segunda-feira, 19 de agosto de 2019




Luas
           
Repartiram os traumas, juntaram as camas, as coxas, as crises.
Alugaram uma quitinete.
Compraram fogão, geladeira e uma garrafa de vinho branco.
Trocaram olhares maliciosos, penduraram um quadro, contaram até quatro.
Ah! Era quarta.
Beijaram-se muito, muito mesmo.
Perderam o ar, os sentidos e uma pulseira que ela ganhou da tia.
Juraram amor eterno.
Ele, vestiu seu único terno.
E foi tentar, tentar, tentar.
Já era quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, quarta de novo...



Quando a exatidão descobre que a surpresa é fundamental

Baldes de mares teimam em encher dedais
Assim esquecemos os beijos no meio da tarde
Das cartas redigidas a mão

É preciso surpreender
O amor necessita de arrepios e friozinhos na barriga
Amor não tem botão de liga e desliga

Botões que valem de verdade
São os que deliciosamente abrimos para sentir o corpo amado
Aos quinze anos (Como da vez primeira)

Minha pele faz-se papel
Pergaminhos de poesias à flor dela
Arrepios ao ouvir teu nome
Meus poros feitos sonetos de Florbela

Meu encantamento percorreu tantos anos
Mantido intacto, mantido sereno
Muitas vezes disfarçado de abandono
N´outras esperançoso por um aceno

É este amor que eu canto agora
Amor maior de uma vida inteira
Que incendeia, colore, cora
Como da vez primeira

Não é por acaso que teu nome tem Mar
Pois naveguei sem cansar, pois vivi sem desistir
Minhas velas seguiam por sentir teu ar
Lembrar de ti era uma forma de existir


Um conto de sarda

Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina
Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina
A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...
Arte: Carol Salles


segunda-feira, 12 de agosto de 2019


Preciso

Todo o céu esconde uma chuva
E chuva cai para limpar o céu
E linhas erguem sonhadoras pandorgas
E dobras desenham barquinhos de papel

É preciso de água para lavar a alma
E não ter mágoa para limpar o cobertor
É preciso de coragem para manter a calma
E não ter medo para entender o amor

Toda a chuva esconde um céu
E o céu cai para limpar a chuva
E sonhadoras pandorgas sonham com linhas
E barquinhos de papel desenham dobras

A verdade não necessita de luvas

Chuva, sol, lua e mar

A chuva era uma moça fina.
Cheiro de leite. Flor da idade.
E, com seu jeito de menina, não sabia que no fundo,
poderia ser uma tempestade.

O sol imaginava-se sempre repleto.
Pelo seu brilho não temia nada.
Achava-se o mais belo, o mais completo.
Chorou, quando conheceu a madrugada.

A lua, mulher de olhos ardentes,
emoldurada por estrelas,
procurava entre tantas lentes,
alguém que desejasse realmente tê-la.

O mar era um velho pescador,
com tesouros escondidos n’areia...
Diz que nunca conheceu o amor,
vive nas esquinas entre sereias...

Inspirações

Toda vez que me permitia
Recorrer ao que não sabia
Brilhava os olhos do acaso
Iluminando meus dias!

Manuel dava bandeira
Para uma musa Cecília
Toda vez que se permitia
Recorrer ao que não sabia!

Que seriam dos anjos de Augusto
E das pessoas de Fernando
Se todas as palavras da boca
Passassem no mundo voando?

Toda vez que me permitia
Recorrer ao que não sabia
Quintana conversava na varanda
Iluminando meus dias!

domingo, 11 de agosto de 2019


DISTÂNCIAS

Estou longe de mim
E o tão perto
De tão perto afasta

Entenda, não é uma contradição
É uma claridade
Que muitas vezes me arrasta

Não sou santo
Nem quero a vida casta

Distância é uma condição
Esquecimento, ás vezes, não basta


quinta-feira, 8 de agosto de 2019



SAUDADE DE (SAUDADES EXTREMAS)

Preciso de Nicanor, de Melchior, de Maca, de Mu, de vô Dike, Preciso de Mercado, de seu Zezinho, de Beto, e de Thesta
Preciso de Medieval, de Kibelândia, de Noel, de Neto, de Nilson do Amendoim
Saudade de seu Alvim e de Ilhéus,
Parece mensagem em código, mas não é

Enquanto o mundo queima, eu trago... boas lembranças



PEQUENO RABISCO PARA CLÁUDIO SCHUSTER

Eu preciso de boteco. Não nego.



DISTÂNCIAS

Estou longe de mim
E o tão perto
De tão perto afasta

Entenda, não é uma contradição
É uma claridade
Que muitas vezes me arrasta

Não sou santo
Nem quero a vida casta

Distância é uma condição
Esquecimento, ás vezes, não basta


QUANTA


Tanta tua alma
Lágrimas assim
Tão claras
Transparência de mar
Quanta querência a cutucar a vida
Quanta intenção contida
A querer se encontrar

segunda-feira, 5 de agosto de 2019


Colcha de retalhos  

Meus amores estão nas entrelinhas de minha poesia
estão cobertos de rimas
estão encobertos por uma poeira fina de nome paixão
juntei tecidos tantos por tantos anos
tecidos suaves, finos, retalhos diversos e seda e chita
costurei uma colcha quente de lembranças
para acalmar meus invernos

domingo, 4 de agosto de 2019


Assim

Que desatino de vida, que maçaroca doida e doída, que vai assim, feito punhal, a desbravar o meu peito. Esse peso nos ombros, essa luta para defender o que é de direito.
Que o amor seja a costura, chuleio de colchas que nos abrigarão de noites frias, um canto de tanto tempo a trilhar nossos momentos, essa luta de fazer o que precisa ser feito.
Procure o abraço antes do grito, procure o amigo antes do medo, entenda que como está esse mundo, só o mar do entendimento te fará navegar, essa luta para mostrar que as velas precisam de mar.









Vida

A vida não é lenta
Fecha-se os olhos
Trinta
De repente cinquenta
É preciso coragem
Para entender
Toda a paisagem
Toda a passagem
É preciso entendimento
Amor é alimento
É preciso entender as calmarias
E respeitar também as forças do vento
A vida, pois, é breve
E breve também é muito tempo
Aproveite cada momento
Como fosse uma lição, um ensinamento
(Vigiai tuas ações,
encoraje teus receios
por que na verdade
somos passageiros
e é preciso viajar sem medo)


A saudade

Saudade é um canto quieto, emocionante, tocado, inquieto
Uma casa sem teto que não deixa o sereno cair
Uma calçada sem lado que beija o jardim
Uma estrela cadente que docemente nunca cai
Um imenso vazio repleto de tudo envolvido
Um tempo surgido por querer sempre querido
Que deixa no canto do quarto um eterno ai




Alerta

Antes de dormir
escute bem os acordes


D’alma

Acredito em pandorgas 
porque acredito nos ventos


Rabiscos

A vida corre... a vida atropela...
a vida passa feito novela...
minha poesia em papel de pão me alimenta
é preciso acordar todas os dias
com um “ eu te amo “ na boca
para a vida ter sentido



A gentileza nos traz a leveza e leves somos mais inteiros e a integridade nos fortalece. Se em alguns momentos a queda é inevitável, nestes momentos lembramos do abraço que foi tatuado em nosso coração e nos reerguemos. Existe um sol chamado amizade e ele é toda a diferença numa noite onde não se vê nada.