sexta-feira, 20 de março de 2015

...
Nada é exato.
O resto da vida pode ser o próximo minuto ou os próximos cem anos...

...
Augusto não era tão anjo assim . Não entendo até hoje seu plural.

...
e um vampiro apaixonado,
dá de presente um cachecol...

...
Quem ama não data.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Outono da minha face

Quem olha agora a minha face
Não imagina a cor que nela havia.
Estou outono.
Folhas secas.
Metade vinho tinto.
Metade abandono.
Sou hora do plantio em época de estio.
Quem olha agora minha face
Beira a flor da pele e o arrepio.
Estou outono,
Esperando, sem mangas, o frio...

Quando se vai

Dói por dentro. Dilacera.
Pá de cal. Pé de guerra.
Punhal no peito. Alma calada.
Sono sem leito. Beijo sem jeito.
Abraço de cilada. Amor quase perfeito.
Oração subjetiva. A procura do sujeito.
A procura da própria vida. Objeto num olhar direto.

Dói por dentro. Toda e qualquer despedida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Ai meus medos tão pequenos
Diante do esperançoso março
Que lavará minh ‘alma
Devaneios inteiros a tomar conta
De inquietantes noites
De bêbados cafés
De suaves serenatas

Entendo assim que é a hora do transformar
Do viver e sentir intensamente
Tudo o que vive aqui dentro a explodir

E poucas pessoas saberão o que realmente sentimos
Pois são poucas as pessoas que realmente sentimos

Ai meus medos tão pequenos
Por favor, se aquietem
Meu sorriso farto avisa
que num piscar de olhos apareço
“eles são muitos, mas não sabem voar”

Escuto esta música desde guri e desde guri acredito
que nada como um dia depois do outro...


(Como ter medo quando se tem no coração um amor do tamanho do meu...)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Esse Olhar

Ai esse olhar
Que tu sempre pega
Olhar de esfrega
De calor, de paixão
Olhar que come
Que fome
Ai esse olhar 
Que me entrega

A tecelã

Tem uma fada na noite
Que tece mantas para os dias frios
Cachecóis de linhas tênues
Boas casas, qualificados fios
Bordados de amor latente
Frisos finos e corações enormes
Beijos de mares, namoros de rios
Enquanto depois de tanto trabalho
A fada sonha e desperta a cor do tanto
Os sonhos da fada colorem
Todos os sonhos que dormem
Num mágico e doce encanto
Que nossos corpos tais encantadas conchas
A cozer as tais apaixonadas linhas
Eternizem almas, cochilem de conchinhas
Aquecidas pelo amor, eterno manto

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

De repente Quirina volta

Tinha que ser no dia dois de fevereiro, cara Quirina...
Pé na areia, beira de praia, sei lá, sei lá... Doce Quirina...
Nasci protegido por Nossa Senhora dos Navegantes e por Iemenjá...
Nasci beira do mar... nasci protegido por todos os cantos
Então, não serão almas tão pobres que me afastarão do meu querer...

Quirina olha-me com um olhar impreciso...
Abre um soneto de Florbela...
E me diz quase a gritar... que feliz é a tua vida


Ai, meu poeta, me serve uma dose daquela tequila esquecida
Frases sem nexo entrelaçadas numa poesia só

Entendamos que amor tem tudo a ver com sorrisos mesmo na hora do pranto
Na hora do desespero chamam-se todos os santos
E vou te contar é melhor poucos e fiéis amigos do que tantos

Entendamos que amor tem a ver com vontade, olhar tarado e fidelidade
No momento exato do luar morre o sol em alguma cidade
Quem procura vela a olhar a mulher amada não sabe o que seja claridade






O andar carregado de luas e ruas sem fim fins a respeitar os meios
Fios de pandorgas entrelaçadas nos varais da saudade
Tal o jogo de taco na ladeira de barro na minha cidade

A vida passa enrolada, um desenrolar do teórico após
e a gente no fim das contas é um grande enleio
no misterioso destino de procurar o tal algoz

Talvez, caros amigos, ele não exista
Talvez o algoz sejamos “nós”
O riso é fundamental...
Esqueçamos das listas e vivamos na paz




domingo, 25 de janeiro de 2015

Valorar quem te faz sorrir

Ventar até perder o ar

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

À Márcia


Não cabe em mim tudo o que sinto
Não diz tudo o resultado final dessa conta
Não vê tudo o exato e sua poderosa sonda
Faltam tamanhos para explicar o tanto


