segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Todo o tempo do mundo num só instante de dor

O tempo cura tudo, Quirina ?
Depende o tempo, responde Quirina, olhando pra uma manhã linda e clara.
O que cura mesmo é uma tempestade bem forte.
Só assim nascem manhãs iguais a esta.
Ah, Quirina... tens tempo... tens tempo...

Interiores

Dolores foi à farmácia para comprar tranquilidade.
Tomou comprimidos bem fortes para ver todas as cores.
(Quirina, indignada, num só grito resume:
Que adianta pintar a fachada, sem colorir os interiores?).

Das interpretações

Quirina comprou um sonho num domingo de sol e de creme...
E tudo parecia suficientemente completo...





O chá das cinco

Filmes em preto e branco não se deve colorir
São belos assim.
Deve-se ler o romance inteiro, e não começar pelo fim...
Queijos e vinhos devem ser degustados com calma,
sem tempo, sem telefone,sem campainha.
Ao escutar uma música, abra os ouvidos,
mas não se esqueça de abrir também a alma...

(Cleomar leu com o olhar de anjo de que tem, olhou Quirina e disse:
- “O entardecer pertence aos que amam os dias e as noites”.
Quirina, encantada, sorriu e trouxe duas xícaras de chá de maçã).

Quintana e a solidão                                                                         
                     
Quintana tomou chá comigo na Páscoa.
Trouxe biscoitos e um papel de chocolate com um escrito seu.
Tomamos chá, sumimos por instantes e mostrei um escrito meu.
Num ninho próximo um coelho cochilava, sem a mínima noção do tempo.
Quintana sorriu, despediu-se e aconselhou colocar rum no chá...


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Luz de velas não quer dizer caverna

O título ficou tão bom que não precisa escrever mais nada.
- Tá bom, Dolores. Não escrevo mais nada.

A linha que separa a dor do beijo é invisível

Não vês minha dor, nem sentes quando latejo palavras.
Pedes meu sorriso agora e sempre.
Disfarço um mundo para me dedicar ao beijo.

Minha dor é um fantasma, correndo por entre corredores e assaltando correntes.
Pedes agora e sempre meu beijo.

Toda essa vida, vida essa que é tão minha,
desbocando num mar, na lida,
perco o rumo, o mapa, a linha...

(E, Dolores, brincando com aquele imenso carretel, diz que a linha do trem é partida...).






Amores

Quirina escuta o andar de Dolores.
Quirina inquieta escuta o andar de Dolores.
Quirina boquiaberta escuta uma frase de Dolores.
- João deixou recado, Quirina ?
Quirina, com a face rosada e com um beijo marcado no pescoço, responde.
- Que João ? Ah, o João... Esteve aqui. Muito rápido... e deixou um recado...
Mas tinha que ser no teu pescoço, Quirina ?

(Tomaram café juntas anos depois, e riram muito, por muitos anos...)

Hiato

Aquele sujeito, cheio dos adjetivos,
dizendo-se objeto direto, é bem composto,
de simples não tem nada,
Aumenta tudo a cada relato.
Ontem, o vi num bar, bebendo e rodeado de hiatos...

(Quirina leu tudo atentamente, e para definir rapidamente o acontecido, disse: É um problema de língua... e riu muito do que disse...
- Tá falando do beijo ? – gritou Dolores enquanto fazia as unhas...)


Nada é exato.
O resto da vida pode ser o próximo minuto ou os próximos cem anos...

...
Augusto não era tão anjo assim. Não entendo até hoje seu plural.

...
E um vampiro apaixonado, dá de presente um cachecol...

...
Quem ama não data.

...
E não se enganem quando falam lento, palavras sem pressa ferem muito mais.

...
Atentos olhos observam a intensa cerração.
Nas vidraças, recados escritos com as mãos.
Faz frio lá fora, mas inverno igual ao da minha alma nunca vi.

...
Existem horas em que a melhor maneira de aparecer é sumir...

...
Sou um outono apaixonado por uma chuva de verão...




Sonhos e corujas

Talvez no meio da madrugada
More uma coruja escondida
Que de tanto sonhar com o dia
Esqueceu-se da própria vida.

Amores                                                                               

E também tem o amor escondido, o presente, o de viagem, o de verão...
Temos amores demais. Atemporal é o nosso coração.

Absolutamente

Tem dias que eu sou cantante.
N’outros o silêncio bate.
E na forma mais errante.
Beijo de mercúrio em que me arde.

