segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Quirina

 Crônicas de um mundo bem contemporâneo           


Ensaiou uma crônica

deixou um bilhete

pediu gim

implorou uma tônica

ensaiou a bula

escondeu a receita

Quirina é louca

mas, aproveita

o sol acorda

a lua deita

a vida é simples

e se ajeita

sábado, 25 de janeiro de 2025

Morada

 

És meu sol

Nesses tempos sem paz

Aguaceiros de agostos

Janeiros de inundações

Meu coração feito ilha

Naufrágios e temporais

 

Assim perdido busco achados

Meus olhos não alcançam o que vejo

Mantenho as portas fechadas

Contento-me com frestas

Não confio em bússolas e mapas

Meu silêncio sonha com teu beijo

sábado, 18 de janeiro de 2025

Essa tal Florbela

 


 

Ele lê muito Florbela

E Florbela é deliciosamente louca

Ela se atira da janela

E tem certeza que a altura é pouca

Difícil entender ele

Muito mais entender ela

 

Poucos conhecem a Florbela

Quase ninguém me conhece

Faço poesia porque ela me alimenta

A palavra desde guri me “atenta”

As águas que eu prazerosamente navego

São sinceras, as vezes sem sentido, não nego

 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Rasgos

Rasgos

 

Rasgos são tão precisos

Rasgos são tão intensos

Rasgos cortam por fora

Rasgos cortam por dentro

 

Rasgos a fazer a peça do tecido

Rasgos são livros não lidos

Rasgos são colchas de retalhos

Rasgos são cobertores adormecidos

 

Incêndios

 

Incêndios                                                         06.01.2025 Campeche

 

Minhas meninas cansadas

Por pouco dormir

Cantigas de rodas

 

Minhas olheiras profundas

Por pouco dormir

Lembranças acessas

 

Meus olhares tão longe

Por pouco dormir

Sonhos despertos

 

Meus incêndios

Por pouco dormir

A clarear minh’alma

Breve canção do que me conforta - I - II - III

 

Breve canção do que me conforta              

Campeche, 3 de janeiro de 2025

 

Meus incêndios disfarçam meus terrenos áridos

Cantorias na madrugada me despertam

Nem sei se sou noite todo dia

Ou se meus dias escurecem sem avisos

Aquém do que me arde moram centelhas em minh’alma

Mantenho meus medos, meus desesperos e minha calma

Assim sigo aos pedaços tão inteiro

 

 

Breve canção do que me conforta II          

Campeche, 3 de janeiro de 2025

 

Meus desconfortos são agostos a beirar trinta graus

São tintas e tantas cores a desenhar invernos

Calafrios e queimações no mesmo drinque

Assim como vender a roupa nova no “brique”

Assim como calar a fala num único grito

Mantenho meus segredos, meus calos e minha esperança

Assim sigo a guardar lembranças

 

 

Breve canção do que me conforta III        

Campeche, 3 de janeiro de 2025

 

Minhas despedidas são breves hiatos em frases soltas

Cartas a mão leves escritas em momentos únicos

Destinatários que escondem o CEP

Que não querem ser encontrados e de repente aparecem

O que sei de mim muitas vezes nem me interessa

Mantenho minhas fugas, minhas rugas e meus sentimentos

Assim quando vem a calmaria eu me encho de vento

 

 

 

 

terça-feira, 12 de setembro de 2023

 A solidão dói 

A falta grita
A fatia falta
O grito cala
Sem mar, eu não rio

Falta areia na ampulheta
O tempo passa
Sem eu ver

A solidão vira rotina 
E a tristeza é companhia
Desatenção sem querer

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

 Um segredo de gaveta e de mar


Dentro de minhas gavetas, 

onde guardo meus sorrisos, 

mora um punhado de conchas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

 


Canção das Idas



Em algum lugar eu fiquei
Sem saber eu parti
Desgovernei sem querer
Por quais motivos eu nem sei
Só sei que aprendi

Num dia a gente se vai
N´outro chora para voltar
São fases que a gente passa
Tem noites que a lua vem
N´outras ela quer descansar

Trago tristezas e lições
Enveredei entre labirintos
Mas aqui dentro eu sinto
Que apesar dos perdidos
Nos achados eu sobrevivi

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

 

Andarilho

 

Andaria inteiro caso minhas metades fossem entendidas

Por que além de minha vida existem tantas outras vidas

Algumas páginas eu passo, mas viajo além das lidas

Gosto de ser chegada, mas sou apaixonado por idas

 

Andaria em pedaços caso meu corpo inteiro fosse entendido

Por que além de minha vida existem livros que não foram lidos

Algumas chegadas eu passo, mas outras idas eu sinto

Gosto de ser página em branco, mas em outras quero o escrito

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

 


A gente inventa o rapto

A mente encanta o corpo

O barco sem eira nem porto

Invade a baia d’alma num beijo

Nesse navegar de boca a boca

Que encharca o nosso desejo

 


Vila Lobos transformou o trem em luares caipiras

E hoje eu viro lobo para beijar a lua

E escutar tuas eternas liras

A música nos ensina a fazer melhor o amor

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

 

Minhas estradas se perdem para que eu ache meu coração

E quando em minha frente surgem pedras

Vejo parte da minha construção

 

Os encantamentos que vejo são meus reais alimentos

E quando tenho medo dos medos que me inventam

Delicadamente eu beijo o tempo

 

 

 

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

 Um conto de sarda 


Uma menina com sarda
Brincava atrás da cortina
Desenhava uma fada
A solitária menina

Queria que a fada
Num toque de sua varinha
Retirasse do seu rosto a sarda
E ela detrás da cortina

A fada não entendendo nada
E achando tão bela a menina
Num toque doce de fada
Desapareceu com a cortina...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Todo mundo tem escolha


A felicidade pode ser um estalo


Como quem dança num papel bolha

 Navegação

O que faz todo o navegar
é uma boca cheia de mar

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

 Frases soltas presas ao tempo


A confusão ardia
noites quentes
ventos de calmaria
mormaços de Joanas e Marias
bêbadas madrugadas sem fatias
tempo do presente não tão perfeito
olhares sem garantias
orações sem leitos
saudade tatuada em folhas de samambaias

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

 A vida não é lenta.

Fecha-se os olhos, trinta.

De repente, cinquenta, sessenta .

É preciso coragem para entender o tempo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

 



A gente inventa o rapto

A mente encanta o corpo

O barco sem eira nem porto

Invade a baia d’alma num beijo

Nesse navegar de boca a boca

Que encharca o nosso desejo

 


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

 Para Márcia:


E me abrace com calma que eu abraçarei tua’lma
Teus lábios feitos gomos de bergamota
Serão os álibis doces que levarei pelas noites de solidão
Mesmo que eu perca a bússola, que o destino rasgue o mapa, que eu perca a rota, estarei feliz, pois terei o gosto da tua boca na minha
Gomo por gomo