domingo, 18 de abril de 2021

 


Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.


Aprender é o primeiro verbo para se poder viver... 

para amar é preciso aprender... 

para ser é preciso aprender... 

para querer é preciso aprender... 

para entender o outro é preciso aprender... 

Aprender é um verbo coronário... 

as veias do aprender percorrem o corpo todo... 

o sorriso nasce assim, 

o beijo nasce assim, o orgasmo nasce assim, 

o prazer nasce assim, o amor nasce assim... 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Humanize seus gestos e palavras.

Quase ninguém está bem.

Boas energias devem ser espalhadas

e bem regadas se reproduzem.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

MAIA

Um sonho meu faz um ano, um anjo de luz que aportou em minha vida, feito um oceano e tomou conta e me faz sorrir todos os dias. Hoje um oceano nos separa, mas tenham certeza que nosso amor já florido e regado todos os dias nos deixa unidos e parceiros.

Maia, vô te ama mais do que o tanto, mais do que qualquer palavra possa dizer. Logo nos veremos, contarei tantas histórias pra ti, falarei de Quintana, Florbela, Machado, Cecília e Pessoa e tantos outros.
Teu avô escreve rabiscos e muita gente lê, isso é fantástico, neta minha, e quero falar disso contigo.
Moras além-mar, e o mar é também o quintal da casa, então podemos brincar em nossos sonhos, imaginar nossos passeios na praia... ESTOU BEM PERTINHO, quando olhares essas gaivotas portuguesas cruzando mares e rios lá estarei. Para quem possui asas o mundo é logo ali.
Beijos na mãe e no pai, tens muita sorte de tê-los, eles são fantásticos e pessoas de luz.
Um feliz aniversário... Vontade de te pegar no colo e rir contigo. Amor tem que fazer sorrir. A te olhar não paro de gargalhar.
Vô Dike
14.04.2021



segunda-feira, 12 de abril de 2021

 O amor é um menino levado

De repente está aqui, de repente está em Marte
Mas quando ele é verdadeiro
Ele é inteiro em qualquer parte
Ai sim, ele só faz arte

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Intensamente foi a forma que descobri para

desenhar palavras

Os interruptores d’alma são toques que aceleram
sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração o resto é
vento...

 



Sê sincero
Assim na fonte
não faltará água
Saiba compreender
tuas mágoas
Saiba que ver
é muito mais do que olhar
Todo o rio e mar
nescessita desaguar...
Navegar é um ato de reflexão
E quando nas velas bater o vento da verdade
começaremos a entender
o que é vida
o que é embarcação

sábado, 3 de abril de 2021

 Abril II

A linguagem da liberdade
tem uma boca faminta
que engole o mundo e as palavras
e guarda no coração milhões de tintas...
Uma aquarela de vidas,
uma festa profana e ao mesmo tempo tão distinta.
Enamorada pelo encontro
e apaixonada pela partida.
abriu o livro,
abriu a porta,
abriu o tinto seco,
abriu a carta
(Depois de um março com chuvas...abril...)

 O acaso brinca de rima

Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas
Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas
Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...

Lugar é um grande pássaro que adora viajar, em bandos,em bares, em mares...

 

A mudança começa em nós. 

É preciso desatar.

terça-feira, 23 de março de 2021

 As parceiras


Bebem noites, mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.
Viver sem elas seria cômodo demais.

segunda-feira, 15 de março de 2021

 Estio


Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.

 



Hay Kay sem métrica

Todo mundo tem escolha
A felicidade pode ser um estalo
Como quem dança num papel bolha

 


Nada agora pode causar surpresa
a não ser aquele velho menino
que entende que seu "carrinho de lomba"
o levará para qualquer lugar...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 Eu conheço esse olhar, nem te conto o conto que vejo

Atormentava meu corpo e alma quando não sabia dele

Deixei mensagens em garrafas e escritos em azulejos

As gaivotas eram minhas asas, meus caminhos e meu correio

Ah, encantadoramente eu a via sem vê-la

Pois sua imagem estava nos quadros, nas ruas, nas estrelas

Era um querer mais do que o tanto, mas a ausência ardia

Virava noites, escondia os dias, num calendário que só eu sabia

Nunca, de forma nenhuma, esqueci esse olhar

Ele me acompanhava, momentos de tristezas ou de alegrias

Lá estava ele a me provocar, um brincar de esconde-esconde

E tudo era tão difícil, tão longe

E um dia, num fim de tarde encantado, sem que eu esperasse

Esse olhar bateu em minha porta sem dizer nada

E senti que ele já me via

Poucas palavras ditas.

