quarta-feira, 4 de novembro de 2009

NOVEMBRO de 2009 - Pequenas histórias que você imaginou escrever e que de repente aconteceu


Tanto quanto se sente

Ofegante o de repente

Que chega tão frio e não se sente

Que preenche o não ser ausente

Pois é tão rio

E ao mesmo tempo mar corrente

Que de tão sincero, mente

Teu olhar navega instigantemente

O que era toda vida

Vira instante num triste canto

E o que nascera triz

E nada se esperava

Alucina, explode, encharca, vira tanto


Ana II

Mistério de menina

Em olhos de mar

Longe e tão perto

Lábios para sonhar

Fica o olhar

Como fosse imã

Teu corpo me faz viajar

Sinto que

Pelo andar do vento

Lá se foi minha calmaria

Mas ganhei tempo


Ana III

Vejo velas novas

No mesmo mar

Tudo novo na mesma vida

Desejo à queimar retas

Curvas para celebrar paixões

Que de repente deixou de ser secreta

Redescobri assim meu coração


Agora

Agora

Destoa do agora

Depois entoa

Àquela música

Quebra

Dilacera

Sofre

Aprende

Encara

Fortalece o agora

Como se o minuto

Fosse a eternidade

E tua boca o paraíso


Ana

O lençol é bêbado

O anzol é bêbado

O farol é bêbado

O carrossel é bêbado

O acolchoado é são

O caniço é são

O mar é são

O cavalo é são

A alma sã e o corpo não?

A vida sã e a morte não?

Mas teu corpo aquece tudo

Sara tudo

E recupera meu sorriso num beijo


Lobos

Vila Lobos transformou o trem em luares caipiras

E hoje eu viro lobo para beijar a lua

E escutar tuas eternas liras

A música nos ensina a fazer melhor o amor


A dor

Vale-me a dor

Quando a dor

Faz o olhar

Mais claro

Admito o arder

Quando o querer

Me faz “tardiar” o erro

O livro não lido

É o prazer não consumido

Num quase não querer acontecido

E o amor assim é quase


A cor

A minha cor não tem a cor tua

Já teve a tua cor a minha cor

Já chamei amor o que era só loucura

O teu beijo já foi a minha cura

E a lua que era nova e nua

Nascem esquecendo a dor

Éramos torpor

Antes de sermos ternura

Isso preenchia o cedo

E fazia esquecer o temor

Estávamos a um beijo de tudo


Tanto

Atiça a lua o tanto

Um rastro deixa no quarto

E dorme a tristeza sem par

Pois corpos se prendem no ato

Inventa-se assim a eternidade

Independente do próximo minuto

E dorme a tristeza de luto

Pois corpos se atrelam a felicidade

Um canto de mar resgata o barco

Águas de olhos de quem foi náufrago

Pousam asas beijando a embarcação

Pois corpos renascem na lua e na compreensão


Teu olhar

Teu olhar de tantos dias

Faz o meu dia bem feliz

Sem teu olhar não faço poesia

Teu olhar me faz um eterno aprendiz


Teu rosto

Teu rosto é lua tão clara

Sorriso que diz amor

“Lumiar” de jóia rara

E ao mesmo tempo simples

Por isso nasceu flor


O corpo

Lateja o corpo com o cair da chuva

Aumenta a sede mesmo com tantas águas

Existe a mágoa

Existe o frio

Sabemos onde está a luva

Mas não mais a queremos

Barcos à deriva

Sempre em desafio

E uma faca se insinua

Mesmo sem mostrar o fio

Lateja o corpo

Explode a alma

O caminho torto

É bem mais confiável

(frases soltas num liquidificador)


Fuga

Sou fuga porque não claro

Das trevas que nunca fui

A lua que faz ranger os dentes

Em nuances que racham as lentes

De uma paixão ardente

Que transpõem o nexo

Por um triz eterno

Que só quem ama, sente

Que só quem vive, sabe da dor


Primeiro dia do final também é o primeiro dia do reinício

Manhã

Com sol

Com chuva

Imã

De retas

De curvas

Vã e complexa

Completa e clã

Meia noite e meio dia

Num mesmo tempo

Calmaria e vento

E assim se fez

Tudo assim

Diferente

A eternidade

E o de repente

Como se tudo começasse agora

E nada pudesse me deter


Querer

Algumas vezes

O querer

Quando não quer

Disfarça, usa máscara

Vira camaleão

Outras vezes

Transforma o amor

Vira retalhos

Vira solidão


Atemporal

Corpo quente provoca um temporal

Atemporal foi minha paixão

Que agora

Tem data de fim

A lentidão da minha compreensão

Pelo menos preparou o jardim

Uma flor que mora longe

Ainda me faz sorrir

Regar é um verbo de ligação


Esquecimento

Esqueci de vez

Não haveria mais motivo

Nem hora

Não haverá

Mais tempo

Nem compreensão

Apaguei teus sinais de tudo

Tirei a fotografia do criado mudo

E meu amor

Deixou de ter nome

Que venha a surpresa de um olhar primeiro

Que eu ainda não conheço


Misturas

Tinha um gosto de mar no café e ela trouxe a cachaça e a mistura tomou conta da noite e a insônia provocou a tara da poesia e quase sem querer bebi o tanto e as vírgulas e um engov que me olhava atravessado na manhã seguinte


Autobiografia

Não é meu choro que chora

É a minha vida que agora sorri

Quis partir, quis ir embora

Mas o meu agora sempre foi aqui

Minh’alma é clara e transparente

Se voei demais foi por intenção

E quem não entendeu esse voos

Foi porque não entendeu meu coração

Sempre fui muito feliz

Porque aprendi que a vida é emoção

Não troco abraço de amigo por nada

Não troco beijo da mulher amada

Se errei foi com muita convicção


Rubro (Para Mateus)

Cor do coração.

