segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Embarcações

Vislumbrava a cor daqueles olhos que há tanto não via
E lia nas entrelinhas da noite escura uma claridade
Olhos de dor, mas ao mesmo tempo de inundação de mar
Provocações de bar e recados em guardanapos
Saudade recém-chegada
Saudade embarcada
Saudade distraída
Caída diante dos olhos sonhados
Caída deliciosamente sobre o corpo
Caída intencionalmente no colo querido
Vislumbrava a cor daqueles olhos
Para poder estar mais perto daqueles olhos tão amados
Incendiados por uma solidão incontida
Detalhada em sonhos que vivi acordado
Vislumbro tua chegada todos os dias, todas as manhãs
Quando da tua chegada descreverei realmente o que seja claridade
E entenderás todo o tamanho das palavras que escrevo agora
Desejo 


Se não posso sentir 
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo 
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias 
desejos repentes

Ao contrário do que vês, 
não sou tão pura,
pois minha boca 
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa, 
vejo-me doente...

Ao passo que vives encanto, 
sou tortura
e, quando vivo em brasa, 
és decente
O que faço por amor 
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja inocente...

A paz

Toda a paz que sinto agora tem um quê que me devora
Devorou minhas angustias, inquietações e meus medos
A tristeza quando vem, passa e vai embora
Levou na mala também meus lamentos...

Minha’lma mais clara lê bem melhor os meus dias
É preciso encarar os erros para sorrir mais na conquista
O receio quando vem, passa e vai embora
Levou na mala também uma vasta lista

Lista que detalhava somente o que me prendia
Corpos, olhares, mentes, que eu sem provar engolia
Comia verdades que não eram minhas e depois ardia
Febre de não ter o que realmente eu tanto queria

Comecei assim a sorrir mais, a plantar na terra meus sonhos
A colher abraços cada dia mais sinceros
A semear nos meus caminhos a minha alegria
Em linhas que eu mesmo cosia

Fortaleci com energia o que era minha maior fraqueza
De não fazer primeiro por mim, e fazer assim para o mundo
Descobri que meu olhar aberto me fazia sorrir mais
E quem estava ao meu redor também mais sorria

Marcas, tatuagens e silêncios

Espelhávamos na própria carne quando pressentíamos a dor
e tudo era uma coisa só e tudo era só
chamávamos segredo o que era intenção ardente
propúnhamos ser o que não éramos para resistir à vida
vez por outra éramos apunhalados por nossos medos
quebrávamos bússolas, rasgávamos mapas, sujávamos lentes
havíamos atingido toda a inconstância das coisas tidas como certas
e velas abertas singravam mares, bares, ares e alhos e bugalhos
entendíamos que assim resistiríamos mais
ledo engano
depois de algum tempo nos reencontramos e não falamos nada
mas havia em nossos olhares uma dor
que por não ter sentido algum
marcaria toda a nossa vida

Essa chuva

Acende uma chuva aqui dentro
Vindo de um lustre com uma luz fraca
Uma dor conta pingos
Uma espera que o destino crava
Um “não sei lá” que responde tudo
Uma alma que não se lava
Um grito encharcado e mudo
Um querer quase absurdo
Vontade de te ver
Um amor que me faz ser
Tudo àquilo que eu sempre quis ser
E essa chuva que não passa
Entre um café e outro

O olhar mexe com o corpo, arrepia a alma, aquece o mais do que o tanto...
A cor do tato desenha o corpo, redescobre a alma, expõe o mais do que o tanto...
A boca umedece o corpo, acalenta a alma, deseja o mais do que o tanto...
O amor é a refeição do olhar, do corpo, da alma e do mais do que o tanto...

...

A alma tem em sua face um luar... claridade, quase uma febre, que nos acende por dentro... o amor tem alma, muito mais do que corpo, o amor é querer estar junto mesmo na distância, o amor sempre aquece nosso rosto, feito um sopro

...

O coração explode... um arrepio grita teu nome... a esquina foi tatuada com minha sede.... e tua ausência me dá fome

...

Intensamente foi a forma que descobri para desenhar palavras
Os interruptores d’alma são toques que aceleram o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração
O resto é vento...

...

Tudo pode ser uma questão de dizer nada.

...

Já virei a página sem ter entendido o livro.
(Meu amigo, amor não é adivinhação)...
O amor compromete

Assim como tem compromisso a lua e o luar
O amor compromete
Assim como a areia gosta de ser molhada pelo mar
O amor compromete
Assim como jura compromisso a terra para o colher
O amor compromete
Assim como o querer que gosta de comprometer
O amor compromete
Assim com o sol compromete-se com o dia
O amor compromete 
Assim como minha poesia se compromete com teu olhar
O amor compromete
Assim como meu cantar compromete-se cm tua folia
O amor compromete
Assim como meu ombro tem compromisso com teu calar
Receita

Liberdade é uma das cores do amor
Uma cor que misturada com harmonia e com sinceridade
Faz a vida ter mais cor

Parece simples, mas não é...