Não cabe no que diz incomensurável
O todo que mora aqui dentro
Nem é possível determinar a intensidade

Que provoca a felicidade que explode em mim

Até a compreensão precisa e intensa tem seus limites
A tua presença no mundo me basta para não ser triste
O que chamam de tudo é apenas uma parte do que cabe em mim

Que tamanho mais do que o imenso terá este amor que sinto por ti?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quero o riso daquele sonhado riso mais sincero
Daquele que o amor se faz encantadoramente eterno

Gargalhadas por que o amor merece
Cobertores que a linha do querer tece

E que nos cobre do sentimento mais nobre que existe

Amor não quer dizer que tudo se faz alegre
Mas, amor quer dizer que com ele o triste não é tão triste

Entendemos, pois que ao querermos o tanto
É preciso beijar a imensidão

Valorar quem te faz sorrir
Ventar até perder o ar

Fazer a fala decorar a cor da cor do texto do coração
QUANTO A EXATIDÃO DESCOBRE QUE A SURPRESA É FUNDAMENTAL

Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos dos beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade
São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado
No meio da noite

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PRECISO


Todo o céu esconde uma chuva
E chuva cai para limpar o céu
E linhas erguem sonhadoras pandorgas
E dobras desenham barquinhos de papel

É preciso de água para lavar a alma
E não ter mágoa para limpar o cobertor
É preciso de coragem para manter a calma
E não ter medo para entender o amor

Toda a chuva esconde um céu
E o céu cai para limpar a chuva
E sonhadoras pandorgas sonham com linhas
E barquinhos de papel desenham dobras


A verdade não necessita de luvas

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Aos quinze anos (Como da vez primeira)


Minha pele faz-se papel
Pergaminhos de poesias à flor dela
Arrepios ao ouvir teu nome
Meus poros feitos sonetos de Florbela


Meu encantamento percorreu tantos anos
Mantido intacto, mantido sereno
Muitas vezes disfarçado de abandono
N´outras esperançoso por um aceno


É este amor que eu canto agora
Amor maior de uma vida inteira
Que incendeia, colore, cora
Como da vez primeira


Não é por acaso que teu nome tem mar
Pois naveguei sem cansar, pois vivi sem desistir
Minhas velas seguiam por sentir teu ar

Lembrar de ti era uma forma de existir

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nossas ausências são ruas extensas de nossos silêncios,
rios caudalosos, mares revoltos que se acalmam com beijos.
Proximidade é a linha que costura o sentimento.
Compreensão, sutileza e leitura de momentos fazem parte deste coser...

É preciso surpreender a tristeza e não deixá-la tomar espaço.
É preciso um gole de luar, perfume de terra molhada, um riso no meio da tarde...

As ausências ardem...


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O SEMPRE

Sempre era o caminho sonhado
Mas o talvez, que era um menino malvado
Brincava de querer ser o nunca mais

Sempre tinha tanta confiança
Que desde quando era tão criança
Não conversava com o jamais

Por querer o querer sempre e tanto
O Sempre cresceu sincero
E no esmero da mãe felicidade
O Sempre por ser canto e mais

Ainda tornou-se eterno
Vou te beber inteira.. gomo por gomo... gota por gota... 

limão, bergamota, laranja... 

sumo do suco que alimenta, agiganta... 

entendes, sei que entendes, minha sede..


Febre

Uma sensação sem cor me atravessa.
Embora não fale, não cala.
Invariavelmente estanca cada passo meu.
Um punhal ferindo a própria ferida.
Um jogo onde a dor supostamente venceu,
Sem que a existência se desse por vencida,
Ficando exposto aquilo que o poeta ainda não escreveu...
Assim fica entendido o mágico encanto dessa vida.
A vida é uma longa febre.


Um verso de pé quebrado

Um verso de pé quebrado deixa recados no gesso.
Ninguém passa nesse mundo,
falando de amor e saindo ileso...

Um verso de pé quebrado demora um pouco mais para chegar.
Mas rima luares com ondas e mares,
e canta como quem se encanta em cantar...