Paixão.

Lance para não esquecer.

Sangue. Veias. União.

Tesourinha, Figueroa, Mateus, Falcão.

Foi Campeão invicto quando nasceu.

79 ano da coroação.

Rubro por todos os cantos, todos os risos, todos os prantos.

Linha de ataque para a emoção.

Rubro de emocionar e nasceu com a pele rubra,

E assim nasceu meu irmão.


Para Florbela

O presente em preto e branco

Na poltrona o passado colorido

O futuro gravado ontem

Roteiro novo de um livro “tantas vezes lido”


Entre a carruagem e o andar

Todo o andar desse mundo

Agora é teu andar

Andar de ilha e de porto

Andar de rio e de mar

Andar de alma e de corpo

Guaíba e Conceição

Praça XV e Redenção

E se a vida assim quiser

Varanda e rede

Areias no pé

E um amor de uma vida inteira

Para contar

Entre a carruagem e o andar

Entre o mar e à beira


Por ti

Vem de ti todo o meu riso

Até o riso que se foi, voltou

Vem de ti em brumas intensas

Incendiando aldeias da primeira emoção

Vem de ti todo o meu pranto

Até o pranto que se foi, ficou

Vem de ti em lumes incandescentes

Iluminando palavras não ditas inteiramente

Vem de ti todo o meu querer

Até o querer que se foi, tatuou

Vem de ti em hiatos latejantes

Recriando o amor em minha compreensão

Só assim preencho tua falta

Com minha saudade e minha solidão

Como um punhal que a mim corta

Busco encontrar meu coração


Duas quadrinhas de nunca e de sempre

Beira o triz

Beira o tão

A flor de lis

Já foi botão

Beira o par

Beira a solidão

A estrela do mar

Já foi constelação


Quadrinha da paixão confusa

A intensidade apaixonou-se por um interruptor

Levou um choque e achou que era amor


Dualidades

Quando fui exato perdi a noção

Quando fui livre me prendi em tua mão

E quando me disseram que era tarde

Aprendi que o tão cedo depende da compreensão

O amor é um risco

Curvas apaixonadas

Sem direção


Poeminha

À noite antes de dormir escrevo solidão no espelho com o creme de barbear

para quando acordar amanhã não esquecer que existe tatuado nos reflexos um verão

que mistura-se aos invernos, aos outono, as primaveras

de um querer independente de estação


Poeminha para Paloma Brum

Cantiga de flor

Abelha fazendo zum

Mel e sal, mar e sol

Retrato de Paloma Brum

Madalena e olhos de voo

A vida fazendo zoom

A flor tatuada em versos

Na pele de Paloma Brum

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

OUTUBRO de 2009 - Classificados de Jornais, mensagens em garrafas e cafés na beira das estradas

As velas

A vela espera o vento
O mar alaga a lágrima
A vela apaga com o tempo
A mar disfarça a água

A vela navega livre e afaga
Acessa tal qual o mar
O tempo espera a água
E a vela se recusa a clarear

A lágrima parte com o vento
Navegações de bocas e luares
A paixão perde-se num tempo
Entre outras bocas e outros mares

Para Leminski

Tudo que é correto demais
Desalinha o mundo, a reta
Um trem fora dos trilhos
Vê coisas que não veria
Se estivesse sempre nos trilhos

Para Leminski II

A verdadeira entrega é feita de coisas escondidas
E fugidias
Assim, a entrega torna-se verdadeiramente transparente
A contradição do dia e da noite foi quem inventou as “18 horas”

Para Leminski III

A chuva bate na porta
Assim, o náufrago aporta

Para Leminski IV


O mar adormece num segundo
No outro acorda o mundo

Para Leminski V

No café da noite
Uma frase rasga o silêncio
Abro um pacote de bolacha e adormeço
Me contaram o final e eu não lembro nem do começo

Para Leminski VI

Não ter o que lembrar é sofrer muito mais quando se tem lembranças
Às vezes a guerra nos faz querer e lutar pela paz

Para Leminski VII

Longe
Esqueci o celular na agência
Quieto
Sem alguém para falar
O mar canta
A noite cai
Como vou acordar amanhã sem despertador?
Preciso me levantar agora

Para Leminski VIII

O que intriga é o interruptor que me atiça
E depois não liga

Escuridão é um elo
Tua foto com o rosto vermelho
Virou um sonho amarelo escondido num livro
Converso com o espelho
E não me entendo

Para Leminski IX

O esquecimento é uma linha que mora longe
Mas rompe perto

Quadrinha de um dia de vento

O vento é cedo
A calmaria vem tarde
O amor dá medo
Quando a paixão arde

Para Cecília

Sou muito tarde
Para um amor tão cedo

Para Leminski e para Betty Blue

O corte que vem d’alma
Foi tatuagem de um grande amor
Cortar é um ato de declamação
A paixão é poda

A flor

O canteiro que hoje flora
Já foi dor
Já foi estio
Já foi rosto que hoje cora
Por um amor que não sucumbiu

Tem uma flor que aflora
Que brinca de tatuar meus sonhos
Continua linda e ainda cora
Quando falo desse amor
Que ainda vive mundo afora
E mesmo com o passar dos anos
Continua agora...