A linha


A felicidade é uma linha... uma voz que corre a linha... uma linha que é feita de nós... Uma nota musical alinhada com o querer... a simplicidade é amiga da linha... o tempo é parceiro da linha e o amor é o tear...
Caminhos encantados do acaso

A mágica sensação do ver sem nunca ter avistado.
O delirante sujeito que nunca faz parte da frase.
Atenha-se aos detalhes, ao acaso.
De vez em quando provoque-se, como forma encantada de provar que a vida corre por suas veias...

Quando o tempo todo é muito pouco

“Um copo vazio está cheio de ar”.Chico, preciso e encantador...
Muito de nada para preencher.Pouco de tudo para entender.

Segunda-feira após uma solidão de mar

O tempo é um velho professor. Escreve calma, paciência, compreensão, claridade
para dizer amor.

Pequena canção de um barulhinho bom e simples

Quando a chuva cai na terra, ouço um som de beijo...

Guardo-te

Guardo-te como quem guarda o gosto da primeira manhã...
Infinitamente. Guardo-te como quem viu o céu uma única vez.


O vendedor de algodão doce

Lá se vão as nuvens,
E eu aqui embaixo, redesenho...
Passa agora um vendedor de algodão doce e me traduz.
É... o amor tem muito mais que claros segredos...

Frases e rasgos

Usava alvejante na alma e ninguém via a tristeza contida

Pequena canção para entender a lágrima

Imagino a lágrima vertente de um rio.
Insinuo que existem correntezas e calmarias no curso.
Minhas tristezas e minhas alegrias são meu leito.
Entendo o pranto como fosse uma vertente inundando o mar...

Cochilo                                                                                                                              

Meu abandono tem sono e acorda em teus braços quase sempre.




Caixinhas

Temos o medo guardado em caixinhas no quarto.
num quarto de hora,
num quarto de hotel,
num quarto de nunca mais,
num quarto de pão...
Temos o medo guardado em caixinhas no quarto...

Enganos

Mudou a cor do casaco para enganar o frio.
Colocou num copo toda a água suja do rio.
(embaixo do tapete mora um segredo que todo mundo sabe).

De pele

Enquanto eu era a seca, tu eras a dança da chuva.

Estio

Lá no meio do deserto mora uma única gota d’água...
Filha de uma chuva rara e de um poeta sereno.
É lá que os sonhadores matam a sede.







PEQUENA CRÔNICA DO FEITIÇO QUE VIROU CONTRA O FEITICEIRO

Um amor de tempos é aquele que aquece a solidão a qualquer momento
Um “que” que abriga tanto querer e faz o sentimento crescer lá dentro
Uma verdade que não finda, um tentar com todas as forças que se tem
Um amor assim atiça, envolve, permeia a tudo

e quando despertado ganha mais vida, fica mais forte, faz bem

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Meu amor é risonho, por que amor nasceu para ser alegre... para fazer rir... vivo a sorrir... e se a lágrima porventura surgir, sei que estás comigo e assim navego na harmonia que é todo esse nosso amor... é maravilhoso gostar de quem a gente ama, é delicioso amar quem a gente tanto gosta, é encantador ser amigo de quem também é nossa amante, mulher e parceira... O amor completa o humor... e é essa cor que nos desenha...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A verdadeira linha arrisca... A linha outra só risca... Amor não é isca... a felicidade quando vê o amor... Pisca..




A linha amarra, alinha, tantas pessoas são nós atados sem concordâncias nenhuma, a melhor linha é a da pandorga quando arrebenta. Voo é uma linha liberta, o amor é cor quando é liberto e assim a sinceridade fica coberta.... De razão...




O destino é um passarinho moldado em barro feito a música de Vander Lee... um jeito assim novo de tudo, um sol que conduz quase o mundo inteiro... um veleiro beirando a lua... de velas que acendem meu peito e me faz navegar nas estrelas... ai ai ai... que o amor prevaleça sempre no brilho desse luar...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Cartografia


Engoliu à seco para lavar a alma... Naufragou, logo a seguir respirou e ao levantar a cabeça avistou novas terras... Acabei aprendendo com a cartografia o prazer de me perder, o prazer de desejar sempre a liberdade, seja qual forem os cursos d’água... Vou bem entre minhas loucuras e as fotografias amareladas que ainda guardo. Vejo o futuro com bons olhos e o amor parece que floresce, logo posso colhê-lo... quem saberá... Infinitamente eu me permito parar de vez em quando... Nesse momento, aí eu ando...
Afta       

