sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sempre  

sempre é uma chuva que não cai sempre
molha aos poucos e desaparece sem aviso
sempre é um caminho que não está no mapa
e anda aos poucos e desaparece na estrada
sempre é um menino de nome acaso
que beija sempre a menina de nome talvez



CENAS DO COTIDIANO
Bergamotas

Tempo nublado, sem chuva, mas choroso. As linhas do quando lavam almas, desenham nuvens e encantadoramente rasgam comentários embalados com a previsão do tempo. Enfim, detrás da nuvem um sol e uma lua beijam-se.
Vi uma cena linda, ontem, no centro de Floripa, perto do Terminal, quase na Conselheiro Mafra. Um menino de uns dez, onze anos no máximo vendia bergamotas. Simpático, atento e envolvente. Ele chamava os fregueses assim: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.
Era isso ou quase isso, o importante é o conceito, diriam meus colegas publicitários. Vendia muito o guri. E além de vender passava alegria a quem ali passava. Eis que surge uma senhora, humilde, roupas velhas, mas bem vestida, entendes isso, leitor? Claro que sim. Ela aproximou-se do vendedor de bergamotas e perguntou: “É doce essa bergamota?”. Ela não tinha dinheiro, era visível isso.
O guri com olhos de bondade e gestos harmônicos, entre o sorriso e a compaixão, olhou bem nos olhos da senhora e respondeu: “Prove”. Ela, já com os olhos marejados, falou baixinho: “Eu não tenho dinheiro”. Ele fez que não escutou. Ela descascou a fruta. Ele continuava a vender as bergamotas.
Ela comprovou toda a doçura da fruta e do momento. Ele colocou mais quatro bergamotas num saquinho e deu nas mãos dela. Ela sorriu e saiu “devagarzinho” com um sorriso que encobria todo o seu rosto. Ele sorria ainda mais.
E continuou a vender as bergamotas: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.
É preciso olhar a vida com olhos doces. Quem viu a cena que eu vi, com toda a certeza do mundo ganhou o dia e aprendeu muito com àquele guri.
“Olha a bergamota” – mas olhe de verdade.
É minh’alma que diz,
É minh’alma que num silêncio te desenha,
É minh’alma que navega em tuas águas,
São tão nossos, nossos momentos...
Em teus braços sou tão feliz,
Em meu coração a todo instante soa “venha”,
Longe de ti o tempo é triste, a lua é lágrima,
Uma febre, um calafrio, um suor, um batimento...
A falta grita tendo a sacada como moldura,
Uma tela que espera ser desenhada,
O paraíso agora começa a ser explicado,
Quando ouço teus passos a subir as escadas...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Dizeres

O amor deve regar à flor da pele
Por que o que arrepia, cutuca, aproxima
É uma cachaça, uma ambrosia
Um sentimento que dá gosto, alegria
Que provoca o querer, alquimia
Que remexe, bole, mistura

Que dói, que deixa a face rubra, que cura

terça-feira, 26 de maio de 2015

Declaração rasgada sem tradutor e sem vícios de linguagem  

Falamos a mesma língua...

Beijaria a tua eternamente...

sábado, 16 de maio de 2015

O amor sempre foi e sempre será meu alimento... um vento bom que se instala e move velas e corações... acredito que os homens um dia deixarão de apenas ver e comecem a enxergar... acredito na minha coerência e no que perco materialmente por ser assim... mas estou bem tranquilo... de cabeça erguida e de alma livre... talvez um dia eu seja melhor compreendido e minhas linhas sejam realmente interpretadas... talvez o que quero seja utopia, mas vou lutar sempre...

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Só para esclarecer

No meu coração cabem tantas coisas...
Luares, cantares, mares
Olhares solares
Bocas cantantes
Pessoa, Cecília, Quintanares
Só o que na cabe
Só o que a mim não cabe
É que me digam o tamanho dos meus sonhos
Isso é só meu

Grato aos meus “amigos“ que entendem que manhãs chuvosas são preciosas, pois fazem crescer sonhos e rosas e novas manhãs.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

As linhas que beiram os cobertores 

sabem e já moraram no frio

por isso cosem com atenção

atentam bem aos pontos

julgam ser alma tudo que seja coração

nas noites de muito frio

o que vale mais é a lembrança do feitio

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Acordes e outras canções

Passo o dia, 
canso o pé, 
minha poesia 
em goles de café
Acordes, menina dos olhos, 
pois ao teu lado sempre estou, 
traz agulha, renda e linha,
pra costurar o que rasgou
Quanto a exatidão descobre que a surpresa é fundamental


Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos dos beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade

São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado

terça-feira, 28 de abril de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Saudalejar

Seu nome saudade
Menina de seios rijos
Pouco ou nada de juízo
Cheiro de leite
Sabor de flor
Seu nome amor
Menino de dentes livres
Brancos que um dia eu tive
Cor de mar
Imensidão de grão
Seu nome paixão
Mulher de lábios fatais
Afã de talvez, clã de jamais
Música de cor
Verbo “saudalejar”
Conversas

Ainda assim, acredito em minha varanda, em minha rede, em minha poesia... acredito que tudo é simples demais e complicamos tudo. Ainda assim, acredito em andar de mãos dadas, em dormir de conchinha e outras posições de encaixes. Ainda assim, sigo a buscar, a "me" perder, a "me" encontrar e, tenham certeza que o tempo passa rápido
demais e precisamos aproveitá-lo com muito amor, em todos os sentidos. Ainda assim, continuo a passear na praia, a escutar as gaivotas e a todo o momento resgatar o menino que mora dentro de mim. Às vezes me pergunto se estou no mundo certo. A resposta vem rápida: com certeza, não.
Absolutamente


Tem dias que eu sou cantante.

