quarta-feira, 30 de julho de 2014

Colcha de retalhos  

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos

Versos portugueses

É meu cansaço que me ergue
no exato momento em que me falta o ar
mesmo que minhas pernas se neguem
meu desejo me faz andar

Estanca de repente também meus ais
nenhuma palavra, nenhum gemido, nenhum gosto
minhas dores aportam em meu cais
engulo a seco e disfarço as lágrimas em meu rosto

Às vezes para seguir é preciso conviver com a dor
um espinho no pensamento, um punhal preso ao peito
uma luta incessante da escuridão com a cor
como se houvesse pregos em toda cama que deito



































Queimas                                                                                                             

És um toque de quero mais
num sol intenso
que diz "não quero" querendo

as manhãs tomam formas de copos
e bebem minhas poucas palavras

em braile acho tua nuca e a beijo


O acaso

O acaso me protegeu todo esse tempo
Bem em alguns casos
Muito mal na maioria
Mas sei que ele é meu amigo
Pois escreveu lindas histórias
E sempre me contava todas
E me avisa quando o “tudo” não podia ser interpretado
O acaso me fez café na insônia,
O acaso me fez dormir na festa,
O acaso me fez dormir na insônia,
O acaso me fez café na festa




quinta-feira, 24 de julho de 2014

Um conto de sarda

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
O amor é um menino levado
De repente está aqui, de repente está em Marte
Mas quando ele é verdadeiro
Ele é inteiro em qualquer parte
Ai sim, ele só faz arte
Quase

É a medida exata do meu amor.
Do meu amor de toda uma vida.

Minh’alma nasceu com o amor tanto.
Desesperadamente tanto e mais.

Minha vida viveu do amor quase.
Encantadoramente quase e tanto.

Não que isso não me fizesse.
Amar muito e tanto e mais.

Mas por achar que no final das contas,
todas as contas não contariam todas as medidas.

Deixei as histórias dos meus amores mais suaves.
Assim, entre as gavetas, escondidos entre os rabiscos, moram os meus “quases”.

Distância

De novo não estás aqui.
Eu faço de tudo para que mesmo assim estejas.
Loucura da não presença que acompanha,

que me almoça, e me janta, que dorme aqui.
Verbos apaixonados

O que era visto de repente vem e alucina
Mexe, complica, mistura, confunde, liquidifica, intriga, faz rolo, disfarça, chama briga, aumenta, apaixona, diz que fica, depois não liga

O que já era visto de repente transforma e incendeia
Toma forma, encanta, modifica, duplica, espalha, reinventa, faz colo, diz que vai, depois codifica

Viajantes
                      
Parti.
Parte de mim ficou.
E essa é só uma parte da história.
A outra acho que quebrou...
Tudo era tão encantado, como se fosse um reino mágico...
Parti inteiramente em cacos sem quebrar.
Quem haverá de dizer que metade é algo pra juntar?

Tarde demais para interpretações
                    
O fato é que o agora já é tão tarde.
Que o calendário é apenas uma folha de outono.
E cada dia que passa, arde.
Amor não pode virar abandono.

Beijo
                    
Beijo-te num grito
beijo-te além do corpo como se a alma pudesse ter rosto - beijo-te
encontro-te aqui dentro como te encontrei a vez primeira - beijo-te
beijo-te aonde a lua é nascente e nos faz ver a vida inteira - beijo-te
conheço-te ontem como fosse ontem a eternidade - beijo-te
beijo-te aonde os vislumbres transformam-se em encantos - beijo-te
chego a pontos aonde não chegava tão pouco sabia da existência - beijo-te
beijo-te pelo teu toque tua pele teu mar tua presença - beijo-te
agora vejo a paisagem que eu não via e docemente sonhava - beijo-te
beijo-te por te ver inteira - beijo-te
beijo-te por te ver por dentro - beijo-te
beijo-te por te ver - beijo-te
beijo-te além do corpo como se a alma pudesse ter rosto - beijo-te
beijo-te além do tempo como se o sujeito tempo fosse sempre - beijo-te
beijo-te sem vírgulas por ser nosso amor imenso - beijo-te
intenso - beijo-te
devoro-te ao mesmo tempo em que te protejo- beijo-te
encanta-me a sede que tens de bem viver - beijo-te
encanta-me a fome que tens de querer - beijo-te
amo-te enfim - beijo-te
por não ter mais medidas - beijo-te
por não ter mais palavras - beijo-te
pois mesmo no tanto me falta ar por não me faltar mais nada - beijo-te
(e veio o grito como se o todo, o espaço, o universo fosse o grito).

Vias de fato

Tuas palavras invadem meu silêncio e minha casa
Provocam meus gestos e desenham minhas poesias
Perco-me na estranha sensação de não estar no comando do barco
Julgo que perdi minha bússola, meu mapa e, minhas asas
O fato que teu sorriso é de fato minhas reais vias
E falar de amor sem falar teu nome faz o amor vago

Nossa história é história de final feliz e todo mundo sabe
Pois existe uma varanda esperando nosso beijo
O destino atiça, provoca e sempre nos coloca perto
E o sentimento por ser mais do que o tanto não cabe
No significado mais amplo do que seja querer e desejo
Um dia, eu sei, daremos bem certo

Cumplicidade

Quero voar por entre o sol dos teus olhos e a chuva dos teus ais,
Para entender de todo tuas águas, teus risos,
Para colorir de todo o teu cais...
Quero voar por entre a lua nova da tua vida e o mar de ondas da tua indecisão,
Para entender de todo teus sonhos, tuas partidas,
Para colorir de todo tua volta...e teu coração.