Incômoda
Mexe a língua
Roça o lábio

Lânguida
Lida
Inseticida
Mata grilos e corujões
Redescobre a vida e as paixões

Nasce em bocas de noites
Siso, juízo, guiso,

Tão aflita
Afeta
A fita
Rompe

Um longe
Um lugar nenhum

No céu na boca
Uma afta

Paixões deixam marcas
E trazem febre


A falta
                
A falta
A exatidão da falta
A presença da falta
Sem ata
Sem data
A falta
A instransponível falta
A marcante falta
Sem salsa
Sem valsa
A falta
A intragável falta
A visível falta
Sem máscaras
Sem vísceras
A falta que preenche tudo

Todo o espaço para a falta
As desculpas

Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo...
Nunca entendi tantos dedos,
já que eu sabia do que se tratava...
Vez por outra deixavam somente recados,
avisavam que não mais voltariam
e, logo depois, voltavam...
E com elas chegavam outras palavras,
que eu não entendia muito bem seus significados...
Mas até aquele momento,
as desculpas não se importavam com o que eu poderia ter achado...
Algumas chegavam bêbadas,
outras chegavam sem avisar,
e outras tantas  não sabiam nem o que falar...
Nunca me preocupei em entendê-las,
mas entendia o que elas queriam mostrar,
assim ficava mais fácil conjugar o verbo desculpar...
E assim foi quando eu perdi meu par...
Depois vieram as desculpas,
que usavam luvas e falavam baixo,
que me ensinaram de um jeito especial
a verdadeira face do gostar...






Túlio Piva  
               
Quando a lua do destino decidiu viajar
malas na sala, recados no mar
Assim veio um menino sem passagem, sem lugar
que também queria o céu...
Escreveu, ao lembrar do tanto, de um passado tão bom
e ele “nem sei em que data"...  clareou a viagem
Quem nunca ouviu Túlio Piva que me desculpe
Minha lua de menino sempre foi pendurada no céu
“feito um pandeiro de prata".






O acaso brinca de rima
          
Cabe-me, por encaixe, o olhar inteiro das bocas do acaso
Afasto-me quando, ao meu encalço, andam apressadas bocas métricas
Mergulho em luas claras e transparentes como se o medo fosse o raso
E não venham me dizer que almas são armadilhas bélicas

Atento aos relatos escuto a inconstante passagem do pensamento até o ato
Transformo-me num silêncio de lápide quando um grito quer ser mais forte do que o fato
Fatias inteiras de um bolo de chocolate do apartamento ao lado invadem lixos de uma favela
E, não venham me dizer, que corações sejam sempre as melhores janelas

Cabe-me a leveza da escrita para deixar dito o que tanto me aflige e alucina meu entender
Levado muitas vezes pelo interminável duelo daquilo do que se mais quer, com a razão burra de que não se precisa querer
Lanço-me aos poucos, aproveitando-me de noites escuras, para escrever poesias em muros que rodeiam almas tão vazias
E não me venham dizer que estou só, louco e o que entendo por felicidade sejam páginas de crônicas fictícias e fugidias...



Saudalejar

Seu nome saudade
Menina de seios rijos
Pouco ou nada de juízo
Cheiro de leite
Sabor de flor

Seu nome amor
Menino de dentes livres
Brancos que um dia eu tive
Cor de mar
Imensidão de grão

Seu nome paixão
Mulher de lábios fatais
Afã de talvez, clã de jamais
Música de cor
Verbo “saudalejar”


Tarde

Lá fora é tarde
Aqui dentro na sala
A vida arde
Desenho a tela
Com mertiolate

Cicatrizes contam histórias
Esparadrapos vestem as feridas
Quando tudo parece morrer
Aparece teu sorriso

O destino assopra


Fomes                                                                                                 

Era inevitável a queda
frente ao vazio que se fazia
era café sem bolacha, sem fatia
era fome o que o coração mostrava e dizia

Era inevitável o pranto
frente ao exposto
era lição sem cartilha
era um mar imenso sem nenhuma possível ilha

Era inevitável o fim
frente ao penúltimo capítulo que se escrevia
era final feliz sem nenhum par
era romance sem nenhuma poesia

A fome comia...




PEQUENA CRÔNICA DO FEITIÇO QUE VIROU CONTRA O FEITICEIRO

Um amor de tempos é aquele que aquece a solidão a qualquer momento
Um “que” que abriga tanto querer e faz o sentimento crescer lá dentro
Uma verdade que não finda, um tentar com todas as forças que se tem
Um amor assim atiça, envolve, permeia a tudo

e quando despertado ganha mais vida, fica mais forte, faz bem

Nas entrelinhas

"Uma verdade que não finda... permeia a tudo.
Um "que" que abriga tanto querer, atiça um amor assim.
Um tentar com todas as forças que se tem, faz o sentimento
crescer lá dentro, aquece a solidão, ganha mais vida.
A qualquer momento, quando despertado, fica mais forte!
Um amor de tempos, envolve e faz bem!".