E num silêncio gritante, desses silêncios falantes

Os olhares se beijaram, a aparentar que jamais ficaram distantes

Ah, eu conheço esse olhar agora, depois, o mesmo olhar de antes

sábado, 6 de fevereiro de 2021

 


Até a página dois

Tudo pode

Tem um livro pela frente

Um pular páginas esquisito

Para não ler

O que deveria ser lido

Entender que ao chegar

Ao fim do livro

Se pode ler de novo

O amor são leituras, releituras

Abrir e fechar uma história

Depende das asas do leitor

E talvez nas notas de rodapé

Se esconde um grande amor

 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

... Em teu coração moram respostas que nem sabes

 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 A saudade

 

Saudade é um canto quieto, emocionante, tocado, inquieto
Uma casa sem teto que não deixa o sereno cair
Uma calçada sem lado que beija o jardim
Uma estrela cadente que docemente nunca cai
Um imenso vazio repleto de tudo envolvido
Um tempo surgido por querer sempre querido
Que deixa no canto do quarto um eterno ai

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Alimento

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Em todos os sentidos

Em todos os gemidos

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Em todos os lugares

Em todos os luares...

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Inspirações

 


Toda vez que me permitia

Recorrer ao que não sabia

Brilhava os olhos do acaso

Iluminando meus dias!

 

Manuel dava bandeira

Para uma musa Cecília

Toda vez que se permitia

Recorrer ao que não sabia!

 

Que seriam dos anjos de Augusto

E das pessoas de Fernando

Se todas as palavras da boca

Passassem no mundo voando?

 

Toda vez que me permitia

Recorrer ao que não sabia

Quintana conversava na varanda

Iluminando meus dias!

 

FEBRE

 

 

Uma sensação sem cor me atravessa.

Embora não fale, não cala.

Invariavelmente estanca cada passo meu.

Um punhal que fere a própria ferida.

Um jogo onde a dor supostamente venceu,

Sem que a existência se desse por vencida,

Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...

Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.

A vida é uma longa febre.

 

Um verso de pé quebrado


Um verso de pé quebrado deixa recados no gesso.
Ninguém passa nesse mundo,
falando de amor e saindo ileso...

Um verso de pé quebrado demora um pouco mais para chegar.
Mas rima luares com ondas e mares,
e canta como quem se encanta em cantar...

Benção de mar, águas da poesia, 

que o Criador nos proteja, 

nos dê amor, 

esperança e harmonia. 

Sigamos em frente.

sábado, 30 de janeiro de 2021

 

Fomes                                                                                                 

 

Era inevitável a queda

frente ao vazio que se fazia

era café sem bolacha, sem fatia

era fome o que o coração mostrava e dizia

 

Era inevitável o pranto

frente ao exposto

era lição sem cartilha

era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

 

Era inevitável o fim

frente ao penúltimo capítulo que se escrevia

era final feliz sem nenhum par

era romance sem nenhuma poesia

 

A fome comia...

 

 

Um Conto de Sarda


Uma menina com sarda

Brincava atrás da cortina

Desenhava uma fada

A solitária menina

 

Queria que a fada

Num toque de sua varinha

Retirasse do seu rosto a sarda

E ela detrás da cortina

 

A fada não entendendo nada

E achando tão bela a menina

Num toque doce de fada

Desapareceu com a cortina...

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Da flor da pele


 

A flor da pele

Rosa não deve ser.

Minh ’alma eu mesmo lavo.

A rosa não brigou comigo.

Aliás... eu nem sou o tal cravo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

 Espumas

                                                                                                             

Vejo a tristeza que se espelha.

Ao ver minh‘alma que parte.

Felicidade é um fogo de palha.

Que queima, que provoca, que arde.

 

Mora comigo um hiato que teima em querer provocar.

Um abraço de esquina que não se esquece.

Vez por outra vens feito onda de mar.

Quebra, insinua e desaparece. 

 

 

 

 

Seca

 

Que chuva tamanha que beija a seca,

A minha seca boca.

Chuva que molha as roupas do passado

E dá febre.

Uma febre tamanha que queima a seca,

A minha seca boca.

Uma sensatez louca.

A previsão é que a chuva tamanha não pare,

Então, que encharque.

