórias para contar

 

Cora Coralina adoro

teus meninos e tuas meninas

por que tuas poesias falam de pessoas

todas, qualquer uma, qualquer olhar ou sina

 

 

 

E eu ando assim meio de canto,

rabisco uma letra e danço

Ares eternos


Que tantos “morreres” cabem em mim
Pude assim conhecer todos os meus “ressuscitares”
Junto a eles meus “acordares” despertaram
Minhas manhãs
Meus “quereres”
E pude sentir o quanto sou forte
E quantos mares me habitam
Nenhuma morte calará minhas palavras
Nenhuma morte cessará o meu amor
Morte alguma há de fazer meus sentimentos ruírem
Que tantos “morreres” cabem em mim
E eu aqui Fênix e minhas cinzas a deixar recados nos muros
Para desespero dos que tentam minhas mortes
E morrem de medo de minhas poesias
Os “viveres” são versos, são asas

 

Mora um vento em mim...

que não me leve as reticências...

Tarde




Lá fora é tarde

Aqui dentro na sala

A vida arde

Desenho a tela

Com mertiolate

 

Cicatrizes contam histórias

Esparadrapos vestem as feridas

Quando tudo parece morrer

Aparece teu sorriso

 

O destino assopra

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Ah essa noite que vem e enrubesce

por fazer coisas escondidas vem e beija e disfarça

quando a gente olha

ela anoitece

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

 

Quando eu era guri, muito guri em Torres, descobri que o mar no quintal de casa era o mesmo mar do mundo inteiro.

A felicidade sempre mora perto. É preciso bater em sua porta e dizer “eu te quero". Coisas de mar.




segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

5.7

 

A vida não é lenta.

Fecha-se os olhos, trinta.

De repente, cinquenta, sessenta .

É preciso coragem para entender o tempo.

domingo, 27 de dezembro de 2020

O que fica

O que vale é o sorriso que ficou n`alma... Àquele que a gente lembra e sempre sorri de novo...

O que vale é àquele ombro amigo de todas as horas e fases...

Minha vida está feliz por ter tanta gente de bem que gosta de mim... 

As melancias se ajeitam no balanço da carroça, dizia minha avó Maria e ela estava certa demais...

 

Sentido



Que correria doida e doída é essa?

Uma loucura desenfreada para ter

E vem o vento e leva

E vem a água e leva

E vem um vírus e leva

E vem o tempo e leva

E vem a idade e leva

E vem a tristeza e leva

E vem a morte e leva

Abro meu Quintana e um seco chileno tinto, escuto Elis, faço carinho em minhas gatas, escrevo meus rabiscos, um cheiro de terra molhada toma conta da casa... um momento de gratidão e desejo de paz e harmonia... acredito mesmo que gentileza gera gentileza, e energia boa gera energia boa... Foi um ano muito difícil, como já fora 2019, mas continuo a acreditar nas mesmas coisas que acredito por décadas... Passei e passo a solucionar problemas, sempre me coloco na posição do outro e vejo que sou privilegiado. Gratidão é a palavra que me abraça agora.

Agradeço aos amigos fiéis, aos amores verdadeiros e aos beijos sem data e surpreendentes. Assim sigo, pois logo ali na esquina o acaso vem e leva e precisamos estar preparados. Estamos numa longa viagem e acredite a vida precisa de sentido e sentimentos. Fica meu abraço tatuado nos corações de quem me lê. É maravilhoso saber que minhas linhas fazem bem a tantas pessoas. Sinto-me realizado com isso. Que o ano novo nos traga liberdade, amor pleno e sabedoria.

 E acredite, o que nos queima por dentro precisa virar claridade.

 

 

 

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Guardar

      

Um terno de linho branco,

uma colcha de ternura,

um baile em noite clara,

uma lua no Campeche,

quem guarda não perde.

 

 

Frases soltas presas ao tempo i

 

 

A confusão ardia

noites quentes

ventos de calmaria

mormaços de Joanas e Marias

bêbadas madrugadas sem fatias

tempo do presente não tão perfeito

olhares sem garantias

orações sem leitos

saudade tatuada em folhas de samambaias

Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue

no exato momento em que me falta o ar

mesmo que minhas pernas se neguem

meu desejo me faz andar

 

Estanca de repente também meus ais

nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto

minhas dores aportam em meu cais

engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

 

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor

um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito

uma luta incessante da escuridão com a cor

como se houvesse pregos em toda cama que deito

Colcha de retalhos

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia

estão cobertos de rimas

estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão

juntei tecidos tantos por tantos anos

tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita

costurei uma colcha quente de lembranças

para acalmar meus invernos

 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

 

Vida bem maior.

Bem move gentilezas,

Rega esperanças, faz florir

Um furacão no meio da nossa sala,

Mas tenha certeza, bons ventos virão.

E a gente precisa tanto da gente,

Um dia a ficha cai, a semente brota,

Enquanto isso continuemos a assistir

“O Feitiço do Tempo” (Dia da Marmota).

 

 

 

 Silêncio

O relógio está quebrado. 

A carta não tem selo nem CEP. 

A mensagem bebeu a garrafa.