Um versinho para a redenção

Um vento rasga a palavra
Que nasceu para ser inteira
Amor sem dor é corte

Vem com força, ama, sonha e crava
Como sendo paixão primeira
Mas chama de nunca o que já foi norte

Café?

Colocaram café na minha agonia
Colocaram café na minha insônia
Colocaram café na minha alegria
Colocaram café na minha poesia

(Dolores não entende ‘bulufas’ e diz que vai preparar uma boa caipirinha)

Solidão

A solidão dos olhos cheios de lágrimas
A solidão das mãos cheias de calos
A solidão dos faróis cobertos de nuvens
A solidão dos poetas em meio a uma multidão sem versos

Achados

Corre Maria
Corre João
João faz poesia
Maria faz canção
João beija sua nuca
Maria faz nega maluca
E se amam pela noite inteira
Como se tivessem tudo
E eu até acho que eles têm

Nunca

Era determinante o nunca
É o máximo que disse foi talvez
Depois de um “quem sabe”
Acordamos juntos, abraçados

Na outra manhã
Decidi que era a hora do nunca
Olhei fixamente nos olhos dela
É o máximo que consegui foi dizer
“falamos disso amanhã”
Acordamos mais juntos, mais abraçados
E os anos passaram
E a vida passou
E o engano ficou tatuado num lençol

A andorinha e o mágico

A andorinha procura o mágico
Pois ela ouviu dizer
Que mágicos fazem sorrir
E desaparecem para esquecer

A andorinha é tão sozinha
É triste por uma paixão
E pensa que apenas uma varinha
Traga de volta o verão

O mágico ao ver a andorinha
Ficou solene e de joelhos
Disse: “quem voa é feliz
E tirou da cartola seu último coelho

A rua

A rua inteira não canta
Não tem dentes para morder
Nem bocas para sorrir
Nem areias para escrever
Nem telas para colorir

A rua inteira não canta
Não tem palavras para compor
Nem lábios para beijar
Nem lenhas para queimar
Nem frases de amor para dizer

A rua inteira não canta
Não almoça
Não toma café
Não janta

Que alimento essa rua ingere senão o pão dormido que beira agoniado a esperta insônia?

Tortura

Tudo o que agora penso é penso
Desequilibra com a primeira fala contrária
Contrária a felicidade
E tudo que agora penso, cala

Insegurança de um cais que balança o mar
Trêmula mãos de um primeiro encontro
Um sopro que aparenta um forte vento
O destempero dos amantes ao não esconder seus beijos

Tudo o que agora penso é penso
Se move
Engana a frase exata
Desequilibra
Pois as metades pesam diferentes
Difusas
Perdem-se na escuridão
E tudo o que agora penso, apaga



Tempero

Olha o tempero bom que tem... sal da terra e do mar e da poesia de querubins e de andantes de bar... ela é todo mar... Jorge, Ogum, Meu Deus, Oxalá... ela é todo cantar... Olha que tempero bom, vai mel, vai pimenta, vão ervas finas e salsinhas... que tempero bom que ela tem... quando a leio eu misturo bem suas palavras, extraio delas todo o querer... tempero assim meus dias e minhas noites... ah... que tempero bom que ela tem...


I Quadrinhas de outubro

O entardecer da manhã

Anoitece sem entender

Que a razão é vã

Que o acaso dá prazer


II Quadrinhas de outubro

Mora uma moça que amo num porto

Que me faz assim navegar

Longe, muito longe do seu corpo

Naufrago sempre em outro mar


III Quadrinhas de outubro

Procuro uma resposta no e-mail

Nenhuma mensagem no celular

Que saudade do correio

Ou da mensagem em garrafa via mar


Medos

Entristeço

Acendo a luz

A claridade me faz não enxergar

Tua boca perde-se na noite escura,

Que eu teimo, por medo, não beijar


Bia

Bia toca violão

Joga comigo general

Todo o vôo da Bia

Era assim tão natural

Tinha sol no seu olhar

Sua vida tinha sal


Vestido

Leio “Vestido de Noiva”

Nelson virou cotidiano

Nada mais deixa rubra a moça

Nem o passar dos anos

Romance

Foi numa noite na Barra
Ao navegar de canoa
O cantor viu um lume
Que vinha lá da Lagoa
Tinha faíscas de céu
Vestido preto e vassoura

Teu olhar é um feitiço
Linda flor de laranjeira
Um chá bebido num gole
Poção menina faceira
E quando viu o cantor
Nasceu a paixão primeira

