quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ando inteiro nas chuvas
Por que para andar 
é preciso se encharcar
o que se faz pela metade
é fácil de descolar
a intensidade é caminho
que o amor gosta de ficar
Um texto antigo...
Considerações sobre sincronicidade, afinidades, borras de café e afins. (2010)
O café possibilita o entendimento. Enlouquecestes, Dike? Não, muito pelo contrário. Caro leitor, o café tem olhos. Por um bom café perdemos o sentido de tempo e espaço. Minhas considerações com o café contemplam pão de queijo e bem-casados (um doce da minha terra)... rsrrsrsrsr... Não temos jeito mesmo, fazer o que, né? Mas pense: para que tanto jeito? Muitas vezes a vida se apresenta desajeitada, fora de foco e de repente tudo se ajeita... E vem o destino menino levado e pinta e borda e colore e faz roteiros tão bonitos e de repente nos serve um café. Responda-me dona Vida, qual o limite de um coração apaixonado? Em considerações já escritas eu comentei: existem momentos e pessoas que não podem nem devem ser esquecidas... Elas estão presentes, fazem parte... e é bem isso. Existem afinidades que vão muito além do entendimento. Explicar? Deixa assim... O amor é sincrônico e também, algumas vezes, é totalmente incoerente e essa mistura é o que faz dele a mola propulsora de sonhos, conquistas e sorrisos. Eu sempre guardei o amor num lugar especial, pois sempre o prezei e o respeitei muito. Ele, definitivamente, sempre esteve e está ao meu lado.
Respire fundo
Escute meu respirar
Assim como se fizéssemos
Um beijo no ar, 
Um beijo assim
Em qualquer lugar
Que seja Japão, Afeganistão, Lagoa, Bom Fim
Amor tem que fazer sorrir,
Fazer voar
Sinceramente
Amor tem que fazer respirar
Respiração é sorriso
São tantas águas nas margens do que chamam deserto
Que tenho certeza que o querer é porto do meu navegar
E mesmo em tempo de estio, de seca, de falta de bússola
Vejo teus olhos e encontro todo o mar
Todo o andar cantante
Nasce do canto verdade
A tristeza é passante
A felicidade é claridade
A resposta vem do tempo
Que é o senhor da razão
Vela aberta recebe vento
Amor abre o coração
A medida, cada um tem a sua
Como cada qual tem o seu canto
Cada sol tem sua lua
Preencha tudo com o seu tanto

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando a exatidão descobre que a surpresa é fundamental


Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos dos beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade

São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Sempre  

sempre é uma chuva que não cai sempre
molha aos poucos e desaparece sem aviso
sempre é um caminho que não está no mapa
e anda aos poucos e desaparece na estrada
sempre é um menino de nome acaso
que beija sempre a menina de nome talvez



CENAS DO COTIDIANO
Bergamotas

Tempo nublado, sem chuva, mas choroso. As linhas do quando lavam almas, desenham nuvens e encantadoramente rasgam comentários embalados com a previsão do tempo. Enfim, detrás da nuvem um sol e uma lua beijam-se.
Vi uma cena linda, ontem, no centro de Floripa, perto do Terminal, quase na Conselheiro Mafra. Um menino de uns dez, onze anos no máximo vendia bergamotas. Simpático, atento e envolvente. Ele chamava os fregueses assim: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.
Era isso ou quase isso, o importante é o conceito, diriam meus colegas publicitários. Vendia muito o guri. E além de vender passava alegria a quem ali passava. Eis que surge uma senhora, humilde, roupas velhas, mas bem vestida, entendes isso, leitor? Claro que sim. Ela aproximou-se do vendedor de bergamotas e perguntou: “É doce essa bergamota?”. Ela não tinha dinheiro, era visível isso.
O guri com olhos de bondade e gestos harmônicos, entre o sorriso e a compaixão, olhou bem nos olhos da senhora e respondeu: “Prove”. Ela, já com os olhos marejados, falou baixinho: “Eu não tenho dinheiro”. Ele fez que não escutou. Ela descascou a fruta. Ele continuava a vender as bergamotas.
Ela comprovou toda a doçura da fruta e do momento. Ele colocou mais quatro bergamotas num saquinho e deu nas mãos dela. Ela sorriu e saiu “devagarzinho” com um sorriso que encobria todo o seu rosto. Ele sorria ainda mais.
E continuou a vender as bergamotas: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.
É preciso olhar a vida com olhos doces. Quem viu a cena que eu vi, com toda a certeza do mundo ganhou o dia e aprendeu muito com àquele guri.
“Olha a bergamota” – mas olhe de verdade.
É minh’alma que diz,
É minh’alma que num silêncio te desenha,
É minh’alma que navega em tuas águas,
São tão nossos, nossos momentos...
Em teus braços sou tão feliz,
Em meu coração a todo instante soa “venha”,
Longe de ti o tempo é triste, a lua é lágrima,
Uma febre, um calafrio, um suor, um batimento...
A falta grita tendo a sacada como moldura,
Uma tela que espera ser desenhada,
O paraíso agora começa a ser explicado,
Quando ouço teus passos a subir as escadas...

