quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pequena canção de um céu da boca estrelada depois de um dia de sol

Abriu a carta, a janela e uma garrafa de vinho branco seco.
Abriu o coração, a caixa de fotos e até a flor do vaso abriu.
(Quirina que passava por ali, abriu um longo sorriso e a noite em que se encontraram ainda não terminou...).



Crônicas de um mundo bem contemporâneo           

Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples
e se ajeita


Quirina 40 graus                                                                                

Ferve,
Arde,
Queima,
Provoca.

Água na boca,
Água na bica,
Água no beco,
Água na barca.

Quirina bebe todo o mar,
Quirina bebe o verão,
Quirina bebe de canudinho
toda a inundação.

- Larga esse termômetro, Quirina... Nada poderá te medir...

O vestido de Quirina (coisas corriqueiras)   

Quirina comprou vestido novo, vermelho, bem curto, rendado, de alças, rodado
Quirina foi à padaria e Dolores não a reconheceu.
Dias depois Quirina contou o fato e Dolores respondeu: "Pensei que ‘fosse’ um bolo"...
Quirina arremessou um vaso de flores em Dolores.
Hoje já fizeram as pazes.
E o vestido em questão virou um porta gás - comenta Dolores, com um riso maroto.





Dizeres

O amor deve regar à flor da pele
Por que o que arrepia, cutuca, aproxima
É uma cachaça, uma ambrosia
Um sentimento que dá gosto, alegria
Que provoca o querer, alquimia
Que remexe, bole, mistura

Que dói, que deixa a face rubra, que cura
Quadrinha do querer e da liberdade

Deixe aberta a janela do destino
Para a vida não ficar, assim, tão tonta
E quando, por encanto, tocar o sino
Deixe o amor, em liberdade, tomar conta
O coração explode... 
um arrepio grita teu nome... 
a esquina foi tatuada com minha sede.... 
e tua ausência me dá fome
Um conto de sarda 

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Ela intica e o sol fica mais claro, 
dá vontade de tomar banho de chuva, 
cada dia fica raro, 
cada palavra que vem dela encaixa feito luva... 
que barbaridade, 
que feitiço, 
rsrsrrsrsrrsrsrs...

Um segredo de gaveta e de mar

Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas
Motivo

Quando uma corda puxa a noite
O dia vai e se enforca de ciúme.
Quando uma corda puxa o dia
A noite vai e ser enforca de ciúme.
Quando chega a madrugada
A noite e o dia se enforcam com a mesma corda...
Bêbado

Toma café,
toma vergonha,
toma ônibus,
toma banho,
toma jeito,
toma cachaça...
E quando quiseres...
Toma meu coração. 

APARECEU

Intrigante a forma que o amor deu ares da graça
em meio a disfarces... Quase uma cachaça...
em meio a atalhos e desculpas

O que parecia ponto final aparece com olhares de reticências, 
Tal uma chuva de “ques”

Confundindo assim qualquer juízo
melhor, então, deixar correr o risco

Intrigado, trincado, cambaleante ficou meu coração
(Quirina sorri e ri baixinho, como quem diz, sossega e deixa assim)
SAUDADE

Saudade é um tempo tanto feito de fatias de imensidão
Uma música de Marisa Monte, uma taça de vinho e outra taça de solidão

Saudade é querer estar toda a hora, todo o dia
Fatias de poesias no Café Coração
Um filme de Fellini, uma música de Buarque
e de quebra sonetos colados no portão 



PERDA


Eu perco a hora, o ônibus, o caminho pensando em ti
Talvez encontre o amor enquanto te perco



Pequena cantiga de uma manhã de domingo abafada e com vento

Meu coração mistura-se com o título
Minha poesia, ofegante, bebe num gole só um copo de lua
A vontade minha era estar na sua...

na sua vida

na sua linha

na sua rua

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Um conto de sarda 

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que fica

O que vale é o sorriso que ficou n`alma... Àquele que a gente lembra e sempre sorri de novo...
O que vale é àquele ombro amigo de todas as horas e fases... Minha vida está feliz por ter tanta gente de bem que gosta de mim... As melancias se ajeitam no balanço da carroça, dizia minha avó Maria e ela estava certa demais...

Embarcações

Vislumbrava a cor daqueles olhos que há tanto não via
E lia nas entrelinhas da noite escura uma claridade
Olhos de dor, mas ao mesmo tempo de inundação de mar
Provocações de bar e recados em guardanapos
Saudade recém-chegada
Saudade embarcada
Saudade distraída
Caída diante dos olhos sonhados
Caída deliciosamente sobre o corpo
Caída intencionalmente no colo querido
Vislumbrava a cor daqueles olhos
Para poder estar mais perto daqueles olhos tão amados
Incendiados por uma solidão incontida
Detalhada em sonhos que vivi acordado
Vislumbro tua chegada todos os dias, todas as manhãs
Quando da tua chegada descreverei realmente o que seja claridade
E entenderás todo o tamanho das palavras que escrevo agora
Desejo 


Se não posso sentir 
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo 
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias 
desejos repentes

Ao contrário do que vês, 
não sou tão pura,
pois minha boca 
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa, 
vejo-me doente...

Ao passo que vives encanto, 
sou tortura
e, quando vivo em brasa, 
és decente
O que faço por amor 
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja inocente...