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Para Ti"

Muita vontade de ti
De ter-te assim
Assim de um modo todo
Quando o todo é tudo
Muita vontade de te ter
De estar em ti
Assim de um modo tanto
Quando o tanto
ainda assim é pouco
Muita vontade de ti
De sentir a ti
Assim de um modo franco
Quando o franco é tudo

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Todo o andar cantante
Nasce do canto verdade
A tristeza é passante
A felicidade é claridade
A resposta vem do tempo
Que é o senhor da razão
Vela aberta recebe vento
Amor abre o coração
A medida, cada um tem a sua
Como cada qual tem o seu canto
Cada sol tem sua lua
Preencha tudo com o seu tanto

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tudo de mar nas cores do dia
Em linhas de tanto tempo
O beijo permanece claro
O desejo esclarece o raro

Tudo de corpo nas cores d’ alma
Em linhas de tanto querer
O há braço permanece laço

Tudo de olhar nas cores da felicidade
Em linhas de tanto amar

Tudo o que não se via se enxergava no ar

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Sol na Ilha e que a claridade nos remeta a ver melhor o que se passa ao nosso lado. Uma palavra de conforto, um carinho, um abraço sincero não vai tirar pedaço de ninguém. Entendamos que estamos aqui de passagem, é a brevidade pode ser nosso limite... Então faça agora, beije agora, fale agora, viva agora... Não deixe para o próximo minuto àquela palavra de carinho e de amor... Sentimentos verdadeiros ficam, desenham nosso caminhar... E eles nos ensinam muito... Condicionais ou incondicionais, duradouros ou breves, fogosos ou calmos, inteiros ou fragmentados... Todos eles são importantes, são decisivos, estiveram em nossa vida por algum motivo forte e arrebatador.... Ame mais, fale mais. Amanhã poderá ser bem tarde... amanhã poderá ser “nunca mais”... Aproveite o sol e exponha-se mais... e leia Florbela, Quintana, Neruda, Pessoa, Drummond, Cecília, Borges, Machado de Assis e tantos outros... Escute Cartola, Candeia, Chico, Noel, Crioulo, Paulinho da Viola, Martinho, Elis, Marisa Monte, Gonzaguinha, Fagner (esse é bom, rsrsrsrs) e tantos mais... Abra seu coração para as palavras, para as músicas, para a sinceridade...  Boa semana a todos e que possamos ao final do dia ser uma melhor pessoa do que quando acordamos...  

O andar da meia lua
encontra o meio luar
meia-noite claridade
vontade de iluminar

a paixão assim inteira
me faz querer viajar
e mesmo assim tão longe
moramos no mesmo lugar

terça-feira, 8 de outubro de 2013

decifrar é um verbo de ligação
liga o encanto e o mistério
com o coração


O Sol e a Lua  

No fim de uma lua mora um sol louco de paixão em pleno outono
Dias perfeitos fortalecem a relação

e se tu foste somente uma andorinha
mesmo assim, com certeza, farias meu verão


Meios  

O andar da meia lua
encontra o meio luar
meia-noite claridade
vontade de iluminar

a paixão assim inteira
me faz querer viajar
e mesmo assim tão longe
moramos no mesmo lugar

Mergulho

as margens do teu rio eu mergulho sem medo
neste momento
não tenho frio
não tenho dúvida
não tenho medo

Crença

"há braços" sempre
qualquer que seja o tempo
e acredite em boas sementes
e taças de vinho seco

Acontece?
  
sei lá o que acontece
acreditar é um verbo muito arriscado
o destino tece com linhas que não conheço
zigues e zagues
que costumam costurar meu coração

domingo, 6 de outubro de 2013

Uma história de verdade

Bergamotas.

Tempo nublado, sem chuva, mas choroso. As linhas do quando lavam almas, desenham nuvens e encantadoramente rasgam comentários embalados com a previsão do tempo. Enfim, detrás da nuvem um sol e uma lua beijam-se. 

Vi uma cena linda, ontem, no centro de Floripa, perto do Terminal, quase na Conselheiro Mafra. Um menino de uns dez, onze anos no máximo vendia bergamotas. Simpático, atento e envolvente. Ele chamava os fregueses assim: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.

