quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020



Nós

Nós para atar
Nós atados
Nós sem par
Cegos por nós
Nós soltos
Despercebidos
Nós lidos
Esquecidos
Nós para juntar
O inconcebível
Acredito
Em nós para sempre



Capitu

Quando conheci Capitu
capitulei
desenganei

a confiança é um conto
um Machado afiado
uma colcha de retalhos
com bainhas de linho   

quem nunca se sentiu Bentinho?

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


As parceiras

Bebem noites, mas adoram café da manhã...
Mastigam palavras poeticamente,
e cinicamente arrotam desaforos...
Conversam com anjos.
Passam os finais de semana no inferno.
Compram tapetes na feira livre.
Adoram tapetes voadores e persas...
Riem com cumplicidade e choram do mesmo modo.
Possuem palavras doces,
que transformam em cicatrizes outras palavras...
Mudam a sala a toda hora.
Fazem as malas a todo instante.
Adoram samambaias e cult movies.
São contraditórias,
mas nós amamos suas histórias...
E por paixão e risco nos entrelaçamos a elas...

(As parceiras não tem nexo. Nem sexo devem ter.
São línguas, do hiato ao plural. Muito de transbordar nada,
pouco de preencher tudo)

São assim as parceiras,
que muitas vezes nem primeiras são...
As parceiras são pele e flor.

Viver sem elas seria cômodo demais.





Hoje eu vejo um olhar que eu não via em mim
Mesmo que a vida continue a pregar peças, a ser uma loucura cada dia maior e ao mesmo tempo mais fascinante, hoje sou mais simples e mais feliz... O amor verdadeiro é transformador e simples. Hoje eu sou o que eu quero ser e mesmo que as dificuldades apareçam, o sentimento de liberdade produz paz. Invariavelmente um aperto brota no coração, quase que a dizer, “tudo bem, passa, tua coerência te fez, e a simplicidade te guiará”...

Tem coisas que eu escrevo para que me ouçam... tenho meus rabiscos como fossem meus mapas...
O luar é um cachecol, com o qual eu protejo teu pescoço dos meus beijos roubados.
Eu rio muito contigo...
Chego a ser mar...
Na hora de dormir
escute bem os acordes

domingo, 16 de fevereiro de 2020


A "Flor Bela" faz poesia
e todo dia é Primavera

sábado, 15 de fevereiro de 2020


A vida não é lenta.
Fecha-se os olhos, trinta.
De repente, cinquenta.
É preciso coragem para entender o tempo.




Ardia a manhã
Bem lembro
Meu coração inverno
Sonhava em ver setembro
O sol ficava diferente
As flores provocavam sorrisos
Nunca esquecerei as cores das primaveras de Torres
É uma tela que guardo aqui dentro
Feito um mar


Breve

A vida não é lenta
Fecha-se os olhos
Trinta
De repente cinquenta
É preciso coragem
Para entender
Toda a paisagem
Toda a passagem
É preciso entendimento
Amor é alimento
É preciso entender as calmarias
E respeitar também as forças do vento
A vida, pois, é breve
E breve também é muito tempo
Aproveite cada momento
Como fosse uma lição, um ensinamento
(Vigiai tuas ações,
encoraje teus receios
por que na verdade
somos passageiros
e é preciso viajar sem medo)


Nem tudo é todo

Nem toda a hora é clara
Nem todo o ovo é gema
Nem toda a correria é risco
Nem todo o lápis desenha
Nem toda a frase é lema
Nem todo o amor é sina
Nem toda a teoria condena
Nem toda a prática ensina


Esse Olhar

Ai esse olhar
Que tu sempre pega
Olhar de esfrega
De calor, de paixão
Olhar que come
Que fome
Ai esse olhar 
Que me entrega




Pequena quadrinha do "Fuja disso"

A rua mora no fim da casa
Onde a sala separa o quarto
O amor nesse caso é apenas um ato
De cômodos acomodados



Eu quero alguma coisa
temperada de gente
e gente é todo mundo
meu gosto é meu
aguente

(Márcia Caspary e Edike Carneiro)






Cresci numa linda cidade chamada Torres e comia goiaba e outras tantas frutas no pé
Jogava taco em frente de casa e andava de carrinho de lomba final de tarde
Hoje vejo que todo mundo vê todo mundo pelo computador e celular
Queria tanto reencontrar o meu lugar
Mas Torres já não é mais a mesma, nem as goiabas, nem o jogo de taco, nem o carrinho de lomba
Restam sombras, sombras diferentes
Por que nem o sol é o mesmo
Precisamos resgatar o simples, senão não teremos histórias para contar

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020



Eu quero que tudo vire explosão
Explosão para acordar
Que o amor exploda
Que a vida exploda
E que a gente possa se achar
Prefiro a explosão
Do que a falta de tato e de poda
De alma e de coração
Mexe, remexe, mistura e cura
Todos os desejos
Tem dias que o amor precisa
De liquidificador
N’ outros precisa só de beijo


Mora um vento em mim...
que não me leve as reticências...