Não importa
Se foi bruxa ou princesa
Se foi rainha ou sereia
Se tinha casa na lua
Se tinha castelo de areia
O que vale foi a paixão
Que nasceu nas Rendeiras


Canção do Engenho

Roda a vida, destino

Move o tempo, sereno

Sonha com a moça o menino

E canta a canção do Engenho

Anos 80 nas folhas

Nas folhas dos calendários

Verdes como teus olhos

Olhares incendiários

Gira a roda, moinho

Move o teu coração

As águas onde navego

Nasceram desta paixão

Tenho um Engenho na vida

Feito receita de pão

E gira a rosa dos ventos

Até virar floração

Lua Mansa que arde

Na lembrança viva que tenho

O meu boi volta pra rua

E canta a canção do Engenho

Canta Engenho canta

Deixa o mundo rodar

Se a vida tá cansada

Deixa a vida vadiar

Letra dedicada à: Chico, Muniz e Alisson


Vou encontrar meu final feliz – Minhas mulheres

Amelie

Quirina

Betty Blue

Dolores

Uma flor

Uma narradora

Um amor primeiro

Sete “marias”

Sete nomes

Sete sinais

Minhas mulheres

Minhas paixões

Minhas meninas

Paixões

Eu estou andando sem estrada

Numa cilada que eu mesmo armei

Na boca um beijo guardado

Quase tatuado, resguardado, feito vinho bom

Nas janelas passam cores que eu nunca vi

E eu jogando conversa fora sem cor

As possibilidades são como chuvas

As vezes inundações, as vezes estios, e vão e passam

Quero encontrar minha estrada

E a boca da mulher amada que ainda amarei

Sei que não está tão longe, sinto que arde e vou encontrar meu final feliz

Que vi num filme na sessão da tarde

Chuva

Uma chuva intensa bate à minha porta

Pedindo para me encharcar

Diz que vivo assim muito seco

Sempre com medo de me molhar

Eu quero o amor da minha vida

Feito a música do Cazuza

Nem que seja inventado

Como a poesia que eu fiz e nunca foi lida

A chuva cai e me leva

Não quero mais àquele amor

Pro café

Pro almoço

Pra janta

Quero um amor sincero, sem tempo, sem data,

sem explicações para tudo, para todos, para sempre...

Seco agora só o vinho... que venha a chuva...

Falas

Existe uma sombra na noite que não termina

Passam manhãs, passam dias, meses, anos e ela continua ali

Uma ferida aberta em mar aberto,

Uma vida cansada em corpos cansados,

Todo um grito que não se ouvia,

Agora explode em silêncio e agonia

Ser escritor é uma ferida aberta sempre,

Levamos para a vida tristezas em linhas da mão e precisamos lê-las,

A felicidade precisa de leitura

Mas dói muito, cansa, absorve

Muitas vezes nos entregamos a um silêncio profundo e arrepiante,

Tal o menino de poucos anos vendo um filme de terror e não querendo mostrar medo,

Ou recebendo os carinhos da prima e não querendo mostrar medo

Guardo tudo em si,

Em notas que somente “eu” entendo

Bebo

Todo àquele vinho que sinto,

àquele chileno seco, tinto

trouxe-me palavras que queriam gritar

mudas por tanto tempo

puderam agora falar e em vez de sopros vieram ventos

liberdade começa assim

liberdade para sentir, para viver, para amar

agora posso


Primavera




A flor da pele na primavera arrepia mais, pétala por pétala. Incendeia , faz contato com o luar ... vem e não espera, a presença da pele aflora a flor e provoca o tempo... colher é um beijo entre canteiros e bocas, procuro enlouquecidamente a tua boca.


Recaída

um escorregão, assim mando um beijo de muita saudade

quem sou eu para policiar meu coração?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

* SETEMBRO de 2009 - Taj: Luares, beijos, recomeços e outros setembros


Trecho de email

Momento: Muita chuva na primavera... E o inverno, talvez, para protegê-la, mas já com terceiras e quartas intenções... ficou na sala e toma chá cheio de pose. Ele é galanteador e ela é linda e apaixonante... Clima quente, sujeito a chuvas, eu diria, rsrsrrsr. Safados os dois...

Trecho de msn

aqui bate um vento e balança meu coração, mas ele anda avoado mesmo e eu nem sinto... escrevendo muito... procuro uma bula com letras grandes que me diga o que eu ainda não sei, mas não tem remédio... temos que ir a luta mesmo...

Verbos apaixonados

O que era visto de repente vem e alucina
Mexe, complica, mistura, confunde, liquidifica, intriga, faz rolo, disfarça, chama briga, aumenta, apaixona, diz que fica, depois não liga


O que já era visto de repente transforma e incendeia
Toma forma, encanta, modifica, duplica, espalha, reinventa, faz colo, diz que vai, depois codifica

Rabiscos de fim de tarde quando o sol “já quase vai”

Queria um amor me deram o paraíso
Amor hoje em dia é comum perder
Já o paraíso é quase impossível esquecer

O assalto

Tomou de assalto minha calma
Levaram e a esconderam num armário
Muito longe da minha paz
Fez-se o grito
Agradeço agora o roubo
Pois precisava sentir que estava ainda vivo