Depois de juntá-las coloque no amor muita amizade
Unte a forma com parceria e cafuné
Derrame beijos e abraços e carinhos à vontade

Leve ao coração por tempo indeterminado
E assista ele crescer com verdade, poesia e sabor

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Túlio Piva

Quando a lua do destino decidiu viajar
malas na sala, recados no mar
Assim veio um menino sem passagem, sem lugar
que também queria o céu...
Escreveu, ao lembrar do tanto, de um passado tão bom
e ele “nem sei em que data"... clareou a viagem
Quem nunca ouviu Túlio Piva que me desculpe
Minha lua de menino sempre foi pendurada no céu
“feito um pandeiro de prata".
Uma segunda-feira com sol e chuva    
          
O verbo conter
balança um barco em plena calmaria
o verbo conter
muitas vezes é a própria embarcação
o verbo conter
mistura águas, lágrimas e correntezas
o verbo conter
não entende nada de paixão

Cartografia


Engoliu à seco para lavar a alma... Naufragou, logo a seguir respirou e ao levantar a cabeça avistou novas terras... Acabei aprendendo com a cartografia o prazer de me perder, o prazer de desejar sempre a liberdade, seja qual forem os cursos d’água... Vou bem entre minhas loucuras e as fotografias amareladas que ainda guardo. Vejo o futuro com bons olhos e o amor parece que floresce, logo posso colhê-lo... quem saberá... Infinitamente eu me permito parar de vez em quando... Nesse momento, aí eu ando...
Fomes 

Era inevitável a queda
frente ao vazio que se fazia
era café sem bolacha, sem fatia
era fome o que o coração mostrava e dizia

Era inevitável o pranto
frente ao exposto
era lição sem cartilha
era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

Era inevitável o fim
frente ao penúltimo capítulo que se escrevia
era final feliz sem nenhum par
era romance sem nenhuma poesia

A fome comia...
O acaso brinca de rima
          
Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas

Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas

Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...


Fomes                                                                                                 

Era inevitável a queda
frente ao vazio que se fazia
era café sem bolacha, sem fatia
era fome o que o coração mostrava e dizia

Era inevitável o pranto
frente ao exposto
era lição sem cartilha
era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

Era inevitável o fim
frente ao penúltimo capítulo que se escrevia
era final feliz sem nenhum par
era romance sem nenhuma poesia


A fome comia...
Manhãs                                                                                                                              
         
Abril de uma manhã intensa
extensa foi tua carta
imensa minha saudade
às vezes o que nem fere hoje
amanhã vem e mata

Comeram as reticências
as vírgulas e as broas
beberam a compaixão
limparam a desculpas com Q-boa

e a vida passa
e a vida borda
e as lágrimas lavam as escadarias d´alma

Quando voo sonho com o pouso
Ao pousar quero voar
As linhas que eu coso por querer
São minhas vestes para amar
Com elas fiz meu cobertor
Com gotas inteiras de mar
O amor nunca é problema. 
Amor é solução de grau quente...
Equação resolvida é enganação...
O valor do x que não se precisa é tentação...
Amor é matemático... Emblemático...
Às vezes patético... 
Noutras, centrado...
Histérico, docemente nervoso...
Amor é amor até de lado... Hummmmm...
Amor é didático, amor é linguagem... Hummmmmm...
Amor é suor... Amor precisa suar... 
Precisa soar... quer asas e ares e liberdades...
Amor é café da manhã... é pão... é sexo.... 
É margarina... Hummmmmm
Amor é mulher menina...
É um zoom... que pega tudo.... Hummmmm

Ah... amor não é dois
Amor é hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
Sinais

Diante do céu ainda claro
Margeou seu olhar no infinito
E desenhou o simples com o lápis do raro
Na moldura exata de um livro não lido
O que faz bem deve ser sempre procurado
E a felicidade é muito mais do que um achado
É um caminhar constante por todo o mundo
Mesmo que o lugar comum seja o tudo
Sol na Ilha e que a claridade nos remeta a ver melhor o que se passa ao nosso lado. Uma palavra de conforto, um carinho, um abraço sincero não vai tirar pedaço de ninguém. Entendamos que estamos aqui de passagem, é a brevidade pode ser nosso limite... Então faça agora, beije agora, fale agora, viva agora... Não deixe para o próximo minuto àquela palavra de carinho e de amor... Sentimentos verdadeiros ficam, desenham nosso caminhar... E eles nos ensinam muito... Condicionais ou incondicionais, duradouros ou breves, fogosos ou calmos, inteiros ou fragmentados... Todos eles são importantes, são decisivos, estiveram em nossa vida por algum motivo forte e arrebatador.... Ame mais, fale mais. Amanhã poderá ser bem tarde... amanhã poderá ser “nunca mais”... Aproveite o sol e exponha-se mais... e leia Florbela, Quintana, Neruda, Pessoa, Drummond, Cecília, Borges, Machado de Assis e tantos outros... Escute Cartola, Candeia, Chico, Noel, Crioulo, Paulinho da Viola, Martinho, Elis, Marisa Monte, Gonzaguinha, Fagner (esse é bom, rsrsrsrs) e tantos mais... Abra seu coração para as palavras, para as músicas, para a sinceridade...  Boa semana a todos e que possamos ao final do dia ser uma melhor pessoa do que quando acordamos..

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Para Florbela
O presente em preto e branco
Na poltrona o passado colorido
O futuro gravado ontem
Roteiro novo de um livro “tantas vezes lido”
PEQUENA CRÔNICA DO FEITIÇO QUE VIROU CONTRA O FEITICEIRO

Um amor de tempos é aquele que aquece a solidão a qualquer momento

Um “que” que abriga tanto querer e faz o sentimento crescer lá dentro

Uma verdade que não finda, um tentar com todas as forças que se tem

Um amor assim atiça, envolve, permeia a tudo


e quando despertado ganha mais vida, fica mais forte, faz bem