Era isso ou quase isso, o importante é o conceito, diriam meus colegas publicitários. Vendia muito o guri. E além de vender passava alegria a quem ali passava. Eis que surge uma senhora, humilde, roupas velhas, mas bem vestida, entendes isso, leitor? Claro que sim. Ela aproximou-se do vendedor de bergamotas e perguntou: “É doce essa bergamota?”. Ela não tinha dinheiro, era visível isso.

O guri com olhos de bondade e gestos harmônicos, entre o sorriso e a compaixão, olhou bem nos olhos da senhora e respondeu: “Prove”. Ela, já com os olhos marejados, falou baixinho: “Eu não tenho dinheiro”. Ele fez que não escutou. Ela descascou a fruta. Ele continuava a vender as bergamotas.

Ela comprovou toda a doçura da fruta e do momento. Ele colocou mais quatro bergamotas num saquinho e deu nas mãos dela. Ela sorriu e saiu “devagarzinho” com um sorriso que encobria todo o seu rosto. Ele sorria ainda mais.

E continuou a vender as bergamotas: “Bergamotas doces, para a gente ter um dia doce, bons frutos para um dia doce”.

É preciso olhar a vida com olhos doces. Quem viu a cena que eu vi, com toda a certeza do mundo ganhou o dia e aprendeu muito com àquele guri.

“Olha a bergamota” – mas olhe de verdade.

sábado, 5 de outubro de 2013

Haveria possibilidade do tempo beijar as perdas
Se houvesse o vento da espera deitado no destino mesa
Onde além de outras coisas se pudesse entender da tristeza
E só assim então procurar o resgate do alimento franqueza

O verbo perder não compreende toda a exata compreensão
Pois nele estão contidos as amarguras e os ventos da solidão
Então, amigo, é preciso vasculhar o entendimento
É ver com olhos da verdade que é preciso dar tempo ao tempo
A paciência era uma jovem e educada senhora
Na mocidade se apaixonou loucamente por um jovem de nome Acaso
O tempo passou, passou a hora
E ela de tanto acenar cansou seu braço


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Falei de saudade e surpreendentemente ressurgisse em minha vida
E vi que nosso suposto esquecimento é um hiato que tem os dias contados
Assim de repente como foi nossa partida
Será o nosso encontro sem explicações dos dias passados

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Vejo a tristeza que se espelha
Ao ver Minh ‘alma que parte
Felicidade é um fogo de palha
Que queima, que provoca, que arde

Mora um hiato que teima em provocar
Um abraço de esquina que não se esquece
Vez por outra vens feito onda de mar
Quebra, insunua e desaparece

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Noite com Marisa Monte, o destino tece a linha, para fazer o lençol
A flor encontra a joaninha, o rei encontra a rainha, a lua enfim beija  o sol
(tudo o que é para ser, será)


O amor compromete

Assim como tem compromisso a lua e o luar
O amor compromete
Assim como a areia gosta de ser molhada pelo mar
O amor compromete
Assim como jura compromisso a terra para o colher
O amor compromete
Assim como o querer que gosta de comprometer
O amor compromete
Assim com o sol compromete-se com o dia
O amor compromete 
Assim como minha poesia se compromete com teu olhar
O amor compromete
Assim como meu cantar compromete-se cm tua folia
O amor compromete
Assim como meu ombro tem compromisso com teu calar

sábado, 28 de setembro de 2013

Frases

...
O olhar mexe com o corpo, arrepia a alma, aquece o mais do que o tanto...
A cor do tato desenha o corpo, redescobre a alma, expõe o mais do que o tanto...
A boca umedece o corpo, acalenta a alma, deseja o mais do que o tanto...
O amor é a refeição do olhar, do corpo, da alma e do mais do que o tanto...

...
A alma tem em sua face um luar... claridade,  quase uma febre, que nos acende por dentro... o amor tem alma, muito mais do que corpo, o amor é querer estar junto mesmo na distância, o amor sempre aquece nosso rosto, feito um sopro

...
O coração explode... um arrepio grita teu nome... a esquina foi tatuada com minha sede.... e tua ausência me dá fome

...
Intensamente foi a forma que descobri para desenhar palavras
Os interruptores d’alma são toques que aceleram o sentimento
Toda essa energia vale se puder mover o coração
O resto é vento...

...
Tudo pode ser uma questão de dizer nada.

...
Já virei a página sem ter entendido o livro. (Meu amigo, amor não é adivinhação)...