Riscos

Todo o risco que se corre faz rabiscos
Que traduzem os riscos que tatuam almas

Toda a palavra é um risco, em todo o lugar há ciscos,
E desenhos são, muitas vezes, sorrisos de loucas retas

Correr riscos e fazer poesias, o que se mostra também ensina,
A paixão é um verso descabido e queima,
O amor acontece e quase sempre rima


Riscos II

Um quando é risco
Acontece num cisco
Toma conta e correr agora pode ser um beijo sonhado “há tanto”
Que tua face corada e linda
Faça o risco virar canto

Pedaços

O que era inteiro de repente quebra
E os cacos cortam e as pontas riscam
Não existem mais encaixes
Nem portas se abrindo
É a hora do calar, do silêncio,
que nesse exato momento é a única palavra inteira...


O mar e a minha sede


O mar faz barulho e me acorda
O mar canta e me embala
Tua boca lembra o mar
Mergulho intensamente quando a saudade aumenta
(matar minha sede sempre passa pela tua boca)


Disfarces e procuras

Parece que a chuva chega sempre no momento do pranto,
Ela confunde nossas lágrimas, atenua nossa dor e a paixão perdida corre como água, ensinando que é preciso muito navegar para se encontrar o amor.


O passado


O passado bem de manhã pede pão, quer sobreviver, toma café para não dormir
O passado passa manteiga na torrada e come sem pressa, e dá várias mordidas...
No pão dormido de ontem...


A Quirina

Quirina transforma a folha em barco e assim faz poesias e viagens.
Procuro Quirina em outros braços.
Quirina tão amiga, tão companheira. Nenhuma outra Quirina me amaria assim.

Guardo Quirina para longas conversas e ela em frases curtas me detona, alucina...

(Meu poeta, podes escolher tua Quirina... Não sabes? Releia as cartas não remetidas que te enviaram...)


Muito mais

Faz vento e parece que sempre eu quero ficar sozinho.
Não é isso.
Quero uma companhia que saiba que quando eu convido para um vinho,
eu quero também dançar, conversar, voar sem tempo.


O que te espera

As luas bebem chuvas no momento em que choro, confundem minha dor, confundem minha alegria, transformam amizade em amor e definição em alquimia.

E eu espero que a noite vire tarde e o tão cedo seja um soneto, acompanhado do café da manhã e de uma rosa.


Assim

Tem uma taça de vinho
Encostada na lua cheia
Ela pensa em mim
Eu penso nela
E a noite continua,
Com uma caneta na mão

Bate

ME BATE um choro, me bate o mundo, me bate saudade, sentimento profundo,

ME BATE a vida, me bate o vento, me bate um beijo, e também um lamento,

ME BATE a dor, me bate uma lembrança, me bate um desejo, me bate uma dança,

ME bate um vinho, me bate tua boca, me bate um silêncio...

decido vou roubar, só pra mim, tua boca


Um que

Ainda tem um que
que eu nem sei dizer, mas tem
um haver sem entender
um querer sem acontecer
um que
que passa pela garganta
que é dor e ao mesmo tempo prazer

mas tem...

Tua viagem de setembro

Veio à Ilha e não viu a cor dos olhos de novidade
Afastamento não quer dizer distância
Afastamento é não querer estar perto
Esquecer agora é a forma de encontrar a felicidade
E a dor disfarçamos com versos bonitos

Tuas explicações estavam contidas nas frases já antigas
E eu não quis lê-las
Nem ouvi-las
Porque meu coração não queria ver o que meu corpo já via

Pois naveguemos e o espaço entre nós agora
Pode-se chamar distância

Claridade

Mesmo sem estrelas no céu,
quando tenho tua boca
fico claro

Tormenta

A felicidade compreende a tormenta,
pois será ela que lavará o nosso rosto
para fazer o nosso mundo acordar

Repouso

É a forma para que não se desista nunca
Uma reparação
Mertiolate no arranhão
Compressas n’alma

É a forma para que se recupere o perdido
Um achado
Chá de limão
Massagem no corpo

Tentação de Primavera

Eu tento o tempo
Tua boca me tenta
O destino para
Eu vento
Teu sabor é menta
A razão não tem mês
Eu lembro
Mas meu amor
Aflora em setembro

Despertares

Acorde o feitiço que nos fazia tão bem
Além de tudo, além do mar
Existe um tudo meio “sei lá”
E ele é um setembro que sempre vem
Colorir agosto passado
E com o passar do tempo, muitas vezes, o que está tão perto, do lado vira inquietação...
Vira passado...


