sexta-feira, 10 de janeiro de 2020


Vida

A vida não é lenta
Fecha-se os olhos
Trinta
De repente cinquenta
É preciso coragem
Para entender
Toda a paisagem
Toda a passagem
É preciso entendimento
Amor é alimento
É preciso entender as calmarias
E respeitar também as forças do vento
A vida, pois, é breve
E breve também é muito tempo
Aproveite cada momento
Como fosse uma lição, um ensinamento
(Vigiai tuas ações,
encoraje teus receios
por que na verdade
somos passageiros
e é preciso viajar sem medo)


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Quando vier a vontade de abraçar 
e de beijar vá imediatamente. 
Porque viver bem é de repente.
Minha alma é feminina
Minha poesia é menina
Mulheres me desenham, me provocam
Os caminhos delas são minhas janelas
Sem esse encantamento meu chão é árido

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020


Tábuas

Meu destino maré pôs-se a navegar
Marés e suas tábuas para me levar
Para se fazer luar
As vezes se afogar
Dançar aonde não dá mais pé
Cair, levantar, se juntar
Brincar de quebrar
Olhos marejados
Minha precisão de navegar
Minhas casas erguidas
Entre tábuas das minhas marés

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019


Ressuscitar o amor uma vez por ano não é amor, é remorso.
Amor tem que viver 365 dias por ano.
Aí sim... 
Poderemos festejar.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Canção das Idas

Em algum lugar eu fiquei
Sem saber eu parti
Desgovernei sem querer
Por quais motivos eu nem sei
Só sei que aprendi
Num dia a gente se vai
N´outro chora para voltar
São fases que a gente passa
Tem noites que a lua vem
N´outras ela quer descansar
Trago tristezas e lições
Enveredei entre labirintos
Mas aqui dentro eu sinto
Que apesar dos perdidos
Nos achados eu sobrevivi
Eu escrevo
Hoje sei os nomes de quem sabe a importância do que sinto
quando eu escrevo
Escrever dói, machuca, entica
Escrever é meu bem
Deixarei meus escritos
E a certeza que o amor é a primeira resposta
Para todas as perguntas
Talvez tenha que mudar meu endereço
Mas eu que sempre fui Fênix
é um dever e um direito recomeçar
Deixe-me voar
As asas que me acompanham
Minha gratidão
Sou a sinceridade que nesse mundo
As vezes não dá certo
Mas eu insisto com dedo em riste...
Amor EXISTE...
Eu tenho um de quarenta anos...
De nome Márcia...
Beba Poesia, com diz meu amigo Cláudio
Se tudo implode, o amor RESISTE
Depois de um Hiato

Misturei meus ansiolíticos
Com poemas líricos que adoro
Nada como antes, diria Dante e seus infernos
Eu faço poesia, reitero
Eu leio Pessoa e Augusto dos Anjos e Augusto agora
Vem a ser meu neto, AMOR é água em pleno deserto...
Eu leio Quintana desde aos dez... E Érico desde Torres...
Adoro Florbela, Cecília e Coralina...
Apaixonado por mulheres, são mais sinceras e poderosas
E escuto Cartola e Chico e Mart'nália e Social Club...
Caetano e rei Gil...
Gosto de Supertramp e Santa Esmeralda e danço Sidnei Magal, eu juro
Adoro vinho e dominó...
E jogar conversa fora para me achar aqui dentro
Reitero, eu faço poesia...
O que é sucesso... se não...
achar engraçado nós mesmos...
Acredite... não temos gavetas...
Somos jasmim, como diria Mira,
Somos Mergulho, como diz Luiza,
Somos Bem-Vindo...
E tudo que é bem... merece ser vivido
Um arco-íris é composto de todas as cores,
É preciso respeitar todas as tintas,
É preciso desenhar, rabiscar, mergulhar, errar sem medo,
A vida precisa andar na corda bamba, correr riscos,


Desvendar corpos e desvendar segredos
Dentro de mim mora uma procura,
Onde o achar não é necessariamente uma cura,
É tão somente minha loucura desenhada, pintada, liberta

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Origami

Dobraduras do tempo.
Harmonia.
Calma.
Concentração.
A vida é assim.
Dobras com cuidado.
Dobras com carinho.
Dobras com cautela.
Dobras com exatidão.
Dobraduras do tempo.
De repente a imagem, o fato, a construção.
Meu coração origami reinventa-se e “se” dobra.
Feitio

As linhas que beiram os cobertores
sabem e já moraram no frio
por isso cosem com atenção
atentam bem aos pontos
julgam ser alma tudo que seja coração
nas noites de muito frio
o que vale mais é a lembrança do feitio
Eu faço poesia, 
talvez não faça nada melhor do que isso... 
me compreendam, 
me perdoem: eu faço poesia...

domingo, 24 de novembro de 2019

Quero a paz do meu ninho, 
pois as asas que me amam
não me deixam em desalinho...

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Saudalejar

Seu nome saudade
Menina de seios rijos
Pouco ou nada de juízo
Cheiro de leite
Sabor de flor

Seu nome amor
Menino de dentes livres
Brancos que um dia eu tive
Cor de mar
Imensidão de grão

Seu nome paixão
Mulher de lábios fatais
Afã de talvez, clã de jamais
Música de cor
Verbo “saudalejar”
Na roda viva que roda a vida, 
entre chegadas e partidas
mora o incondicional
amor sincero...
Conversas

Ainda assim, acredito em minha varanda, em minha rede, em minha poesia... acredito que tudo é simples demais e complicamos tudo. Ainda assim, acredito em andar de mãos dadas, em dormir de conchinha e outras posições de encaixes. Ainda assim, sigo a buscar, a "me" perder, a "me" encontrar e, tenham certeza que o tempo passa rápido
demais e precisamos aproveitá-lo com muito amor, em todos os sentidos. Ainda assim, continuo a passear na praia, a escutar as gaivotas e a todo o momento resgatar o menino que mora dentro de mim. Às vezes me pergunto se estou no mundo certo. A resposta vem rápida: com certeza, não.
Luas

Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.
Alugaram uma quitinete.
Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.
Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.
Ah! Era quarta.
Beijaram-se muito, muito mesmo.
Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.
Juraram amor eterno.
Ele, vestiu seu único terno.
E foi tentar, tentar, tentar.
Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...
Colcha de retalhos

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos
Estamos num tempo 
que qualquer fagulha 
é luz...

quarta-feira, 13 de novembro de 2019


Leituras de Florbela

Encanta-me tua ausência
Para que assim eu possa falar
De todo o meu amor...

Longe de ti meu coração a todo instante padece
Mais parece um amontoado de carne
A deitar-se sobre a dor

Espinhos de sentimentos controversos
Tais sonetos de Florbela
Rasgos a dilacerar meu peito

Que sobrepõe ao próprio medo de te perder 
Por teres asas
Muito além das janelas

Assim sigo a buscar tua presença
Mesmo que teu corpo aqui não esteja
Mesmo que o vazio teime a preencher a vida

Onde a solidão escancaradamente "me" habita
E por ter uma febre assim tão louca
Minha compreensão do amor lateja