Cora Coralina adoro
teus meninos e tuas meninas
por que tuas poesias falam de pessoas
todas, qualquer uma, qualquer olhar ou sina






O que chamam de tudo é apenas uma parte do que cabe em mim.
Que tamanho mais do que o imenso terá o amor que sinto por ti?

e eu assim meio de canto,
rabisco uma letra e danço

Que coisa estranha
Hoje em dia fazer poesia
Parece que cometo delitos
Parece que estou fora da lei
E o que escrevo me incrimina
Por que esse medo de alguns pela poesia?
Eu sei


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Lembrança é ferrugem

pelo arame da saudade



O luar é um cachecol, 
com o qual eu protejo teu pescoço 
dos meus beijos roubados.


Minha alma é feminina
Minha poesia é menina
Mulheres me desenham, me provocam
Os caminhos delas são minhas janelas
Sem esse encantamento meu chão é árido

Minh’alma dói
Não imaginava que alma poderia ter tanta dor
Por anos achei que a alma segurava todas as dores do coração
Ledo engano
Não se pode usar mertiolate n’alma
Nem se pode dar anestesia nela
Minh’alma dói...
Rasgos
Peito aberto
Lanhado
E não me venham com esparadrapo...
O amor assopra, sei que passará


A vela costura e borda
E singra mares
Assim como quem
corta um retalho
Um terno de bom feitio e de boas lembranças
Faz com que naveguemos
E que tenhamos boas vestes para nossa alma
Cuide bem de suas linhas

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Intensamente foi a forma que descobri para desenhar palavras
Os interruptores d’alma são toques que aceleram o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração
O resto é vento...
Buscamos a vida inteira
Uma solução que vem de fora
E aprendemos com o tempo
É dentro de nós que a solução mora
Garoa também é lágrima
Molha e até encharca
É preciso entender o tanto de todas as águas
Para falar de navegações, de perdas,
de conquistas, de voos e de dores
Hoje eu vejo um olhar que eu não via em mim
Mesmo que a vida continue a pregar peças, a ser uma loucura cada dia maior e ao mesmo tempo mais fascinante, hoje sou mais simples e mais feliz... O amor verdadeiro é transformador e simples. Hoje eu sou o que eu quero ser e mesmo que as dificuldades apareçam, o sentimento de liberdade produz paz. Invariavelmente um aperto brota no coração, quase que a dizer, “tudo bem, passa, tua coerência te fez, e a simplicidade te guiará”...

Tem coisas que eu escrevo para que me ouçam... tenho meus rabiscos como fossem meus mapas...




Almas bonitas são borboletas
Precisam passar por várias fases
para alçarem voo

domingo, 9 de fevereiro de 2020

SECA

Que chuva tamanha que beija a seca,
A minha seca boca
Chuva que molha as roupas do passado
E dá febre
Uma febre tamanha que queima a seca,
A minha seca boca

Uma sensatez louca

A previsão é que a chuva tamanha não pare,

Então; que encharque
Dentro de minhas gavetas, onde guardo meus sorrisos, mora um punhado de conchas
Lembrança é a ferrugem 
pelo arame da saudade...

sábado, 8 de fevereiro de 2020


Saudade

Saudade muitas vezes é um gosto bom
Maionese com galinha ensopada da mãe
Beijo de amigos, gosto de chuva a cair

Saudade muitas vezes tem gosto amargo
De falta, de vazio, de dor
Mas mesmo assim saudade tem amor

Saudade de um janeiro louco
Ou de um frenesi agosto
Saudade é coisa que não se esquece
Qualquer que seja o gosto

Tenha certeza disso, saudade é uma ponte
Onde a lembrança acena o reencontro
Ou a lembrança nos garante que vivemos

Saudade pode ser um amor passageiro
Ou um amor de uma vida inteira
Saudade é um livro que toda hora relemos


Teimosia

Por teimosia eu resisto
Teimosa também é minha poesia
A vida é verso, a vida é prosa
Gratidão, amor e harmonia

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020





Minha alma está assim a permear o mar que tenho dentro de mim
Vivo cada segundo e cada segundo é uma conquista
Não faço planos, não faço barulhos, não faço listas
Percorro prantos e cantos quase sem motivos ou por tantos
Uma solidão inquietante entrega-me
Arde um vento que ao mesmo tempo que leva me traz