N’outros o silêncio bate.

E na forma mais errante.

Beijo de mercúrio em que me arde.
Cartografia

Engoliu a seco para lavar a alma... Naufragou, logo a seguir respirou e ao levantar a cabeça avistou novas terras... Acabei aprendendo com a cartografia o prazer de me perder, o prazer de desejar sempre a liberdade, seja qual forem os cursos d’água... Vou bem entre minhas loucuras e as fotografias amareladas que ainda guardo. Vejo o futuro com bons olhos e o amor parece que floresce, logo posso colhê-lo... quem saberá... Infinitamente eu me permito parar de vez em quando... Nesse momento, aí eu ando...
Verbos apaixonados

O que era visto de repente vem e alucina
Mexe, complica, mistura, confunde, liquidifica, intriga, faz rolo, disfarça, chama briga, aumenta, apaixona, diz que fica, depois não liga
O que já era visto de repente transforma e incendeia
Toma forma, encanta, modifica, duplica, espalha, reinventa, faz colo, diz que vai, depois codifica
Vontade


Pela maçã do teu rosto


eu esqueceria qualquer paraíso

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O SONHO QUE EU NÃO TE CONTEI

Sonhei com teu corpo,
pois meu coração diz que ele é meu porto.
Navego em sonhos de asas...
Mesmo na distância vejo nos dois,
como fossemos uma única casa.
Busquei lá de dentro meu sorriso.
Um resgate que é só teu.
Tenho na boca o gosto da liberdade,
que me faz viajar a cada beijo sonhado,
de um desejo que nunca morreu.

Nos meus sonhos, fazemos amor pelas varandas,
recitamos Quintana pelas manhãs,
 viajo sem tempo pelos teus lábios.
Pecamos muito além de qualquer maçã.
Estamos longe mas estamos tão perto.
O tempo  ensinou a sermos imãs.
Com tua companhia deixei de ser deserto,
plantei na pele a mais bela flor,
planejo um rapto sem deixar pistas.
Quero pintar meu mundo com a tua cor.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Vontade

Pela maçã do teu rosto
eu esqueceria qualquer paraíso
Ainda sobre o "longe"

Presença é muito mais do que corpos juntos
Presença é sentimento, comprometimento, clareza, harmonia
Presença é confiar, compreender,
me sinto iluminado pela distância
pois ela me diz que é tudo verdade
estou perto...

terça-feira, 31 de março de 2015

Acontece

Ao que parece
o entendimento
Deu lugar ao
O que parece
E o que se lê
Muitas vezes
Não é o que
Acontece
Linhas inteiras
Para coser o dia
E assim anoitece

A vida vem
Em rolos
O gato destino
Desafia o novelo
De lã
E a felicidade assim
Amanhece

A bem da verdade
Um beijo sincero
Faz o trabalho
De um tear inteiro

E a colcha paixão
Assim aparece


Cabe-me
Enquadrar
O inteiro
Ao torto
Devaneio
Que explode
O meio

Eu discuto
Com meus grilos
Conto carneiros
Solto os bichos
Faço terapia
Com meus bodes

Não sou
Muito além
Dos meus bichos
Mas quem poderá
Medir o além?

Não sou
Muito além
Dos meus gritos
Mas quem poderá
Medir gritos?

As gaivotas me fascinam
Mas aprendo muito com os sapos...

Que engulo...

segunda-feira, 23 de março de 2015

Amor em todo lugar... por ai afora... amor para sorrir... 

sempre, aqui, acolá, agora...

"Há mor",,, então flora...

sábado, 21 de março de 2015

Passa uma chuva lá fora
Um barquinho de papel navega aqui dentro
Um dia se encontrarão em cartas antigas,
Nas leis da cartografia, na imensidão dos oceanos
Ou em poças na calçada da rua antiga onde andávamos de carrinho de lomba...
                                            
Águas que já foram lágrimas
Mágoas que já foram feitiços
Anáguas que já foram desejos
Navegarão feitos sonetos sem data

Passa uma chuva lá fora
E uma tormenta se prepara aqui dentro
E num gesto de cuidados a lua vem me abraçar
Ela e eu e tanto mar

Deixaremos com paciência a chuva passar

sexta-feira, 20 de março de 2015

Capitu


Quando conheci Capitu


capitulei


desenganei


a confiança é um conto


um Machado afiado


uma colcha de retalhos


com bainhas de linho


quem nunca se sentiu Bentinho?
Claridade 

Mesmo sem estrelas no céu,
quando tenho tua boca fico claro.
Volumes

Eu rio muito contigo... Chego a ser mar...
Declaração rasgada sem tradutor e sem vícios de linguagem

Falamos a mesma língua...
Beijaria a tua eternamente..
Crônicas de um mundo bem contemporâneo
Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples
e se ajeita
  • Guardo-te 

  • Guardo-te como quem guarda o gosto da primeira manhã...
    Infinitamente. Guardo-te como quem viu o céu uma única vez.

