terça-feira, 25 de novembro de 2014

Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja
inocente...
Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina

quarta-feira, 19 de novembro de 2014



De novo não estás aqui
Eu faço de tudo para que mesmo assim estejas
Loucura da não presença que acompanha
Que me almoça, que me janta, que dorme aqui

Meu coração mistura-se com o título
Minha poesia, ofegante, bebe num gole só um copo de lua
A vontade minha era estar na sua...

na sua vida

na sua linha

na sua rua




terça-feira, 18 de novembro de 2014


Para Leminski

Tudo que é correto demais
Desalinha o mundo, a reta
Um trem fora dos trilhos
Vê coisas que não veria
Se estivesse sempre nos trilhos

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Aparências

A tarde tropeça no dia
Mas quem cai é a noite...


Hummm....

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

SAUDADE

Saudade é um tempo tanto feito de fatias de imensidão
Uma música de Marisa Monte, uma taça de vinho e outra taça de solidão

Saudade é querer estar toda a hora, todo o dia
Fatias de poesias no Café Coração
Um filme de Fellini, uma música de Buarque
e de quebra sonetos colados no portão 
Dizeres

O amor deve regar à flor da pele
Por que o que arrepia, cutuca, aproxima
É uma cachaça, uma ambrosia
Um sentimento que dá gosto, alegria
Que provoca o querer, alquimia
Que remexe, bole, mistura

Que dói, que deixa a face rubra, que cura
Crônicas de um mundo bem contemporâneo           

Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples
e se ajeita
O olhar mexe com o corpo, arrepia a alma, aquece o mais do que o tanto...
A cor do tato desenha o corpo, redescobre a alma, expõe o mais do que o tanto...
A boca umedece o corpo, acalenta a alma, deseja o mais do que o tanto...
O amor é a refeição do olhar, do corpo, da alma e do mais do que o tanto...

...
A alma tem em sua face um luar... claridade,quase uma febre, que nos acende por dentro... o amor tem alma, muito mais do que corpo, o amor é querer estar junto mesmo na distância, o amor sempre aquece nosso rosto, feito um sopro

...
O coração explode... um arrepio grita teu nome... a esquina foi tatuada com minha sede.... e tua ausência me dá fome

...
Intensamente foi a forma que descobri para desenhar palavras
Os interruptores d’alma são toques que aceleram o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração
O resto é vento...

...
Tudo pode ser uma questão de dizer nada.

...
Já virei a página sem ter entendido o livro. (Meu amigo, amor não é adivinhação)...
O que intriga não é a briga do mar com a areia.
O que me intriga é a estrela,
que depois de conhecer o cais virou sereia...

...
Minha ‘alma ensolarada toma sol,
café, come pão de poesia, bebe água e cantoria,
viaja entre broas e Marias...
Mantém nas palavras sua fé.

...
Em que cobertor se escondeu nosso amor?

...
A flor da pele pode não ser rosa.

...
O dia tropeça na tarde, mas quem cai é a noite.
Talvez o amor tenha muito mais que claros segredos...

...
Meu amor é exato. E teu amor é horário de verão.

...
Calor em dias frios, rasgos em tecidos finos, céu de bocas famintas: o grito não atende a previsão do tempo...

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Um conto de sarda


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina


Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina


A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina
Desejo

Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes
Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...
Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja
inocente...

VIAS DE FATO

Tuas palavras invadem meu silêncio e minha casa
Provocam meus gestos e desenham minhas poesias
Perco-me na estranha sensação de não estar no comando do barco

Julgo que perdi minha bússola, meu mapa e, minhas asas
O fato que teu sorriso é de fato minhas reais vias
E falar de amor sem falar teu nome faz o amor vago

Nossa história é história de final feliz e todo mundo sabe
Pois existe uma varanda esperando nosso beijo
O destino atiça, provoca e sempre nos coloca perto

E o sentimento por ser mais do que o tanto não cabe
No significado mais amplo do que seja querer e desejo
Um dia, eu sei, daremos bem certo

Uma noite (Guerra e Paz)

Restam detalhes debruçados numa varanda coberta de chuva
Palavras que não se ajeitam, permeadas de um silêncio inquieto e gritante
Um sentimento que mesmo preenchendo tudo nada pode fazer
Um vazio de imensidão, latente, intrigante, risonho, tristonho, sem fim
Um ponto qualquer entre a paixão e a tormenta que atormenta o ponto da paixão
Um verão encrustado num frio agosto, um rio coberto de lençóis que cobrem a noite
Queria assim mostrar este meu amor constante em cada linha que escrevo
Em cada veia, em cada canto, em cada nervo que lateja e toma forma de poesia
Um amor tão perto, deitado na minha cama, uma chama que contenho na sala
Um não sei que de não preciso misturado com a vontade do beijo lido
Um correr risco de falar só a verdade e a dor de ouvir só a verdade
Uma noite de chuva rompendo a madrugada de um pranto seco
O tempo da gente tem horário de verão quase que frequentemente
Um feitiço feito filme de Àquila, um Falcão perdido numa noite sem o rosnar da fera
Duas garrafas de vinho, sem meio termo, sem meia dose, sem meias palavras
Um todo jogado na correnteza de águas que lavam almas e rostos cansados
Uma tristeza beirando quase uma alegria que bravamente luta sorrindo
Um sol chegando dizendo assim, seja bem-vindo, nessa inconstante água
Nada mais determina, nem finca estacas, nem incrimina, nada mais me estanca
Um guardar que me perde, um perder que quase te ganha, mas não me aproxima
Uma sina, um jeito de joia numa rica mina, uma crina de cavalo no vento
Um não sei que sem tempo, uma rua, uma munição, um destoar de rimas certas
Um lado B sem escuta, a mesma luta sempre, um lado A perdido na faixa riscada
A cilada sem beijo, o querer estar sempre no mesmo instante corpo
Um amor assim tão vivo desesperadamente assim quase morto
Um corte sem facas de nortes, sem fio cortante, sem ilha, sem porto
Vejo-te assim tão perto, sinto teu hálito, teu passar, teu cheiro e não te tenho
A noite passa, a noite passa, a noite passa, a noite passa, a noite passa e chove aqui dentro. Meu sentimento faz que dorme debruçado numa varanda coberta de chuva e um bilhete me acorda de manhã, sem uma linha sequer de esperança. (A esperança é uma linha onde é preciso dar corda e muitas vezes soltar a própria linha; comenta Quirina, com àquele sorriso cínico de sempre). Quirina, Quirina... é bem isso, é bem isso

Do tempo

O amor é um inferno
Um inverno sem roupas quentes
Um terno de linho sem noiva
Luares de noites ardentes
São mares com ondas constantes
Nenhuma igual como a de antes
E tão exato que é de repente
Alguma coisa passante

SECA

Que chuva tamanha que beija a seca,
A minha seca boca
Chuva que molha as roupas do passado
E dá febre
Uma febre tamanha que queima a seca,
A minha seca boca

Uma sensatez louca

A previsão é que a chuva tamanha não pare,

Então; que encharque

Da saudade

O que se faz com tanta saudade?
O que se faz?
Se é teu rosto que eu vejo nas faces de todo mundo?
Se é teu nome que chamo quando chamo todos os nomes?
O que se faz com tanta saudade?
Vontade do abraço naquela esquina já tão distante...

(Quirina lê atentamente a poesia e diz com cara de Quirina: - Faz silêncio...)

Será Quirina?

Um segredo de gaveta e de mar

Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas
Quadrinha “indecente” de saudade

A lua versa
A lua é prosa
A lua ao ler meus pensamentos
Goza...