...
Amor tem que fazer rir... Abrir um sorriso como quem abre a cortina e vê o sol...

Coisas de guri

Quando eu era guri, muito guri... em Torres... descobri que o mar no quintal de casa era o mesmo mar do mundo inteiro... a felicidade sempre mora perto... é preciso bater na porta dela e dizer “eu te quero"... Coisas de mar...

A lua asa de sonho no céu cor do querer nas estrelinhas nas entrelinhas sem vírgula sem ponto sem métrica algumas palavras soltas formando um mar um reino um planeta a lua mágica dizendo tanto fazendo canto a lua assim feito chuva molhada invadindo o corpo luar certos momentos não precisam de entendimento eles só são precisos o acontecer é um luar que nos cabe todas as fases da lua tem um mar escondido sem vírgulas

Perto (quando a ficha cai)

O amor não tem CEP.
Mas o amor é certo.
O amor pode existir.
Mas só acontece perto.

O menino

Nada agora pode causar surpresa
a não ser àquele velho menino
que entende que seu "carrinho de lomba"
o levará para qualquer lugar...

As desculpas

Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo...
Nunca entendi tantos dedos,
já que eu sabia do que se tratava...
Vez por outra deixavam somente recados,
avisavam que não mais voltariam
e, logo depois, voltavam...
E com elas chegavam outras palavras,
que eu não entendia muito bem seus significados...
Mas até aquele momento,
as desculpas não se importavam com o que eu poderia ter achado...
Algumas chegavam bêbadas,
outras chegavam sem avisar,
e outras tantas  não sabiam nem o que falar...
Nunca me preocupei em entendê-las,
mas entendia o que elas queriam mostrar,
assim ficava mais fácil conjugar o verbo desculpar...
E assim foi quando eu perdi meu par...
Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo,
que me ensinaram de um jeito especial
a verdadeira face do gostar...

As parceiras

Bebem noites,mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.
Viver sem elas seria cômodo demais.
Crônicas de um mundo bem contemporâneo           

Ensaiou uma crônica
deixou um bilhete
pediu gim
implorou uma tônica
ensaiou a bula
escondeu a receita
Quirina é louca
mas aproveita
o sol acorda
a lua deita
a vida é simples
e se ajeita

Pequena canção de um céu da boca estrelada depois de um dia de sol

Abriu a carta, a janela e uma garrafa de vinho branco seco.
Abriu o coração, a caixa de fotos e até a flor do vaso abriu.
(Quirina que passava por ali, abriu um longo sorriso e a noite em que se encontraram ainda não terminou...).
Triângulo

Um dia vieram três,
Certos que seriam dois,
Para formar um.

E quando viram que eram três,
Choraram como milhões,
Que procuram um par.

Sem saber o que fazer com um,
E sem saber quem seria o terceiro,
Resolveram procurar um quarto.

E viveram felizes para sempre,
Os três...

Do tempo

O amor é um inferno.
Um inverno sem roupas quentes.
Um terno de linho sem noiva.
Luares de noites ardentes,
São mares com ondas constantes.
Nenhuma igual como a de antes.
E tão exato que é de repente,
Alguma coisa passante


terça-feira, 22 de julho de 2014

Um conto de sarda

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

Mais uma primavera em pleno verão
Aprendo assim entre jardins e flores
Entre o partir e a estação
Lembro dos meus risos, prantos e amores
Ainda no meu rosto mora um sorriso
Apesar de tudo e das dores
mora numa dimensão
onde as coisas são mais simples
e por poucas pessoas
acreditarem e morarem nela
me sinto, invariavelmente, só
mas a vida me presenteia sempre
com porções enormes de felicidade
claridade é um dos movimentos da felicidade... claridade se alcança quando olhamos para dentro e traduzimos nossas escuridões... encaramo-as com humildade e respeito e com imensa vontade de aprender nos deparamos, de repente, com olhares felizes e caminhos abertos... clarear é ouvir os sinais do coração e fazê-lo instrumento de transformação... assim nossos desejos serão claros...
Era uma Lua que nunca fora lida
que não se enquadrava em nenhuma fase
as outras luas a olhavam distantes
mas, para o Sereno, ela era a sua vida
O Sereno envolto em sua solidão
navegava em horas tão vagas
molhava os campos na madrugada
e olhava radiante aquela lua tão bonita
E numa dessas noites,
onde cobertores de ombros eram tão precisos
acordaram juntos, Lua e Sereno
outrora um amor impossível
Casaram e todas as Luas se fizeram presentes
Vieram o sol, a chuva, as constelações
O Sereno ardia loucamente, a Lua beijava as amigas estrelas
A noite parecia não ter fim, o amor é um luar inteiro
O amor é um menino levado
De repente está aqui, de repente está em Marte
Mas quando ele é verdadeiro
Ele é inteiro em qualquer parte
Ai sim, ele só faz arte
Lembrança é a ferrugem pelo arame da saudade...
O olhar é um grito muitas vezes, um que de salto, um que exato e ao mesmo tempo de soslaio... um raio colorido num céu bonito... um contar de belas histórias, um vento no rosto a andar na moto tempo... redescobrir todas as cores, reformular caminhos, entender todas as dores... a vida é uma viagem entre o cantar e a lida... sigamos, pois o tempo exato é agora, não é depois... o corpo fala... o corpo traduz...o corpo é inteiramente alma... mantenha a calma e seja feliz...