Teu amor é importante qualquer que seja o mês

Bem que um dia eu tive
Mal que nunca terei
Escolher é um verbo livre
O amor é um jogo que já joguei

Janeiro é quente, é paixão
Adoro agosto em dezembro
O calendário passa correndo
Todos os fins de tarde serão de setembro (tomara)
Beijei tua boca no verão de 2000
Era setembro em abril
Mas isso não importava
Veio a chuva e o amor sumiu

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

* AGOSTO de 2009 - Vida a gosto

Do tamanho do que eu sinto

Tem horas que a vida parece um não ter jeito nunca mais
Nem tem saída, não tem meio termo, não tem palavra
Uma disritmia louca, de boca seca, de paralisia, de bode
A tristeza vem, acumula, toma conta, asfixia, crava
Fura feito punhal, sal na ferida, céu turvo, mão desvalida
Meio do oceano e foram-se os remos, e foram-se as calmarias
As sinais sem finais felizes, os finais sem beijos nem sorrisos
Falta vinho na garrafa, falta teu corpo na cama, falta a chama
Tem horas que a vida não passa, que o tempo não passa, que a paixão não passa
Não tem resposta, não tem quem goste, não tem quem venha
Vem um vazio, tamanho de rio, correnteza e frio
Uma fagulha e o olhar tenso de um facho de lenha
Um calafrio que não me leva a tua silhueta e provoca a solidão
Fim de feira sem maçã para pecar, alimento que faz gostar
Como uma loucura intensa que frequenta e cutuca a pouca sensatez que resta
Como uma sexta-feira em que se entrega toda a esperança que o calendário há de melhorar

Sabores

Na manhã de café sem açúcar
Que sabor o sol terá?
Margarina e insônia no pão
Será que o destino também vai passar?

Dor

Dói
A alma
O corpo
Perde-se a calma
Vê-se o osso
Que trinca
Pede-se um pouso
Que voa,
Que lateja,
Que acompanha cada lágrima
Que nunca me abandona

Despertar

O latido de um cachorro ao longe acorda o mundo
A vontade morde os lábios
O mar invade o muro
E minha esperança com a boca cheia de vinho diz que a felicidade virá
(e hoje eu já me acredito)

Vazios

Do tamanho da sede quando bebi um mar
Um deserto e uma rede vieram me apanhar
Um banho de águas que eu não naveguei
Um céu aberto de asas livres que eu não voei

Um não entender que esclarecia tudo
Um gritar num estalo que me fazia mudo
Uma vontade que eu tinha e não desenhei
Uma vida que não era minha e eu aceitei

E os anos passaram remoendo sonhos
E os sonhos passaram devorando os anos
E eu não vi o que tinha feito da minha vida
Agora acordo sem ter cor alguma para desenhar meu quadro

Mas prossigo a leitura

Dos versos

Sei o que Florbela sentia
Sei das loucuras de Leminski
Sei da solidão da razão de Quintana
E do corpo doido que encantava Drummond

Por isso entendo os uísques de Vinicius
E os fumos entre os dedos da tabacaria de Pessoa
Sei o que minha dor descreve
Pois sei que a poesia
É uma dor que também rima


Navegações

Sou mar e converso
Como se tu foste a embarcação que sonha
Quais serão as águas que banharão teu nexo?
Qual será o porto que abrigará meu sal?
Inundação é uma paixão que molhe os lábios


Limite

Limite é uma linha que se enrosca no destino
E tece colchas e tece cobertas para aliviar o frio do menino acaso
O barulho do mar me faz esquecer o barulho da minha vida


Receita

Amor de a gosto
As vezes vem com pimenta demais,
As vezes falta sal,
As vezes tanto fez,
E as vezes tanto faz,

Não acredito em receita de amor


Queima e vida

Mil vezes morri sem sentir
Que a vida queria me dar uma chance
E cada morte e a cada dor
Eu via uma parte de um mundo queimar
E hoje sei que minhas mortes me fizeram viver e
Quando queimei me iluminei por dentro
E pude ver que eu poderia viver de verdade

Queima e vida II

Toda a solidão do mundo sinto e aprendo a viver com toda a solidão do mundo
E assim quando não existir mais a solidão terei prazer em ficar também só

Meu olhar

Tenho hoje olhares que nunca senti que teria
Um olhar tão meu
Que muitas vezes me dá agonia

Um olhar que é o meu norte
A minha vontade
E a minha alegria

Como vivi tanto tempo sem este olhar?

Distração

Cheguei nem vi
Não dei bola
Nem dei razão
Ela me deu um beijo na boca e disse
Que estava chegando o verão
A vida começara ali
Num beliscão

Gaivota

A gaivota me reconhece
Onde andará ela, suas asas me perguntam
Ela voou... minha amiga gaivota

No Blues

Se afaste
Arrede
Sou reds
Minha paixãoé linguagem
E é vermelha
Mas adoro B.B. King e John Contrane

Os mares

Quase que “um morrer” vi naquele mar que afogava luas
Porque mar, meu amigo, também mata
Por mais maravilhoso que seja seu existir

Era náufrago de “mim”
Vivia “me” procurando
E de tanto nadar contra a correnteza
Acabei “me” achando

A rua

Tem uma rua que era tão minha
Que eu com desejo ladrilhava
Com pedrinhas de brilhantes e com luares
Ela iluminava o que via

Era tinha nexo
E tinha poesia

De repente já não mais andar nela eu podia
A rua não era tão minha assim e eu não sabia


A multidão

O que eu não vi
Toda a multidão viu
O que para mim era completo
A multidão a tempos, dividiu
Tinha rasgos àquele cobertor
E passava o frio


O ornitorrinco

A ausência é um ornitorrinco
Estranho, mas existe

A ausência não avisa que chega e chega

E o ornitorrinco nisso tudo?

