segunda-feira, 12 de abril de 2021

 O amor é um menino levado

De repente está aqui, de repente está em Marte
Mas quando ele é verdadeiro
Ele é inteiro em qualquer parte
Ai sim, ele só faz arte

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Intensamente foi a forma que descobri para

desenhar palavras

Os interruptores d’alma são toques que aceleram
o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração o resto é
vento...

 



Sê sincero
Assim na fonte
não faltará água
Saiba compreender
tuas mágoas
Saiba que ver
é muito mais do que olhar
Todo o rio e mar
nescessita desaguar...
Navegar é um ato de reflexão
E quando nas velas bater o vento da verdade
começaremos a entender
o que é vida
o que é embarcação

sábado, 3 de abril de 2021

 Abril II

A linguagem da liberdade
tem uma boca faminta
que engole o mundo e as palavras
e guarda no coração milhões de tintas...
Uma aquarela de vidas,
uma festa profana e ao mesmo tempo tão distinta.
Enamorada pelo encontro
e apaixonada pela partida.
abriu o livro,
abriu a porta,
abriu o tinto seco,
abriu a carta
(Depois de um março com chuvas...abril...)

 O acaso brinca de rima

Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas
Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas
Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...

Lugar é um grande pássaro que adora viajar, em bandos,em bares, em mares...

 

A mudança começa em nós. 

É preciso desatar.

terça-feira, 23 de março de 2021

 As parceiras


Bebem noites, mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.
Viver sem elas seria cômodo demais.

segunda-feira, 15 de março de 2021

 Estio


Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.

 



Hay Kay sem métrica

Todo mundo tem escolha
A felicidade pode ser um estalo
Como quem dança num papel bolha

 


Nada agora pode causar surpresa
a não ser aquele velho menino
que entende que seu "carrinho de lomba"
o levará para qualquer lugar...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

 Eu conheço esse olhar, nem te conto o conto que vejo

Atormentava meu corpo e alma quando não sabia dele

Deixei mensagens em garrafas e escritos em azulejos

As gaivotas eram minhas asas, meus caminhos e meu correio

Ah, encantadoramente eu a via sem vê-la

Pois sua imagem estava nos quadros, nas ruas, nas estrelas

Era um querer mais do que o tanto, mas a ausência ardia

Virava noites, escondia os dias, num calendário que só eu sabia

Nunca, de forma nenhuma, esqueci esse olhar

Ele me acompanhava, momentos de tristezas ou de alegrias

Lá estava ele a me provocar, um brincar de esconde-esconde

E tudo era tão difícil, tão longe

E um dia, num fim de tarde encantado, sem que eu esperasse

Esse olhar bateu em minha porta sem dizer nada

E senti que ele já me via

Poucas palavras ditas.

E num silêncio gritante, desses silêncios falantes

Os olhares se beijaram, a aparentar que jamais ficaram distantes

Ah, eu conheço esse olhar agora, depois, o mesmo olhar de antes

sábado, 6 de fevereiro de 2021

 


Até a página dois

Tudo pode

Tem um livro pela frente

Um pular páginas esquisito

Para não ler

O que deveria ser lido

Entender que ao chegar

Ao fim do livro

Se pode ler de novo

O amor são leituras, releituras

Abrir e fechar uma história

Depende das asas do leitor

E talvez nas notas de rodapé

Se esconde um grande amor

 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

... Em teu coração moram respostas que nem sabes

 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

 A saudade

 

Saudade é um canto quieto, emocionante, tocado, inquieto
Uma casa sem teto que não deixa o sereno cair
Uma calçada sem lado que beija o jardim
Uma estrela cadente que docemente nunca cai
Um imenso vazio repleto de tudo envolvido
Um tempo surgido por querer sempre querido
Que deixa no canto do quarto um eterno ai

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Alimento

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Em todos os sentidos

Em todos os gemidos

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Em todos os lugares

Em todos os luares...

 

Minha boca

gosta do

gosto da

tua...

 

Inspirações

 


Toda vez que me permitia

Recorrer ao que não sabia

Brilhava os olhos do acaso

Iluminando meus dias!

 

Manuel dava bandeira

Para uma musa Cecília

Toda vez que se permitia

Recorrer ao que não sabia!

 

Que seriam dos anjos de Augusto

E das pessoas de Fernando

Se todas as palavras da boca

Passassem no mundo voando?

 

Toda vez que me permitia

Recorrer ao que não sabia

Quintana conversava na varanda

Iluminando meus dias!

 

FEBRE

 

 

Uma sensação sem cor me atravessa.

Embora não fale, não cala.

Invariavelmente estanca cada passo meu.

Um punhal que fere a própria ferida.

Um jogo onde a dor supostamente venceu,

Sem que a existência se desse por vencida,

Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...

Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.

A vida é uma longa febre.

 

Um verso de pé quebrado


Um verso de pé quebrado deixa recados no gesso.
Ninguém passa nesse mundo,
falando de amor e saindo ileso...

Um verso de pé quebrado demora um pouco mais para chegar.
Mas rima luares com ondas e mares,
e canta como quem se encanta em cantar...

Benção de mar, águas da poesia, 

que o Criador nos proteja, 

nos dê amor, 

esperança e harmonia. 

Sigamos em frente.