  • Navegação 

  • O que faz todo o navegar é uma boca cheia de mar.
...
Nada é exato.
O resto da vida pode ser o próximo minuto ou os próximos cem anos...

...
Augusto não era tão anjo assim . Não entendo até hoje seu plural.

...
e um vampiro apaixonado,
dá de presente um cachecol...

...
Quem ama não data.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Outono da minha face

Quem olha agora a minha face
Não imagina a cor que nela havia.
Estou outono.
Folhas secas.
Metade vinho tinto.
Metade abandono.
Sou hora do plantio em época de estio.
Quem olha agora minha face
Beira a flor da pele e o arrepio.
Estou outono,
Esperando, sem mangas, o frio...

Quando se vai

Dói por dentro. Dilacera.
Pá de cal. Pé de guerra.
Punhal no peito. Alma calada.
Sono sem leito. Beijo sem jeito.
Abraço de cilada. Amor quase perfeito.
Oração subjetiva. A procura do sujeito.
A procura da própria vida. Objeto num olhar direto.

Dói por dentro. Toda e qualquer despedida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Ai meus medos tão pequenos
Diante do esperançoso março
Que lavará minh ‘alma
Devaneios inteiros a tomar conta
De inquietantes noites
De bêbados cafés
De suaves serenatas

Entendo assim que é a hora do transformar
Do viver e sentir intensamente
Tudo o que vive aqui dentro a explodir

E poucas pessoas saberão o que realmente sentimos
Pois são poucas as pessoas que realmente sentimos

Ai meus medos tão pequenos
Por favor, se aquietem
Meu sorriso farto avisa
que num piscar de olhos apareço
“eles são muitos, mas não sabem voar”

Escuto esta música desde guri e desde guri acredito
que nada como um dia depois do outro...


(Como ter medo quando se tem no coração um amor do tamanho do meu...)

segunda-feira, 2 de março de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Esse Olhar

Ai esse olhar
Que tu sempre pega
Olhar de esfrega
De calor, de paixão
Olhar que come
Que fome
Ai esse olhar 
Que me entrega

A tecelã

Tem uma fada na noite
Que tece mantas para os dias frios
Cachecóis de linhas tênues
Boas casas, qualificados fios
Bordados de amor latente
Frisos finos e corações enormes
Beijos de mares, namoros de rios
Enquanto depois de tanto trabalho
A fada sonha e desperta a cor do tanto
Os sonhos da fada colorem
Todos os sonhos que dormem
Num mágico e doce encanto
Que nossos corpos tais encantadas conchas
A cozer as tais apaixonadas linhas
Eternizem almas, cochilem de conchinhas
Aquecidas pelo amor, eterno manto

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

De repente Quirina volta

Tinha que ser no dia dois de fevereiro, cara Quirina...
Pé na areia, beira de praia, sei lá, sei lá... Doce Quirina...
Nasci protegido por Nossa Senhora dos Navegantes e por Iemenjá...
Nasci beira do mar... nasci protegido por todos os cantos
Então, não serão almas tão pobres que me afastarão do meu querer...

Quirina olha-me com um olhar impreciso...
Abre um soneto de Florbela...
E me diz quase a gritar... que feliz é a tua vida


Ai, meu poeta, me serve uma dose daquela tequila esquecida
Frases sem nexo entrelaçadas numa poesia só

Entendamos que amor tem tudo a ver com sorrisos mesmo na hora do pranto
Na hora do desespero chamam-se todos os santos
E vou te contar é melhor poucos e fiéis amigos do que tantos

Entendamos que amor tem a ver com vontade, olhar tarado e fidelidade
No momento exato do luar morre o sol em alguma cidade
Quem procura vela a olhar a mulher amada não sabe o que seja claridade






O andar carregado de luas e ruas sem fim fins a respeitar os meios
Fios de pandorgas entrelaçadas nos varais da saudade
Tal o jogo de taco na ladeira de barro na minha cidade

A vida passa enrolada, um desenrolar do teórico após
e a gente no fim das contas é um grande enleio
no misterioso destino de procurar o tal algoz

Talvez, caros amigos, ele não exista
Talvez o algoz sejamos “nós”
O riso é fundamental...
Esqueçamos das listas e vivamos na paz




domingo, 25 de janeiro de 2015

Valorar quem te faz sorrir

Ventar até perder o ar