Vai pesquisar, Quirina


Todo o tempo do mundo

Todo o tempo do mundo é pouco
Quando todo o tempo do mundo não conta
Porque todo o tempo do mundo só vale quando se quer entender todo o tempo
do mundo como se fosse todo o tempo do mundo sempre pouco
As medidas são invenções dos limites
E todo o tempo do mundo pode ser tudo ou nada


Virá

Dançava uma lua
Despertada por um amor que eu sonhava
E sempre no fim de uma rua
A esperança do querer se aproximava

Sem ver
Sinto que já vi
Porque o sonhar é um jeito de se redescobrir

Navegação

Destoa agora meu mar
De tudo o que outrem pensava
Ser navegação
Sem escutar a bússola
Procurando se perder
Tal qual uma canoa
Procurando se encontrar

Insônia

Viro a rua
Viro a mesa
Viro bicho
Viro copos
Viro xícaras de café
Numa noite já tão acessa

Mergulho

Em meio a um afogamento
Para disfarçar, mergulho
A inundação da minha sede
Um dia secou meus sentimentos
Espero agora novas águas

Consequencia

Já se faz vento
As velas vão para o mar
Fugir é uma correnteza
É hora, pois, de remar

Consequencia II

Já se faz silêncio
Escuta-se somente o vento
Gritar agora é uma vela
Que tem medo do tempo

Reza - (vai virar música)

Tem uma reza
Que preza
A lua posta
No mar
Bruxas e suas danças,
Vassouras e cirandas
Partindo pra navegar

E bem no meio da madrugada
Com flor de laranjeira que vinga
A moça apaixonada
Esquece da sua vida
E olha pro céu e pede
Resposta pra sua mandinga

O amor precisa de reza
O amor precisa de reza
Nunca deixe de rezar


O aparelho

Deveria existir um aparelho que medisse maldade. E que quando chegasse a um ponto que estivesse insuportável ele soasse uma sirene e guardas, treinados exaustivamente, retirassem essa pessoa da convivência das outras. Sei que o leitor deve estar pensando: Onde colocaríamos tanta gente?

Resolvendo esse problema, o aparelho seria um bem para a humanidade.
Por que nunca vi, em tempo algum, tanta gente querendo o mal para os seus semelhantes. Rasteiras, armadilhas, fofocas, pisões, ofensas... enfim, o aparelho ainda não existe, mas sabemos quem são as pessoas que precisariam dele, então, afaste-se delas.

Tarde

Lá fora é tarde
Aqui dentro na sala
A vida arde
Desenho a tela
Com mertiolate

Cicatrizes contam histórias
Esparadrapos vestem as feridas
Quando tudo parece morrer
Aparece teu sorriso

O destino assopra


Andar

Todo o andar que eu não tinha
Todas as palavras que eu guardei
Toda a emoção que era minha
Todo o cantar que eu calei
Agora são a minha vida
Que por amor resgatei


Trechos da dor

I
Há uma dor que eu não sei nem contar.
Que entristece meus movimentos, meu rosto, me adoece por dentro, me faz esquecer o que eu achava que era mais do que tanto e que nunca iria morrer.

II
Quero um amor que me faça sorrir, que tenha tintas de colorir passos, que me provoque acasos e liberdades, que faça “me permitir”, que me deixe voar e tenha voos e que voemos juntos inteiramente.

IIISei que os encaixes estão se aproximando à minha vida, está no ar, não sei explicar e minh’ alma já admite que posso redescobrir a exata sensação de um sentimento que me fazia navegar e que tinha como porto, literalmente porto, a felicidade. Redescobrir pode ser um mudança total, uma cor nova no olhar.


O silêncio

O silêncio é uma lâmina afiada
Horas mortas
Segundos eternos
O vazio ressaltando os tic-tacs

O leite de ontem, talha
A palavra não dita, corta
E o arame
Que prende a razão, desfia
E tem queda por uma navalha e também se dobra


Lavação

Há tanta chuva
Em meus olhos
E a vida, ainda, venta
Mas vou lavar minh’alma
Na tormenta


A “fumacinha”

A chuva fazia arder meu coração
A paixão fervia
O amor virava uma “fumacinha”


O varal

Nuvens carregadas passeavam num céu azul
Roupas da vida no varal e o destino andava nu
Vislumbrava-se naquele momento um grande banho de chuva


O passado

Parece que toda a chuva do mundo
Caiu agora sobre meu corpo
E além das escadarias e das almas
Lavaram também minhas antigas fotografias


A previsão

A previsão do tempo informou ontem a noite
Que no sul choveria...

Aproveitei o bom tempo que ainda havia
E lavei minhas poesias na pia...

Acordaram bem secas...


Tempo

Tempo fechado
Futuro do pretérito
A terceira pessoa do plural
Está em débito
E o pretérito mais que perfeito é ficção
Ou um grande erro de conjugação
Quantas pessoas moram num par?

Canoando

Ando canoando por ai.
Alguns ventos, algumas velas.
Sopros numa imensidão
em que as vezes me perco.

Ando também escrivinhando
nos muros altos que não
me deixam ver o outro lado.
Estou a escalá-los com versos
e cantorias.