terça-feira, 2 de junho de 2015

Dizeres

O amor deve regar à flor da pele
Por que o que arrepia, cutuca, aproxima
É uma cachaça, uma ambrosia
Um sentimento que dá gosto, alegria
Que provoca o querer, alquimia
Que remexe, bole, mistura

Que dói, que deixa a face rubra, que cura

terça-feira, 26 de maio de 2015

Declaração rasgada sem tradutor e sem vícios de linguagem  

Falamos a mesma língua...

Beijaria a tua eternamente...

sábado, 16 de maio de 2015

O amor sempre foi e sempre será meu alimento... um vento bom que se instala e move velas e corações... acredito que os homens um dia deixarão de apenas ver e comecem a enxergar... acredito na minha coerência e no que perco materialmente por ser assim... mas estou bem tranquilo... de cabeça erguida e de alma livre... talvez um dia eu seja melhor compreendido e minhas linhas sejam realmente interpretadas... talvez o que quero seja utopia, mas vou lutar sempre...

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Só para esclarecer

No meu coração cabem tantas coisas...
Luares, cantares, mares
Olhares solares
Bocas cantantes
Pessoa, Cecília, Quintanares
Só o que na cabe
Só o que a mim não cabe
É que me digam o tamanho dos meus sonhos
Isso é só meu

Grato aos meus “amigos“ que entendem que manhãs chuvosas são preciosas, pois fazem crescer sonhos e rosas e novas manhãs.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

As linhas que beiram os cobertores 

sabem e já moraram no frio

por isso cosem com atenção

atentam bem aos pontos

julgam ser alma tudo que seja coração

nas noites de muito frio

o que vale mais é a lembrança do feitio

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Acordes e outras canções

Passo o dia, 
canso o pé, 
minha poesia 
em goles de café
Acordes, menina dos olhos, 
pois ao teu lado sempre estou, 
traz agulha, renda e linha,
pra costurar o que rasgou
Quanto a exatidão descobre que a surpresa é fundamental


Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos dos beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade

São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado

terça-feira, 28 de abril de 2015

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Saudalejar

Seu nome saudade
Menina de seios rijos
Pouco ou nada de juízo
Cheiro de leite
Sabor de flor
Seu nome amor
Menino de dentes livres
Brancos que um dia eu tive
Cor de mar
Imensidão de grão
Seu nome paixão
Mulher de lábios fatais
Afã de talvez, clã de jamais
Música de cor
Verbo “saudalejar”
Conversas

Ainda assim, acredito em minha varanda, em minha rede, em minha poesia... acredito que tudo é simples demais e complicamos tudo. Ainda assim, acredito em andar de mãos dadas, em dormir de conchinha e outras posições de encaixes. Ainda assim, sigo a buscar, a "me" perder, a "me" encontrar e, tenham certeza que o tempo passa rápido
demais e precisamos aproveitá-lo com muito amor, em todos os sentidos. Ainda assim, continuo a passear na praia, a escutar as gaivotas e a todo o momento resgatar o menino que mora dentro de mim. Às vezes me pergunto se estou no mundo certo. A resposta vem rápida: com certeza, não.
Absolutamente


Tem dias que eu sou cantante.

N’outros o silêncio bate.

E na forma mais errante.

Beijo de mercúrio em que me arde.