segunda-feira, 25 de julho de 2022

 Soneto da Falta


Meu pensamento deserto esqueça a água
Definha ao passo que namora de longe uma chuva
Engole à seco cada gota de tantas mágoas
Minhas mãos tremem, mas não permitem luvas

Frestas nas cortinas possibilitam um recado à lua
Escrito nas entrelinhas do que sinto em minh ‘alma
Sou àquela esquina que se perde em tua rua
Sou outrora àquele grito que mantinha minha calma

Tua falta ardente permeia minha fuga e destino
Tal a pandorga que se perde nos sonhos do menino
Pois até a esperança um dia cansa e tomba

A lâmina afiada das palavras corta como cerol
E em teus voos busco incansavelmente um farol

Que me traga a simplicidade de um carrinho de lomba

quarta-feira, 13 de julho de 2022

 


Eu tinha mais cabelos e menos peso
Eu tinha mais vontade e menos paciência
Eu tinha menos controle e mais audácia
Eu tinha mais sonhos e menos realidade
Mas o que tive e tenho foi verdade
Com mais ou menos intensidade
O que trago junto a minha certeza
É que sempre busquei a felicidade
E o leme é meu
Se não fiz tudo certo
Eu fiz de coração


segunda-feira, 11 de julho de 2022

 

VIAS DE FATO

Tuas palavras invadem meu silêncio e minha casa
Provocam meus gestos e desenham minhas poesias
Perco-me na estranha sensação de não estar no comando do barco

Julgo que perdi minha bússola, meu mapa e, minhas asas
O fato que teu sorriso é de fato minhas reais vias
E falar de amor sem falar teu nome faz o amor vago

Nossa história é história de final feliz e todo mundo sabe
Pois existe uma varanda esperando nosso beijo
O destino atiça, provoca e sempre nos coloca perto

E o sentimento por ser mais do que o tanto não cabe
No significado mais amplo do que seja querer e desejo
Um dia, eu sei, daremos bem certo

 

SECA

Que chuva tamanha que beija a seca,
A minha seca boca
Chuva que molha as roupas do passado
E dá febre
Uma febre tamanha que queima a seca,
A minha seca boca

Uma sensatez louca

A previsão é que a chuva tamanha não pare,

Então; que encharque

 

Um segredo de gaveta e de mar

Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas

Quadrinha “indecente” de saudade

A lua versa
A lua é prosa
A lua ao ler meus pensamentos
Goza...

sexta-feira, 8 de julho de 2022

 


O coração explode... 

um arrepio grita teu nome... 

a esquina foi tatuada com minha sede.... 

e tua ausência me dá fome...

 Um conto de sarda



Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

     Eu tenho muitas memórias que eu ainda não vivi...

Desejos e sonhos misturados num liquidificador que chamamos tempo.
São vidas nas entrelinhas... O futuro com goles de passado embrulhado para presente. Confuso o que poderei viver, fuso horário de um lugar que ainda não fui, sensação de que alguma coisa maior acontecerá e já está aqui. Memórias que lembro e desejo e que necessariamente ainda não aconteceram. Uma lamparina no meio da praia me atiça.

terça-feira, 31 de maio de 2022

 Navegação

O que faz todo o navegar
é uma boca cheia de mar

terça-feira, 29 de março de 2022

 Desejo


Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja
inocente...

sexta-feira, 11 de março de 2022

 

Amor não é palavra, é gesto.

Amor é alimento,

só palavra é vento.

segunda-feira, 7 de março de 2022

 


VIAS DE FATO

Tuas palavras invadem meu silêncio e minha casa
Provocam meus gestos e desenham minhas poesias
Perco-me na estranha sensação de não estar no comando do barco

Julgo que perdi minha bússola, meu mapa e, minhas asas
O fato que teu sorriso é de fato minhas reais vias
E falar de amor sem falar teu nome faz o amor vago

Nossa história é história de final feliz e todo mundo sabe
Pois existe uma varanda esperando nosso beijo
O destino atiça, provoca e sempre nos coloca perto

E o sentimento por ser mais do que o tanto não cabe
No significado mais amplo do que seja querer e desejo
Um dia, eu sei, daremos bem certo

 

Do tempo

O amor é um inferno
Um inverno sem roupas quentes
Um terno de linho sem noiva
Luares de noites ardentes
São mares com ondas constantes
Nenhuma igual como a de antes
E tão exato que é de repente
Alguma coisa passante

 


O amor e seus fusos-horários

A lua na sacada
Cai num copo de vinho
A noite é uma cilada
E também é um ninho
O significado de prender
Depende do estado de querer
Ou não querer estar sozinho

A felicidade é uma medida inexata
Entre o amor e a pessoa sonhada
Numa linha traçada sem data
De um calendário que move o coração
E vem um amor em hora errada
E transforma a pessoa amada
Numa chuva breve de verão

 



PERDA


Eu perco a hora, o ônibus, o caminho pensando em ti
Talvez encontre o amor enquanto te perco

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

 Eu rio muito contigo... 

Chego a ser mar...

 


Um segredo de gaveta e de mar

Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas

 


O acaso brinca de rima

Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas

Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas

Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

 



Marcas no rosto contam histórias.
Betty Blue, cafés e poesias...
Passa um filme em minha mente.