 


 

Guardar


Um terno de linho branco,

uma colcha de ternura,

um baile em noite clara,

uma lua no Campeche,

quem guarda não perde.

 

 

Frases soltas presas ao tempo

 

A confusão ardia

noites quentes

ventos de calmaria

mormaços de Joanas e Marias

bêbadas madrugadas sem fatias

tempo do presente não tão perfeito

olhares sem garantias

orações sem leitos

saudade tatuada em folhas de samambaias

 

 

                                         

 

 Versos portugueses

 

É meu cansaço que me ergue

no exato momento em que me falta o ar

mesmo que minhas pernas se neguem

meu desejo me faz andar

 

Estanca de repente também meus ais

nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto

minhas dores aportam em meu cais

engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

 

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor

um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito

uma luta incessante da escuridão com a cor

como se houvesse pregos em toda cama que deito

 

 

 

 

 

 

 

Colcha de retalhos  

 

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia

estão cobertos de rimas

estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão

juntei tecidos tantos por tantos anos

tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita

costurei uma colcha quente de lembranças

para acalmar meus invernos

 


 

Morde, assopra e cura      

 

Amo sempre como nunca.

Ainda é cedo para amar tarde.

Paixão é mercúrio.

Amor é merthiolate.

 

 

 

 

Nós

 


Nós para atar

Nós atados

Nós sem par

Cegos por nós

Nós soltos

Despercebidos

Nós lidos    

Esquecidos

Nós para juntar

O inconcebível

Acredito

Em nós para sempre

 

 

 

Chás  

                                                                                             

De camomila

de cidreira

de laranjeira

de cadeira

de sumiço

de lareira

eu quero chá

 

Chá com bolinhos de chuva

chuva para molhar a alma

alma para ser do corpo a luva

luva para aquecer a calma

 

As parceiras

 

Bebem noites, mas adoram café da manhã...

Mastigam palavras poeticamente,

e cinicamente arrotam desaforos...

Conversam com anjos.

Passam os finais de semana no inferno.

Compram tapetes na feira livre.

Adoram tapetes voadores e persas...

Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.

Possuem palavras doces,

que transformam em cicatrizes outras palavras...

Mudam a sala a toda hora.

Fazem as malas a todo instante.

Adoram samambaias e cult movies.

São contraditórias,

mas nós amamos suas histórias...

E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

 

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.

São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,

pouco de preencher tudo)

 

São assim as parceiras,

que muitas vezes nem primeiras são...

As parceiras são pele e flor.

Viver sem elas seria cômodo demais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Nas margens do teu rio eu mergulho sem medo. 

Neste momento não tenho frio, 

não tenho dúvida, não tenho segredo

 

Já virei a página sem ter entendido o livro. 

(Meu amigo, amor não é adivinhação)...

 

 

 

O coração explode... 

um arrepio grita teu nome... 

a esquina foi tatuada com minha sede.... 

e tua ausência me dá fome...

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Capitu


Quando conheci Capitu

capitulei

desenganei

 

a confiança é um conto

um Machado afiado

uma colcha de retalhos

com bainhas de linho            

 

quem nunca se sentiu Bentinho?

Luas

 

           

Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.

Alugaram uma quitinete.

Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.

Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.

Ah! Era quarta.

Beijaram-se muito, muito mesmo.

Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.

Juraram amor eterno.

Ele vestiu seu único terno.

E foi tentar, tentar, tentar.

Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...




segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

 Receita

Rosa Santos com Pitadas de Edike Carneiro
A vida meio que é um tempero
Pitadas de páprica e cúrcuma
A vida apimentada e de cheiro bom.
Crua, sacia e tão bem faz.
Antepasto de berinjela, sabor aquarela
Amassada com cebola roxa e alho.
Cortada em fatias e tiras finas, sal marinho;
Um terno de linho para a refeição.
Azeitonas verdes e uvas passas.
Num frio de geladeira,
De um dia para outro muda tudo.
Três folhinhas verdes de manjericão em leque,
Sobre o antepasto na fatia de pão francês,
Nem conte até três...
Coloque num prato branco,
antepasto úmido e com azeite de oliva,
refeição feito uma diva no palco,
O pão e aos poucos outros alimentos se vão e virão outros coloridos, cheirosos e vivos.
Pitadas do tamanho de mares de amor,
Sabor que vem de Rosa,
Jardim de verdes,
Alimentos de poetas, sonhadores e canteiros,
Onde Rosa vive
A imagem pode conter: comida