sexta-feira, 28 de julho de 2017




Saudade                                                                                              

Já se vão as luas
que demorei tanto para colher
e, com elas, vão-se as conchas
de mares que eu guardei

Já se vão as brumas
que levavam o meu barco
e, com elas, vão-se as colchas
de camas que eu pintei

Já se vão as cartas
que demorei tanto para escrever
e, com elas, vão-se as vidas

que eu vi e delas já não sei

quinta-feira, 20 de julho de 2017




Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso,
eu seja inocente...




sexta-feira, 14 de julho de 2017



A verdade vem em ondas 
como vem o mar... 
ela aparece 
e o tempo é seu barco

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Buscamos soluções em infernos
E no céu de nossa boca
Mora a palavra exata

domingo, 25 de junho de 2017

solidão
pode ser
escolha
de cada um

solidão
pode ser
não se ter
escolha

solidão
é uma palavra
onde o vento
beija a espuma

enquanto isso
sentimentos
andam de gangorra
num parquinho
da esquina

é a escolha é minha

terça-feira, 20 de junho de 2017


eu acredito que olhar nos olhos fala mais do que mil palavras
eu acredito em abraços sinceros e laços eternos
eu acredito em amigos que mesmo sem se ver são presentes
eu acredito em parceria, companheirismo e lealdade
e tenho certeza que a vida é muito simples
e que a felicidade deverá com amor ser mais simples ainda...

sábado, 17 de junho de 2017

Confusões

Olhares beiram mares
lágrimas confundem águas
mágoas inundam praias
a solidão navega às cegas
ignorando tantos luares
a hora é quase certa
o tempo é quase fuso
minha certeza naufraga
o exato é tão confuso
Espumas

Vejo a tristeza que se espelha.
Ao ver minh‘alma que parte.
Felicidade é um fogo de palha.
Que queima, que provoca, que arde.

Mora comigo um hiato que teima em provocar.
Um abraço de esquina que não se esquece.
Vez por outra vens feito onda de mar.
Quebra, insinua e desaparece.



quinta-feira, 15 de junho de 2017

O andar do tempo no decorrer do tempo... 
tudo ao seu tempo... 
Há...

sexta-feira, 2 de junho de 2017



A fogueira não tem eira nem beira e não arde... 
nem o punhal que deveria ferir faz alarde... 
tem dias que a dor vem da calmaria... 
as vezes o momento exato é tarde... 
é salutar comer no jantar, alquimia...

sexta-feira, 12 de maio de 2017



Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue
no exato momento em que me falta o ar
mesmo que minhas pernas se neguem
meu desejo me faz andar

Estanca de repente também meus ais
nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto
minhas dores aportam em meu cais
engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor
um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito
uma luta incessante da escuridão com a cor

como se houvesse pregos em toda cama que deito

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Absolutamente

Tem dias que eu sou cantante.
N’outros o silêncio bate.
E na forma mais errante.
Beijo de mercúrio em que me arde.



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Febre

Uma sensação sem cor me atravessa.
Embora não fale, não cala.
Invariavelmente estanca cada passo meu.
Um punhal ferindo a própria ferida.
Um jogo onde a dor supostamente venceu,
Sem que a existência se desse por vencida,
Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...
Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.

A vida é uma longa febre.

domingo, 7 de maio de 2017

Assim

Dedicado a Eder Martins, um homem de luta e meu irmão

Que desatino de vida, que maçaroca doida e doída, que vai assim, feito punhal, a desbravar o meu peito. Esse peso nas costas, essa luta para defender o que é de direito.
Que o amor seja a costura, chuleio de colchas que nos abrigarão de noites frias, um canto de tanto tempo a trilhar nossos momentos, essa luta de fazer o que precisa ser feito.
Procure o abraço antes do grito, procure o amigo antes do medo, entenda que como está esse mundo, só o mar do entendimento te fará navegar, essa luta para mostrar que as velas precisam de mar.


sábado, 6 de maio de 2017



A linha

A felicidade é uma linha...
uma voz que corre a linha...
uma linha que é feita de nós...
Uma nota musical alinhada com o querer...
a simplicidade é amiga da linha...
o tempo é parceiro da linha
e o amor é o tear...
Sonhos e corujas

Talvez no meio da madrugada
More uma coruja escondida
Que de tanto sonhar com o dia

Esqueceu-se da própria vida.


terça-feira, 25 de abril de 2017




Origami

Dobraduras do tempo.
Harmonia.
Calma.
Concentração.
A vida é assim.
Dobras com cuidado.
Dobras com carinho.
Dobras com cautela.
Dobras com exatidão.
Dobraduras do tempo.
De repente a imagem, o fato, a construção.

Meu coração origami reinventa-se e “se” dobra.

domingo, 23 de abril de 2017

"Acredito em pandorgas 
porque acredito nos ventos"

sábado, 22 de abril de 2017

U´a alma escancarada é um perigo
Eu não ligo
Sofro mais aqui e ali
Mas vivo
Coisas  (Toca Raul)

O que se quer de verdade não se pode perder
Por que perder é não acreditar mais
E o que não se acredita já passou

Nossos caminhos estão cheios de gangorras
Visões diferentes em cada posição
Acredito em pandorgas porque acredito nos ventos

Somos responsáveis pelos nossos gestos
Pelo movimento da rainha e do peão
Cheque mate precisa de muitas variações


(Enquanto isso querubins se apaixonam pelas moças de uma vida não tão fácil... e dá uma saudade do Raul... “Pedro aonde se vai eu também vai, mas tudo acaba onde começou”)