Ando, vez por outra, compondo
vinhos em garrafas com mensagens
dos Nicanores que permeiam
nossas páginas de vida.

Enfim... minhas embarcações agora
já me levam por onde eu quero.
O que já é uma vitória, Nicanor.

Adorei a notícia do trio.
Gostaria muito de ver um ensaio, caso eu possa.

Outrossim, preciso dos meus rabiscos que contigo estão.
Estou a selecioná-los... quero um livro agora, também.

Ah... Nicanor, os vinhos secos tintos chilenos desenham minhas noites....

Forte e saudoso há braço



Viagem

Quando viajo me perco
Quando me perco me acho

Diário de Bordo - Primeira Parte
Partida Florianópolis 30.07 23h
Chegada Porto Alegre 31.07 05h15m
Partida Porto Alegre 02.08 16h30m
Chegada Florianópolis 02.08 23h30m
Poesias escritas em Porto Alegre
Ganzo - Casa da Márcia, minha irmã

Viagem para escutar o que já estava escrito...

Os rasgos de um corpo feito Porto. (ou a primeira crônica de muitas que serão escritas em Porto Alegre)

A minha segunda preocupação quando da viagem à Porto Alegre era se eu “gostaria” de Porto Alegre. E gostei imensamente. A primeira preocupação que incomodava todos os sentidos era se Porto Alegre “gostaria” de mim.

Andei por suas ruas, vi seus sorrisos, vi seu sol e sua chuva e principalmente uma fala que vinha das pessoas e era toda a linguagem que eu entendia. No final da manhã de domingo Porto Alegre disse-me que também gostou do que via e ouvia. Fez a ponte e por Redenção recuperei ruas dos meus sonhos e “talvez do meu repouso”, já diria Quintana.

Os rasgos das palavras provocaram intenções que há muito tempo ardiam, que passeavam em minhas veias, que de todas as maneiras possíveis tentavam fazer meu corpo e minh’alma despertarem.

Aqui pude ver e sentir a força real desses rasgos e o que eles poderiam fazer por mim. Porto Alegre teve paciência e calma comigo, me abraçou quando devia, me cutucou quando viu todo “o precisar” latejar feito ferida aberta. Algo mágico aconteceu. Talvez realmente a Ilha precisasse de um Porto, talvez as asas que possuía uma vida inteira quisessem esse pouso.

O “Alegre” do “Porto” faz sentido agora. A distância desapareceu. As cores de que me falavam, as boas bocas, é claro, estavam ali e acolá e me levavam por suas ruas.

Tenho endereço aqui, posso morar, me hospedar, posso me permitir, posso sonhar, tantas águas e um só Porto de braços abertos, de um cais que me fez sorrir, como há muito não sorria.

Por que não vim antes? Mas tudo tem a hora certa, a viagem correta, a melhor hora do beijo é a hora que as paredes enormes e grandes e brancas e infinitas encontram uma caneta para riscar, desenhar, percorrer, amar – feito as paredes do Museu Iberê Camargo, feito o café que tomei às margens do Guaíba e que por incrível que pareça tomou mais conta de mim.

Preparem os passaportes gurias... Quirina, Dolores – Porto Alegre é demais.

Os naufrágios

Os naufrágios do nosso destino
Nasceram meninos
Com sonhos tantos
E embalaram risos
E entoaram cantos
E deixaram felizes tantos corpos
E se encontraram tempos depois
Nos Portos d’alma

O tempo dirá

O tempo dirá ou poderá dizer
que o tempo passou e passou também o meu querer

Redenção

E meu amor estava ali
Ao sentar em teu parque
Vi toda a magia que havia
Mas amor é camaleão
E hoje a Hercílio Luz não tem caminhos para a Redenção

É amor

Tenha certeza
Nada poderá ser assim
Senão quando é tudo
Conversas iguais as nossas
Mesmo sendo “camaleonas”
São realmente as donas e as escritas
do nosso destino
É guardar para ler daqui algum tempo


Frases e rasgos I

Usava alvejante na alma
E ninguém via a tristeza contida

Frases e rasgos II

O calendário de outono
são folhas sem dono

Frases e rasgos III

Pela maçã do teu rosto
eu esqueceria qualquer paraíso

Frases e rasgos IV

Minhas limitações eu coloquei agora
no frasco das inverdades

Andanças

Andei pela manhã nas ruas que Mario ainda anda
Nas ruas que meu amor passa
No Porto que eu sonhava e agora vivo

Na mesma manhã que a impossibilidade
Transformou-se em beijo
E por tanto desejo a conversa ganhou corpo
E o sentimento, alma


Trechos

Andei por Porto Alegre como quem come algodão doce e se lambuza...

Porto Alegre me alegrou muito.
Entendi porque é Porto e fiquei alegre
como tal.

Arrepio não quer dizer frio.
Porto Alegre tem algo que emociona, esquenta e encanta.
E mora no ar.

Estou necessariamente surpreso aqui não estou preso


Coisas de marinheiro


Se o amor mora no Porto...
Banhe-se

Estou em casa, sensações de sempre num lugar que vi tão pouco


Trechos

As esquinas desse Porto têm gosto de cais


Mudança

A ilha sabia que precisava de um Porto.
O que era postal virou retrato.