A minha chuva
Existe
uma chuva de toda uma vida que me abraça a todo o momento
Às
vezes, um tormento n’outras uma tormenta
Às
vezes, me assenta n’outras deixa um vento
Chega
de repente como fosse lágrima
Chega
de repente com quem só quer lavar a alma e a escada
Vem
disfarçada quando beija o mar
E
de vez parece café só para me despertar
Quantas
vezes de tão braba leva tudo
E mostra
que ao mesmo tempo que leva ensina o deixar
Quantas
vezes por compaixão deixa nada
E mostra
que o tudo mora no coração e no tentar
Às
vezes, tem como casa um lenço
N’outras
do lenço faz uma vela que ilumina e navega
Às
vezes, escondida atrás de um céu fechado somente brada
N’outras
vem encantada acompanhada de um arco-íris
N’outras
vem sozinha e não conta se vem tarde ou cedo
A
chuva é meu segredo que eu conto quando tenho medo
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