Eu tinha mais cabelos e menos peso
Eu tinha mais vontade e menos paciência
Eu tinha mais audácia e menos controle
Eu tinha mais sonhos e menos realidade
Mas o que tive e tenho foi e é verdade
Com mais ou menos intensidade
O que trago junto a minha certeza
É que sempre busquei a felicidade
E o leme é meu
Se não fiz tudo certo
Eu fiz de coração

Minha alma está assim a permear o mar que tenho dentro de mim
Vivo cada segundo e cada segundo é uma conquista
Não faço planos, não faço barulhos, não faço listas
Percorro prantos e cantos quase sem motivos ou por tantos
Uma solidão inquietante entrega-me
Arde um vento que ao mesmo tempo que leva me traz



quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Tábuas


Meu destino maré pôs-se a navegar
Marés e suas tábuas para me levar
Para se fazer luar
As vezes se afogar
Dançar aonde não dá mais pé
Cair, levantar, se juntar
Brincar de quebrar
Olhos marejados
Minha precisão de navegar
Minhas casas erguidas
Entre tábuas das minhas marés

I

Jardim de águas claras
Sopra inundação e correnteza

Para correção das margens

Para correção do navegar

II

A pétala que corre na chuva
Desliza feito luva

Espumas

Vejo a tristeza que se espelha
Ao ver minh ‘alma que parte
Felicidade é um fogo de palha
Que queima, que provoca, que arde


Mora um hiato que teima em provocar
Um abraço de esquina que não se esquece
Vez por outra vens feito onda de mar
Quebra, insunua e desaparece
Desejo


Se não posso sentir
mais do que tu me permites
ainda assim sigo sentindo
tudo aquilo que não sentes
e, quando feres os meus olhos
com teus limites,
correm em minhas veias
desejos repentes

Ao contrário do que vês,
não sou tão pura,
pois minha boca
solta uma mulher ardente
enquanto crês que me tens,
sou vã procura
embora aches que sou completa,
vejo-me doente...

Ao passo que vives encanto,
sou tortura
e, quando vivo em brasa,
és decente
O que faço por amor
chamo loucura
Talvez, por isso, eu seja inocente...

Fomes

Era inevitável a queda
frente ao vazio que se fazia
era café sem bolacha, sem fatia
era fome o que o coração mostrava e dizia

era inevitável o pranto
frente ao exposto
era lição sem cartilha
era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

era inevitável o fim
frente ao penúltimo capítulo que se escrevia
era final feliz sem nenhum par
era romance sem nenhuma poesia

a fome comia...

Marcas, tatuagens e silêncios

Espelhávamos na própria carne quando pressentíamos a dor
e tudo era uma coisa só e tudo era só
chamávamos segredo o que era intenção ardente
propúnhamos ser o que não éramos para resistir à vida
vez por outra éramos apunhalados por nossos medos
quebrávamos bússolas, rasgávamos mapas, sujávamos lentes
havíamos atingido toda a inconstância das coisas tidas como certas
e velas abertas singravam mares, bares, ares e alhos e bugalhos
entendíamos que assim resistiríamos mais
ledo engano
depois de algum tempo nos reencontramos e não falamos nada
mas havia em nossos olhares uma dor
que por não ter sentido algum
marcaria toda a nossa vida

Cartografia

Engoliu à seco para lavar a alma... Naufragou, logo a seguir respirou e ao levantar a cabeça avistou novas terras... Acabei aprendendo com a cartografia o prazer de me perder, o prazer de desejar sempre a liberdade, seja qual forem os cursos d’água... Vou bem entre minhas loucuras e as fotografias amareladas que ainda guardo. Vejo o futuro com bons olhos e o amor parece que floresce, logo posso colhê-lo... quem saberá... Infinitamente eu me permito parar de vez em quando... Nesse momento, aí eu ando...
Conversas

Ainda assim, acredito em minha varanda, em minha rede, em minha poesia... acredito que tudo é simples demais e complicamos tudo. 

Ainda assim, acredito em andar de mãos dadas, em dormir de conchinha e outras posições de encaixes. 

Ainda assim, sigo a buscar, a "me" perder, a "me" encontrar e, tenham certeza que o tempo passa rápido
demais e precisamos aproveitá-lo com muito amor, em todos os sentidos. 

Ainda assim, continuo a passear na praia, a escutar as gaivotas e a todo o momento resgatar o menino que mora dentro de mim. Às vezes me pergunto se estou no mundo certo. A resposta vem rápida: com certeza, não.


O coração explode... 

um arrepio grita teu nome... 
a esquina foi tatuada com minha sede.... 

e tua ausência me dá fomeo grita teu nome... 
a esquina foi tatuada com minha sede.... 
e tua ausência me dá fome

sábado, 25 de janeiro de 2020


Pequena quadrinha do "Fuja disso"

A rua mora no fim da casa
Onde a sala separa o quarto
O amor nesse caso é apenas um ato
De cômodos acomodados