domingo, 4 de agosto de 2019


Rabiscos

Precisamos nos perder mais.
Os dias de tempestade e a falta de bússola, na maioria das vezes, nos ensinam caminhos, não que eles sejam os melhores caminhos, mas precisamos passar por eles para aprender. E aprender não é acertar tudo, ou não errar, muito pelo contrário. Envolva-se com os detalhes, com o simples, gotas são também partes do oceano.
Vamos nos perder para nos achar e se mesmo assim continuarmos perdidos vamos tentar. O ódio virou jeito de viver, e o que dá jeito para tudo é amar.
Minhas palavras, tantas vezes, não conseguem chegar onde quero e não tenho certeza que são compreendidas. Sigo a tentar, e me despedaçar, a me juntar, a me reerguer... assim procuro dentro de minhas loucuras a coerência utópica de querer se encontrar...
Amigos, precisamos nos perder mais.



Rabisco

Não quero inventar a felicidade, também não passa por minha cabeça escrever um manual de como se faz ou não se faz... tudo aqui, de repente, é tão rápido, é tão curto, é tão depressa... então não priorize os problemas, veja o que existe no coração e dê voz a ele... simples como bolinho de chuva recheado com banana e com àquele café da vó e uma musiquinha do Lupicínio e do Cartola lá no fundo... A poesia quando estala é franca, não estanca e ela grita... talvez a felicidade precise de estalos e beijos com gosto de tardes de sextas-feiras... o sol nascerá amanhã ... tenha certeza... confabule com a felicidade todo o dia... dentro de mim mora o que penso ser feliz e estou atrás disso... e todo dia entendo que o despertar é um riso intenso... sem nenhum ódio escondido...


Passeia minha saudade em teus versos... uma sedução de palavras que permeiam todas as tuas cores... teus janeiros intensos e teus agostos de friagens... fumacinha de bocas... linhas na busca de pipas e de tecidos que nos abrigarão do frio... saudade é assim... um cobertor curto... que deixa os pés de fora e o coração no mundo...

segunda-feira, 29 de julho de 2019


Estio

Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.



O menino

Nada agora pode causar surpresa
a não ser aquele velho menino
que entende que seu "carrinho de lomba"
o levará para qualquer lugar...

Sopros

Todo o andar precisa ser inteiro
Embora inteiro seja uma questão
Também de quebras

Encaixes são passageiros
E eternidade é uma folhinha amarelada
De um distante janeiro

Entendamos os sopros, a vida que vem e cutuca
Entendamos que o hoje é para ser vivido sempre
E na hora de amar de verdade não use luvas

Sê inteiro como a poesia de Pessoa
E simples e tão grande como Coralina
Faça brilhar em teus olhos tuas meninas


Inquietante
Quem procura
O abandono
Intrigante
Que poderá ser cura
Alucinante
Que poderá ser sono

É importante compreender
A solidão

As linhas que são inquietas
Também são as linhas que procuram a direção

Sou pandorga sem outorga
Meio prostituta dos ventos
Entendam o que eu digo
Não me façam remendos
Não me julguem
Sejamos nos sentimentos, atentos



Guarda meu grito
Ele é teu
Confiei meu grito a ti
Por que amo-te
E quero que saibas de tudo
até as palavras que digo quando fico mudo

Amor é tudo isso
com ou sem conversas
sempre com versos
que moram nas entrelinhas



A dor

Toda a dor
Tem um “que” preciso
E precisar, muitas vezes,
Pode ser não tão exato

Tem a dor que vem para o recomeço
Tem a dor que vem de um beijo, de um abraço
Tem a dor que é somente para saber
Que dor existe, ás vezes, sem querer

Toda a dor
Tem um recado, um toque, uma mensagem
Um banho de água fria, ou uma massagem

Toda a dor
Tem um lado obscuro, um urro, um desprezar
Mas por outro lado a dor faz nascer um cantar
Numa perdida frase, uma cachoeira, uma catarse
Tem a dor que é somente para saber
Que dor existe, ás vezes, sem querer




Exatamente impreciso 

Um rasgo em meio ao tecido
Uma fenda sem palavras a fazer grito
Um eco seco num deserto árido
Como se o tempo já me houvesse dito
Alguma coisa passada a limpo com rasuras
Um entardecer encardido apaixonado pela q-boa
O paraíso a forçar maçãs e ranhuras
Cafés enlouquecidos pela falta de broas


O cerco possibilita o caminho
O circo necessita de palhaços
O certo precisa de compreensão
O curso do rio poderá ser desviado
Mas o caráter não



Na minha escrita mora também minha dignidade.
Uma não vive sem a outra.


O verbo Mar quando bem conjugado é de encharcar


domingo, 28 de julho de 2019


Aguaceiro                                                  

Alma de barco ligeiro
Fonte de delicadeza
Meu destino navega
Nas águas de um distante janeiro
Amores e águas passadas
No meu coração aguaceiro
Amores e águas passadas
No meu coração aguaceiro

quinta-feira, 25 de julho de 2019


A tormenta beira minha boca
Um afogamento premeditado
E barquinhos de papel
Numa ladeira louca
Me espiam feito um vagabundo

O naufrágio é quase certo
Mas é tão preciso resistir
Condenam o caminho por ser de todos
E aplaudem tiros para poucos servir

Eu tenho um amor dentro de mim
E guardo bem guardadas suas asas
E sei que se precisar
Tenho os endereços dessas casas

Rasgaram meus escritos
Na tentativa do meu calar
A tormenta beira minha boca
Se for para resistir me deixarei encharcar




Amor envolvido

Amor não tem tamanho
Amor não tem idade
Amor pode tudo
Quando amor é de verdade

Amor de todas as maneiras
Amor em todos os sentidos
Amor agora ou a vida inteira
O que vale é o amor envolvido

Amor por si só
É tanto
Amor por ser
É canto
Chegadas, paradas, partidas
Amor é a própria vida

Como amar o mar
E algumas vezes
não naufragar?



Levas

O andar que leva o tempo
Na leva que o tempo escolhe
Da semente que leva o vento
Até a esperança que a gente colhe

Na fé que alimenta o passo
Na luta que forja o momento
No querer que traduz o abraço
No tentar que descreve o tempo

O tempo quem escreve é o jeito


Exatamente impreciso 

Um rasgo em meio ao tecido
Uma fenda sem palavras a fazer grito
Um eco seco num deserto árido
Como se o tempo já me houvesse dito
Alguma coisa passada a limpo com rasuras
Um entardecer encardido apaixonado pela q-boa
O paraíso a forçar maçãs e ranhuras
Cafés enlouquecidos pela falta de broas

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Mas...ou Mais...

Eu ando a querer ser inteiro
Mas resvalo na inquietude
Eu ando em cacos...
Tem horas que eu desenho Van Gogh
N´outras rabisco
Meus pedaços...
Eu ando a querer ser inteiro
Capa de super homem
A defender tudo
Mas meus gritos
Se perdem nos espelhos
Quando o destino fica mudo...
Eu ando a querer ser inteiro
Mas vem o abraço da ansiedade
Meu peito explode...
Em meu leito dorme a insônia
Penso em equações, duvido do quadrado
Que teu amor me acorde...

Dos perigos

U´a alma escancarada é um perigo
Eu não ligo
Sofro mais aqui e ali
Mas vivo